quinta-feira, 1 de outubro de 2026

 

01 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Enfim, propostas

Enfim, os candidatos ao governo do Estado abordaram, em debate, os assuntos que mais preocupam os gaúchos. O encontro na noite de terça-feira, na RBS TV, trouxe temas dos quais a coluna havia sentido falta no duelo anterior, na Rádio Gaúcha, na última sexta-feira: educação, enchentes e meio ambiente, agronegócio, empreendedorismo e infraestrutura.

Encontros em TV aberta ajudam o eleitor indeciso - e o percentual, segundo a última pesquisa Quaest, chega a 25% na eleição para governador. Entre os que já escolheram um candidato, 33% dizem que ainda podem mudar o voto. É alto. E, embora nem sempre seja possível aprofundar temas, é viável, ao eleitor, reconhecer a performance do candidato no palco. Debate serve sobretudo para isso: testar o candidato sob pressão, sua capacidade de raciocínio rápido e perspicácia.

Após vários debates, algumas estratégias foram repetidas: a dobradinha entre Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT), a fim de isolar Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB), obrigados a debater quase somente entre si. Os dois momentos mais tensos ficaram por conta de Zucco e Gabriel. O emedebista citou relações do adversário com o caso de animais domésticos eutanasiados em Canoas. Zucco disse que o adversário mentiu. Gabriel pediu direito de resposta, mas não foi contemplado. Antes, os dois se engalfinharam em razão da chamada "PEC da Blindagem": Gabriel acusou Zucco de ter apoiado a iniciativa, que acabou arquivada, enquanto Zucco desafiou Gabriel a identificar erros na atual gestão.

Voltando aos temas que, finalmente, apareceram: no agronegócio, o produtor endividado; nas enchentes, o temor da repetição de tragédias; na educação, a escola em tempo integral, o modelo cívico-militar e a progressão parcial; na segurança, o feminicídio e o combate às facções; na infraestrutura, os pedágios. Foi um bom debate. Houve propostas mais concretas do que nos anteriores, maior diversidade de temas, menos bate-boca e críticas. Teve mais propostas, mas ainda faltou dizer como fazer. _

Testes do novo submarino da Marinha

O submarino Almirante Karam, o mais novo meio naval da Classe Riachuelo da Marinha do Brasil, concluiu sua primeira imersão estática na área marítima de Itacuruçá, próximo ao Complexo Naval de Itaguaí (RJ). Sua incorporação ao setor operativo está prevista para 2027.

Com 72 metros de comprimento e autonomia para até 70 dias submerso, o submarino foi projetado para operar com uma tripulação de 42 militares. Segundo a Marinha, a imersão de maneira controlada foi feita sem o uso da propulsão principal (sem deslocamento).

Nas próximas fases, ocorrerão testes de navegação de superfície, imersão dinâmica e verificação do desempenho de lemes, propulsão e equipamentos de navegação e comunicação. _

Entrevista  - Borja Castelar

Ex-diretor do LinkedIn para a Europa e América Latina

"Quem triunfa não é quem mais sabe, é quem melhor comunica"

Talvez você já tenha ouvido falar sobre soft skills - as habilidades comportamentais. Borja Castelar, ex-diretor do LinkedIn para a Europa e América Latina, prefere chamá-las de human skills, ou habilidades humanas. O executivo, que é referência mundial em liderança, inteligência artificial e vendas, estará amanhã no CONGREGARH, um dos maiores congressos de gestão de pessoas do sul do Brasil, em Porto Alegre.

Qual o principal assunto que você vai abordar no evento em Porto Alegre?

Será sobre o que as pessoas chamam de soft skills, de habilidades sociais. Mas falo de human. Gosto de falar de human skills, de habilidades humanas. São as habilidades mais importantes para triunfar na carreira. E nunca aprendemos sobre esse tipo de habilidade, porque, no sistema educativo, só aprendemos sobre habilidades técnicas. Há pesquisas, uma delas de Stanford, que diz que 85% do sucesso profissional depende de habilidades humanas. E não deveria ser uma surpresa. Comunicação é uma human skill. Quem triunfa não é quem mais sabe, é quem melhor comunica.

Há outros exemplos e explicações que podemos trazer de human skills?

Basicamente, são as habilidades que nos ajudam a nos relacionarmos com outras pessoas. Ou com nós mesmos. Comunicação, colaboração, inteligência emocional, criatividade, pensamento crítico. Por outro lado, há as habilidades técnicas, o que você aprendeu a vida inteira: matemática, inglês, geografia. Todos sempre têm dois mundos na hora de aprender. O mundo das hard skills, das habilidades técnicas, e o mundo das human skills. E aí está a chave do sucesso: como você se comunica, como você se conecta com outros seres humanos, sua criatividade, colaboração, persuasão. O problema é que o sistema educativo só ensina habilidades técnicas.

Por que o sistema educativo foca mais nas hard skills?

Porque surgiu na Revolução Industrial e quase não mudou. Naquela época, o importante eram as habilidades técnicas. No mundo da fábrica era muito importante seguir horários, ser obediente, muito técnico. Mas o mundo mudou completamente. Esse mundo já não existe, mas o sistema educativo ficou igual. Continuam ensinando o mesmo. Ficaram na época industrial. O que está acontecendo agora? A inteligência artificial está, cada vez mais, reduzindo a importância da parte técnica dos trabalhos. A dimensão humana está aumentando em importância.

Há pesquisadores que apontam que a geração Z hoje dá mais importância para chefes com características mais humanísticas. Hoje os líderes devem ficar mais atentos a isso?

Totalmente. As novas gerações, se elas não estão contentes e não têm um líder humano, empático e comunicativo, vão embora (das empresas). Elas não têm a paciência de outras gerações. Estão muito mais empoderadas também. Como líderes, temos de ser mais humanos do que nunca. Um bom líder tem de entender como dar propósito ao trabalho, dizer para que estamos trabalhando.

Todas as empresas terão de encarar esse novo cenário?

É seleção natural, vai acabar acontecendo, porque as gerações mais antigas vão se aposentando e vão entrando as novas gerações. É a mesma coisa com as human skills, com as habilidades humanas. Cada vez mais as empresas vão contratar por habilidades humanas. No velho paradigma industrial, contratavam principalmente por habilidades técnicas.

É possível conciliar a IA e as human skills?

Está aí nosso melhor investimento: as human skills. Quanto mais avança a inteligência artificial, mais a parte técnica é menos relevante. E a parte humana vai aumentar. A gente não vai ser substituído nessa parte. A empatia humana nunca se vai perder. Em um mundo tão dominado pela inteligência artificial, nosso melhor investimento na carreira é melhorar como nos conectamos com outros seres humanos, como avançamos nossa criatividade. 

INFORME ESPECIAL

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