quinta-feira, 15 de outubro de 2026

15 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Uma campanha carente do bom debate

A esperança de que a campanha para a Presidência da República no segundo turno transcorresse com melhor nível parece definitivamente frustrada. O incumbente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o desafiante Flávio Bolsonaro (PL) seguem descompromissados com um debate sério de propostas e permanecem mais preocupados em atacar e elevar a rejeição ao adversário. 

Como se não bastasse o comportamento pouco construtivo dos dois oponentes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em especial na figura de seu presidente, Kassio Nunes Marques, alimenta as desconfianças de que decisões judiciais, em vez de assegurarem equilíbrio à disputa e respeito às regras, estão contaminadas pela politização dos membros das altas Cortes.

Convém advertir para as consequências da forma como a corrida ao Planalto se desenrola neste ano. A qualidade da democracia brasileira fica prejudicada, a descredibilização das instituições se agrava, a expectativa de enfrentamento objetivo aos entraves ao desenvolvimento se reduz e a continuidade da radicalização acaba estimulada.

A escassez de ideias sólidas para solucionar os principais problemas nacionais priva o eleitor não identificado com nenhum dos polos de elementos de comparação para decidir o voto. As propostas apresentadas, muito antes de inspirarem alento, soam oportunistas, populistas e pouco críveis.

No modo vale-tudo, o presidente Lula é incansável em lançar medidas de última hora, com inequívoco caráter eleitoreiro, sem se importar com o impacto fiscal das iniciativas. O aumento desenfreado de gastos vai tornar o incontornável ajuste fiscal à frente ainda mais desafiador. 

Como seu antecessor, Jair Bolsonaro, teve postura semelhante, é lícito inferir que, daqui para a frente, o festival de bondades pré-eleitorais e o abuso do poder da caneta podem se tornar uma regra, a ser seguida também de maneira ainda mais desinibida por governadores e prefeitos. A competitividade das eleições fica prejudicada, o que já ocorre no Congresso, com a orgia das emendas.

A candidatura de Flávio Bolsonaro tem a preferência do mercado financeiro por ser a que acena com a disposição de conter a deterioração das contas públicas. Fala em "tesouraço", mas para não perder votos nas camadas populares faz tantas promessas de manutenção de gastos e benefícios que torna elementar perceber que a conta não fecha. A postura dúbia permite concluir que o candidato está ludibriando alguém.

Mais decepcionante seria ainda a campanha no segundo turno se não ocorresse nenhum debate entre os candidatos. A falta de um confronto direto seria mais um desrespeito ao eleitor. Flávio chegou a afirmar na terça-feira que não compareceria ao encontro na Band, neste domingo, e que não garantia participação no evento da Rede Globo, na sexta-feira, antevéspera do pleito. Nesta quarta, no entanto, voltou atrás. 

Aguarda-se que Lula e Flávio compareçam aos dois compromissos, sejam mais propositivos do que dedicados a associar o adversário a escândalos e se esforcem para esclarecer como cumprirão suas promessas. Assim, poderão ao menos amenizar a sensação de que esta campanha está entre as mais indigentes em termos de ideias, propostas e sinalização de esperança desde que os brasileiros voltaram a votar para presidente. _

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