domingo, 20 de setembro de 2026

19 de Setembro de 2026
EM FOCO - Leticia Mendes -  Andressa Xavier - Rosane de Oliveira

EM FOCO

Operação do MP investiga fraude de R$ 2 milhões em projetos financiados por emendas parlamentares na área da saúde. Além do parlamentar da Câmara de Porto Alegre Giovane Byl, do Podemos, outras três pessoas foram presas

Vereador é preso sob suspeita de desvio de verba

Além dele, foram detidos o assessor da bancada do Podemos Evaristo Mutti e dois ex-dirigentes de uma entidade investigada, Lissauer Ferreira Dias e Alan Silva da Costa, que é advogado. Foram cumpridos também nove mandados de busca e apreensão na Capital e em Imbé, no Litoral Norte.

O grupo formado pelos investigados teria esquema para desviar recursos que deveriam ser destinados para executar projetos financiados por nove emendas impositivas na área da saúde. Conforme a apuração, o valor soma R$ 2 milhões.

No esquema, segundo o MP, a entidade identificada como Instituto de Estudos e Incentivo a Novas Tecnologias da Saúde, Políticas Sociais e Soluções Ambientais e Digitais (Inovatech RS) receberia os valores. As quantias eram inicialmente depositadas pelo Fundo Municipal de Saúde nas contas bancárias específicas de cada parceria.

Em seguida, os recursos seriam retirados dessas contas e transferidos para outra, de livre movimentação, do Inovatech RS. Conforme o MP, por não estar vinculada a um termo de fomento específico, essa conta bancária não era submetida ao mesmo controle. A investigação apontou que, a partir dessa conta central do Inovatech RS, os recursos seriam distribuídos a pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos investigados.

O MP destaca que o Inovatech RS mudou de direção em maio, está atuando de forma regular e colabora com a investigação. Segundo o MP, quando foram solicitados extratos bancários das contas, o grupo teria feito empréstimos em nome da entidade para que parte dos recursos retornasse às contas fiscalizadas. O objetivo seria aparentar a aplicação regular das verbas públicas.

A operação é coordenada pela promotora de Justiça Roberta Brenner de Moraes, da 8ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Brigada Militar. Por envolver um advogado, a Ordem dos Advogados do Brasil acompanhou a operação.

O Podemos afirmou que "respeita a atuação das autoridades responsáveis pela investigação", mas disse entender "ser fundamental preservar o devido processo legal, o direito à ampla defesa e a presunção de inocência, não cabendo conclusões sobre responsabilidades enquanto a investigação estiver em andamento". A assessoria de Byl informou que ele "é inocente das acusações atribuídas". _

Atuação discreta no parlamento e influência na prefeitura

Fábio Schaffner

O vereador Giovane Byl (Podemos) é uma das principais apostas do partido para deputado estadual. Atualmente no segundo mandato, Giovane Luiz de Lima Junior foi o sexto mais votado para a Câmara de Vereadores em 2024, com 12.115 votos.

Com forte atuação em comunidades da periferia, ele praticamente quadruplicou a votação, já que em 2020 havia conquistado 3.440 votos pelo então PTB. Sua estreia na política ocorreu em 2016, quando concorreu a vereador pelo Solidariedade. Na ocasião, ficou de segundo suplente e chegou a assumir o mandato em curtos períodos.

Aos 37 anos, casado e com dois filhos, Byl nasceu no bairro Bom Jesus, na zona leste da Capital, e cresceu no bairro Mario Quintana, na Zona Norte, suas maiores bases eleitorais.

A infância em bairros violentos marcou sua trajetória. Skatista, Byl investiu no esporte como plataforma de inclusão social, à frente da ONG Seja Livre Skate. Cantor e compositor, também é ligado ao movimento hip hop. Giovane não possui formação de Ensino Superior, apenas concluiu o Ensino Médio. Influente na prefeitura, Byl controla a subprefeitura do bairro Bom Jesus, onde coordenou pessoalmente ações durante a pandemia e na enchente de 2024.

Na Câmara, é considerado um parlamentar discreto. Não participa dos debates mais intensos e raramente usa a tribuna. Entre os 54 projetos de lei propostos nos dois mandatos, a maioria dá nome a ruas e logradouros.

Alinhado à cúpula do Podemos, Byl é considerado herdeiro político do secretário de Governança de Porto Alegre, Cássio Trogildo. O gabinete de Byl, onde o Ministério Público cumpriu mandado de busca e apreensão nesta sexta-feira, pertencia anteriormente a Trogildo, de quem ele também herdou os cabos eleitorais e a estrutura partidária. Na atual campanha, recebeu até agora R$ 226 mil do Podemos para o financiamento da candidatura. 

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