segunda-feira, 4 de agosto de 2025



04 de Agosto de 2025
OPINIÃO RBS

Resposta ao surto - de furto de fios

Os números impressionam e os depoimentos de cidadãos afetados e de autoridades envolvidas no combate ao furto de fios e cabos de cobre são desconcertantes. Reportagem do Grupo de Investigação (GDI) da RBS publicada nesta edição de Zero Hora mostra que a quantidade de casos no primeiro semestre, em Porto Alegre, subiu 110% em relação a igual período do ano passado e já é 3% superior a todo o 2024.

As estatísticas sobre um problema que não é recente e agora se agrava demonstram a insuficiência de todas as iniciativas propostas e implementadas nos últimos anos para pôr um freio nesta verdadeira chaga urbana, comum a todas as médias e grandes cidades do Brasil. Ainda é preciso encontrar meios para inibir os furtos, muitos cometidos à luz do dia e sem qualquer acanhamento, em meio à estupefação de quem assiste às cenas, assim como fechar ainda mais o cerco aos receptadores. 

As soluções, devido à complexidade do fenômeno, devem mirar múltiplas frentes, o que torna uma resposta adequada ainda mais desafiadora. O fato de ser um crime cometido especialmente por pessoas em situação de rua viciadas em crack - população que tem aumentado na Capital - demonstra ser um problema que atravessa também aspectos sociais e de saúde pública.

Há ainda um fator de mercado atuando. Os preços internacionais do cobre estão nas alturas por fatores como a guerra comercial de Donald Trump e por ser um metal essencial para a transição energética, na direção da eletrificação. As cotações globais acabam se refletindo nas ruas, com um novo surto de investidas contra a fiação. A despeito da dificuldade para mitigar os furtos de cabos e fios, cumpre não esmorecer nos esforços para combatê-los e preveni-los.

O que está em jogo, afinal, é o funcionamento das cidades. Os cabos arrancados apagam semáforos e causam transtornos no trânsito. Afetam a iluminação pública. Param as operações do trensurb. Deixam cidadãos, empresas e serviços públicos sem energia e no escuro. Na reportagem de Humberto Trezzi e Giovani Grizotti, é impactante a revelação do secretário de Segurança Pública da Capital, Alexandre Aragon, de que durante um fim de semana neste ano, a ação de um indivíduo, em busca de uns poucos metros de fio para trocar por um punhado de droga, deixou 230 mil pessoas e nove hospitais sem luz.

Se há uma nova onda de furtos, é preciso trabalhar para detê-la com a ampliação da vigilância e do policiamento nos pontos de maior incidência e a fiscalização dos estabelecimentos que compram material sem procedência. Deve-se voltar a fazer operações mais frequentes nesses locais. Enterrar a fiação onde for possível e viável economicamente é parte da solução. O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, diz que vai sancionar projeto de lei em tramitação que proíbe a maior parte dos ferros-velhos na cidade. A se conferir, também, os efeitos da legislação sancionada na terça-feira pelo Executivo federal que aumenta penas para furto e receptação de fios. Só não há como permanecer inerte e, diante da sensação de enxugar gelo, deixar de agir em cada um dos aspectos relacionados a esse crime que perturba e traz prejuízos aos cidadãos. _

Opinião do leitor

Atlântida

Consumada a previsível queda da plataforma de Atlântida. E, abstraindo sobre a responsabilidade, resta agora à comunidade elaborar um plano para a recriação deste ícone do litoral gaúcho. Seria bacana se as construtoras, empreiteiras, imobiliárias, condomínios e suas administradoras, poder público, entre outros, tomassem a iniciativa de criar e executar um projeto atual e grandioso o suficiente para restituir a simbologia desse patrimônio do RS. Com a palavra, as lideranças do litoral gaúcho. _

Gustavo A. Iserhard - Advogado - São Leopoldo - Morte de um gigante

Eis que tudo aconteceu como o diabo gosta e como as "otoridades" competentes desejavam. Mais uma crônica de morte anunciada. A plataforma de Atlântida, continuando em seu martírio de dois anos de inércia e indiferença, foi mais um pouco decepada. Lá está com o seu espectro fantasmagórico. Dela começam a restar apenas ruínas de saudades. 

