sexta-feira, 2 de outubro de 2026

02 de Outubro de 2026
Rodrigo Lopes

Brasil é peça-chave no continente

O Brasil é peça-chave do xadrez geopolítico na América do Sul. A eleição brasileira é fundamental para apontar a tendência ideológica do continente, a última grande peça de um movimento de importantes eleições. Quem vencer aqui vai manter um contrapeso de esquerda ou ampliar ainda mais essa maioria de governos de direita.

O triunfo de Keiko Fujimori, em junho, no Peru, ergueu, a exemplo da Cordilheira dos Andes, uma fronteira ideológica entre o Leste e o Oeste (veja mapa). Hoje, Lula, de esquerda, governa o maior país da região em um continente majoritariamente de direita. A mudança fica mais clara olhando a sequência recente: Rodrigo Paz venceu na Bolívia em 2025, encerrando o longo predomínio do MAS; José Antonio Kast venceu no Chile em 2025; em 2026, Keiko Fujimori ganhou no Peru e Abelardo de la Espriella venceu na Colômbia, sucedendo o governo de esquerda de Gustavo Petro. É um quadro inverso ao encontrado por Lula quando voltou ao Planalto em janeiro de 2023.

Claro que estou simplificando. Em qualquer lugar do mundo, "direita" e "esquerda" escondem mil tons de diferenciação. Javier Milei, Kast, Daniel Noboa, Rodrigo Paz e Santiago Peña não têm governos idênticos, assim como Lula, Orsi e o "bolivarianismo venezuelano", assim mesmo, entre aspas, depois da captura de Nicolás Maduro e ascensão de Delcy Rodríguez, representam projetos políticos muito diferentes entre si.

O Brasil é, de longe, o país de maior peso econômico e demográfico da América do Sul. Se a esquerda mantiver a Presidência, o Brasil continua sendo o principal governo de esquerda da América do Sul, tendo no Uruguai de Yamandú Orsi seu parceiro ideologicamente mais próximo entre os grandes atores regionais. Nesse cenário, existe uma maioria numérica de governos à direita, mas o maior país permanece governado pela esquerda.

Se a Presidência passar para a direita, Brasil se juntará a Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia numa configuração regional mais amplamente comandada pela direita.

O que pode acontecer

A orientação ideológica dos governantes afetará o Mercosul (há aqueles que defendem maior integração e aqueles que preferem ações individualistas) e a relação com os EUA e com a China. As duas potências transformaram a América do Sul em território de competição, mas, a priori, governantes não são obrigados a escolher lado. Será mais estratégico se o presidente souber garantir os interesses nacionais, preservando a autonomia, enquanto Washington e Pequim disputam influência por aqui. 

A Corsan foi reconhecida como a melhor empresa de saneamento e meio ambiente na 53ª edição Melhores e Maiores 2026, da revista Exame. A premiação avalia indicadores econômico-financeiros, crescimento e critérios ambientais.

Eleitor vai apertar 25 vezes na urna

O eleitor que resolver votar em todos os seis cargos no primeiro turno das eleições, no próximo domingo, terá que apertar 25 vezes na urna eletrônica. Caso o eleitor opte por anular ou votar em branco, ou até mesmo corrigir, o total de toques pode variar. 

28 dias

O Hospital Ernesto Dornelles (HED), em Porto Alegre, criou o projeto Rota 28, que tem como meta reduzir para no máximo 28 dias o intervalo entre a emissão do laudo anatomopatológico final e o início do primeiro tratamento para casos de câncer elegíveis. O projeto estabeleceu um fluxo de navegação integrada entre oncologistas, equipe de enfermagem e setor administrativo, organizando consultas, exames, avaliações e encaminhamentos necessários para acelerar a jornada do paciente. Implantada em março de 2026, a iniciativa já acompanhou, até setembro, mais de 150 pacientes.

Cuidado ao pedir voto

Você sabia que o eleitor e o candidato não podem pedir votos pelas redes sociais no dia das eleições?

A legislação eleitoral brasileira considera a publicação de novas mensagens de propaganda ou o pedido de votos no dia da votação como crime de boca de urna digital. A regra vale tanto para candidatos e partidos quanto para qualquer eleitor.

- No dia da eleição, é preciso ter bastante cuidado. O eleitor, principalmente ao utilizar as redes sociais no dia, não pode pedir voto para determinado candidato, partido ou coligação. Da mesma forma que está proibido de entregar um santinho na rua, ele também não pode fazer uma manifestação explícita de pedido de voto nas redes sociais - explica o secretário judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), Rogério Vargas.

O eleitor que cometer a infração pode responder legalmente.

Por outro lado, eleitores e candidatos podem manter no ar publicações antigas, feitas até a véspera. Além disso, é permitida a manifestação individual e silenciosa - como vestir camiseta ou usar broche e bandeira do candidato ao ir votar -, desde que de forma isolada, sem aglomerações ou abordagem a terceiros.

Polêmica de N. Senhora chega ao Vaticano

A polêmica envolvendo as eleições brasileiras e Nossa Senhora Aparecida - que levou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a se pronunciar - ecoou entre padres brasileiros nos corredores do Vaticano.

Entretanto, de acordo com fontes da coluna dentro da Santa Sé, o assunto não foi tratado oficialmente pela Nunciatura Apostólica, a representação diplomática da Santa Sé no Brasil.

- E talvez nem venha (uma manifestação oficial) - disse um interlocutor interno.

Um vaticanista, jornalista que cobre a Igreja Católica em Roma e que mantém contato semanal com a coluna, relatou que, por lá, o tema gerou trocas de e-mails entre brasileiros em busca de informações sobre o caso.

O presidente da CNBB e arcebispo metropolitano de Porto Alegre, cardeal dom Jaime Spengler, está na Colômbia. À coluna, ele disse que as notas da entidade representam a posição do clero.

- As duas notas que publicamos deixam claro nossa posição.

Na mais recente, a Conferência afirmou: "Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira", afirmou a nota. 

INFORME ESPECIAL


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