quinta-feira, 15 de outubro de 2026

14 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Uma visão de Estado como propósito

O governador eleito Luciano Zucco (PL) recebeu ontem, do Grupo RBS, o resultado de um trabalho de fôlego que reúne reportagens veiculadas entre setembro e o início deste mês sobre oito grandes desafios para a retomada da prosperidade no Estado. São áreas essenciais que necessitam de atenção especial do futuro governo, para que o Rio Grande do Sul reúna condições concretas de alcançar novos patamares de dinamismo econômico e qualidade de vida nos próximos anos e décadas. 

O documento que, além de jogar luz sobre os principais gargalos, aponta possíveis caminhos para solucioná-los, também será entregue aos demais eleitos pelos gaúchos no último dia 4 de outubro e a outras lideranças e instituições (leia mais na página 9).

O propósito do Grupo RBS é colaborar para que os principais entraves sejam vencidos, com uma visão de Estado. Para isso, é preciso um olhar criterioso sobre dimensões como ambiente, educação, contas públicas, infraestrutura, agronegócio, saúde, segurança pública e desenvolvimento econômico, os temas abordados nas reportagens.

O governo que assume em janeiro foi o primeiro eleito após a enchente histórica de 2024, evento que evidenciou ainda mais as dificuldades estruturais do Estado e fez soar o alarme para a obrigação de o Rio Grande do Sul apurar o passo na preparação para os efeitos das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, os gaúchos despertam para uma transição demográfica acelerada, que transforma o perfil da população e passa a exigir ajustes de políticas públicas.

É justo reconhecer, no entanto, que há bases sobre as quais será possível evoluir. Governos recentes obtiveram avanços no combate à criminalidade, empenharam-se em melhorar o quadro das finanças, conseguiram sinais de melhora nos indicadores da educação e o Plano Rio Grande, convertido em lei, é um mapa consistente para avançar na resiliência climática. 

Ainda assim, a gestão Zucco tem uma responsabilidade singular nessa caminhada, por se instalar já plenamente ciente de que os rio-grandenses vivem uma encruzilhada emblemática e de que será preciso, desde o início da gestão, ter um trabalho focado no enfrentamento às fragilidades identificadas nessas oito áreas estratégicas.

Mas também é preciso consciência de que os afazeres são muitos e complexos. Exigirão dedicação por um período muito superior aos quatro anos de mandato do futuro governo. Por isso, é necessário ter firmeza de propósito e compreensão, da sociedade gaúcha e das forças políticas locais, de que o momento exige um planejamento de longo alcance. Os interesses do Estado devem ser um fator de união e de busca de consensos mínimos, figurando acima das disputas eleitorais, naturais nas democracias. Alternâncias de poder são corriqueiras e o Rio Grande do Sul e a sua população ganham se cada gestão entregar ao sucessor um Estado melhor do que recebeu.

Embora caiba ao governador liderar, a chance de sucesso será maior conforme o engajamento que suscitar. Poder público, empresários, organizações da sociedade civil, partidos, entidades das mais diversas naturezas e cidadãos estão convidados a contribuir e a ombrear na construção de um Rio Grande do Sul que alie pujança, oportunidades e bem-estar social. 

OPINIÃO RBS

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