Tendo sido emblematicamente de iniciativa privada, a primeira do gênero no litoral gaúcho, ela se despede em seu absurdo e doloroso naufrágio. Agora os homens públicos apelam para a esfarrapada desculpa da natureza. Enquanto isso, as últimas pilastras navegam rumo à sepultura oceânica. Pedras e ferros nadam para arrebentar a cabeça de um surfista ou fraturar os seus ossos. Pelo menos o Titanic contou com uma orquestra até afundar. Já a plataforma de Atlântida não teve nem mesmo a marcha fúnebre. _

Francisco Michielin - Médico-escritor - Caxias do Sul - Paulo Germano

Muito pertinente a coluna de Paulo Germano de sexta-feira, na qual descreve a fome em Gaza. Nunca imaginaríamos que em pleno ano de 2025, em que a inteligência artificial se populariza e todos os avanços tecnológicos se materializam de forma concreta, pudéssemos presenciar cenas lamentáveis de crianças esqueléticas, corpos esquálidos, seres humanos famintos. Nada, exatamente nada, justifica tamanhos descaso e crueldade que se vivenciam naquele local. _

Cleber Rudolfo Schonardie - Engenheiro - Parobé - Festival de Gramado

Pois em nova edição próxima, já o 53º Festival de Cinema de Gramado, pelo que parece mais uma vez haverá o total esquecimento de quem iniciou isso tudo, numa reunião das forças vivas gramadenses no Restaurante Três Reis: Milton Dienstmann. Acionista até hoje do Cine Embaixador, ele trouxe projetores e poltronas para o evento e as pessoas mais entendidas em cinema. Milton está muito vivo, morando em Aracaju, mas com seu grande feito esquecido, infelizmente. Por que esta injustiça?

Nestor Luiz Trein

Professor - Estância Velha

OPINIÃO RBS


04 de Agosto de 2025
POLÍTICA E PODER

Como tarifaço de Trump afeta a eleição presidencial de 2026

O dado mais relevante é que 61% dos eleitores entrevistados rejeitam candidato a presidente que prometer indulto a Bolsonaro. Esse compromisso já foi assumido com maior ou menor ênfase por Tarcísio de Freitas (Republicanos), Romeu Zema (Novo), Ratinho Júnior (PSD) e Ronaldo Caiado (União Brasil). Nenhum dos quatro compareceu aos atos em defesa de Bolsonaro, ontem. Tarcísio, que participara de outros atos ao lado de Bolsonaro, desta vez alegou que não poderia estar na Paulista porque faria um procedimento hospitalar.

As manifestações podem impressionar pelas fotos que mostram milhares de apoiadores vestidos de verde e amarelo em diferentes cidades, mas não servem como termômetro da disposição do eleitorado. Mesmo a maior delas, a da Avenida Paulista, 37 mil pessoas representam uma parcela ínfima dos eleitores de São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil.

A ausência dos quatro governadores que, em princípio, disputam os eleitores de Bolsonaro, diz muito sobre o medo de colar a imagem à de um ex-presidente que está sendo julgado por tentativa de golpe e teve de ficar em casa, com tornozeleira.

Alckmin se credencia como opção

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 130 municípios, entre os dias 29 e 30 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Rosane de Oliveira

4 de Agosto de 2025
EM FOCO

EM FOCO

Exploração desses recursos naturais, essenciais para o desenvolvimento de dispositivos de alta tecnologia e para a transição energética, podem entrar na negociação sobre o tarifaço. País tem o segundo maior estoque, atrás apenas da China

Por que os minerais do Brasil estão na mira dos EUA

Em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos acerca do tarifaço imposto por Donald Trump, um fator que pode vir à mesa são os minerais estratégicos e terras raras. Estes elementos, fundamentais para a produção de dispositivos tecnológicos e para os esforços de transição energética, são cada vez mais disputados pelas principais potências globais, e o território brasileiro possui uma das maiores reservas destes recursos em todo o mundo.

No dia 23 de julho, o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, manifestou, em reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em Brasília, interesse em acordos com o Brasil para aquisição de minerais estratégicos.

O decreto que instituiu o tarifaço de 50% sobre parte das importações brasileiras foi assinado na semana passada, e a alíquota começa a valer a partir de quarta-feira, mas o governo brasileiro ainda tenta negociar.

Dentre as quase 700 exceções incluídas no decreto, estão 75% dos minérios que o Brasil exporta aos Estados Unidos, segundo o Ibram. Serão taxados, de acordo com análise preliminar da entidade, os minerais caulim, cobre, manganês, vanádio, bauxita e algumas pedras e rochas ornamentais.

O maior problema para o setor, conforme o Ibram, seria o Brasil retaliar os Estados Unidos, também sobretaxando importações. Isto poderia gerar perdas de até US$ 1 bilhão por ano para a mineração nacional, sobretudo pelo aumento dos custos na importação de maquinário pesado.

- A retaliação e a reciprocidade nos preocupam muito mais - afirma o presidente do Ibram, Raul Jungmann.

Indonésia e Ucrânia

As negociações sobre tarifas a produtos da Indonésia levaram a um acordo no qual o país asiático reduziu as restrições às exportações de minerais críticos para os EUA.

No final de abril, o governo norte-americano já tinha exigido acesso a terras raras da Ucrânia durante discussão sobre a continuidade do apoio aos ucranianos na guerra contra a Rússia.

No Brasil, em entrevista concedida no último dia 28, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o interesse dos Estados Unidos nesses minerais.

- Se eu nem conheço esse minério, e ele já é crítico, eu vou pegar ele para mim. Por que que eu vou deixar para outro pegar? - afirmou Lula.

Lula afirmou ainda que o governo está estabelecendo parcerias, com a criação de uma "comissão ultraespecial", para o levantamento de todo tipo de riqueza existente no solo e no subsolo do país. De acordo com o presidente, cerca de 70% do território ainda não foi pesquisado. _

Interesse externo crescente e falta de regulamentação

Justamente por sua utilidade em diferentes indústrias de ponta que terras raras estão cada vez mais disputadas pelas grandes potências globais. E o Brasil tem a segunda maior reserva destes minerais no planeta, com cerca de 21 milhões de toneladas. É menor apenas do que a da China.

Terras raras são fundamentais para produção de dispositivos de alta tecnologia, como smartphones, televisores, LEDs e aparelhos médicos ou equipamentos industriais de alta performance. Também são utilizados na produção de baterias, semicondutores e nos aparelhos de geração de energia solar e eólica.

- Há uma disputa geoeconômica e geopolítica em cima destes minerais, e os países que dominarem a extração, a produção e a comercialização já com valor agregado, na forma de baterias, por exemplo, vão ter uma grande vantagem competitiva - destaca Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM-SP.

No Brasil, já há iniciativas de exploração em regiões como Minas Gerais e Goiás, mas ainda incipiente. Especialistas afirmam que o país carece de um arcabouço jurídico específico para regular e fomentar esta exploração de forma ordenada e sustentável.

- Atualmente, o tratamento legal dado aos minerais estratégicos é o mesmo aplicado aos demais bens minerais, com base no Código de Mineração, uma lei da década de 1960 e atualizada em 2022, mas iniciativas normativas específicas ainda são limitadas - observa a advogada Fabiana Figueiró, do escritório Souto Correa.

No caso dos EUA, a necessidade desses recursos é ainda mais latente devido à disputa com a China.

- Estamos falando de uma corrida tecnológica para ter hegemonia comercial, e nesse ponto, os chineses estão à frente. Por isso esse tema entra hoje no debate em relação ao tarifaço no Brasil - complementa Uebel.

Entenda

Apesar de relacionados, os conceitos de minerais estratégicos e terras raras são distintos.

O Brasil tem em seu território a presença significativa de diversos tipos de minérios, com destaque para a produção, por exemplo, de ferro, estanho, alumínio e manganês, entre outros.

Cada país tem a prerrogativa de estipular quais minerais são estratégicos, ou críticos, para sua administração, com critérios próprios. O Brasil fez isso através da Resolução nº 2 de 18 de junho de 2021, da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral. 

Na lista, estão elementos como nióbio, minério de ferro e lítio. - Minerais críticos, neste sentido, seriam aqueles com significativa contribuição para as cadeias produtivas, sendo vitais para o desenvolvimento econômico e funcionamento das linhas de produção dos países, porém, com riscos representados por dinâmicas geopolíticas, regulações comerciais, escassez minerogeológica e questões relacionadas - explica o engenheiro ambiental Enio Fonseca, ex-superintendente do Ibama em Minas Gerais e especialista no tema.

Nesse contexto, o Brasil destacou como estratégico também o minério de terras raras. Terras raras é um conceito global, representando um grupo de 17 elementos químicos que, embora existam na natureza, estão em pequenas concentrações e exigem tecnologia avançada para encontrar, extrair e processar. - 

São elementos normalmente encontrados na natureza misturados a minérios de difícil extração, mas com características peculiares, como magnetismo intenso e absorção e emissão de luz, além de serem dúcteis, maleáveis, de baixa dureza e bons condutores de calor e eletricidade. Isso faz com que possuam utilidade como matéria-prima para a produção de distintos materiais pela indústria, por exemplo, na fabricação de baterias, lâmpadas, telas de celulares e lasers - acrescenta Enio Fonseca.

sábado, 2 de agosto de 2025


02 de Agosto de 2025
CARPINEJAR

Quando o artista é impostor de si mesmo

Saiu uma série sobre Raul Seixas na Globoplay, extremamente fidedigna à metamorfose ambulante da história do cantor, desde a infância em Salvador (BA) até a morte em São Paulo (SP), aos 44 anos, em 1989, já corroído pelo álcool e pelas drogas.

O protagonista é o gaúcho Ravel Andrade, porto-alegrense, irmão do também ator Júlio Andrade. Ele pega emprestada a alma do roqueiro baiano, sem caricatura, e acompanha fase a fase da evolução do personagem - contrastando a época careta como produtor e a psicodelia de suas experiências transcendentes. Trata-se de uma reencarnação descomunal: a trama revive a condição contraditória, convincente, desesperadamente humana do músico, expondo seus dilemas entre a loucura e a lucidez, entre a vontade de ser um bom pai e o ímpeto de entrega a novos romances, entre a sede do sucesso e a necessidade do anonimato, entre o tempo com a família e a pregação da sociedade alternativa.

Um dos oito episódios destaca um fato pitoresco da biografia do Pai do Rock. No fim da carreira, debilitado pelo vício, Raul foi fazer um show em Caieiras, no interior de São Paulo, em 1982. Diante da voz castigada, o público começou a vaiá-lo e a agredi-lo, arremessando latas de cerveja e jurando que quem estava no palco era um sósia.

Ninguém acreditava que ele fosse o verdadeiro artista. Chegaram a pedir a prisão do "impostor". Sem contar com sua carteira de identidade na hora, Raul Seixas terminou na delegacia buscando provar, inutilmente, sua autenticidade.

Tal trauma anedótico me pôs a pensar nas dificuldades e constrangimentos que os famosos enfrentam. Eles não têm a paz da rotina, de uma vida normal. Não desfrutam dos desejos e arroubos comuns a todos. São ETs caçados por paparazzi.

Não transitam impunemente, tanto fisicamente quanto na web. Inclusive, existe um lugar em que não há como entrar: no Tinder ou nos demais aplicativos de paquera. A celebridade terá que ficar reiterando que é ela a cada contato. Não conseguirá convencer a sua interlocução.

Imagine se você encontrar Alessandra Negrini por lá. Ou Cauã Reymond. Ou Bella Campos. Aposto que concluirá que é alguém tentando se passar por eles. Nem levará a sério. Sentirá pena do falsário.

Mesmo mandando fotos, documentos, jamais receberão credibilidade. Qualquer um pode catar imagens de gente ilustre à paisana nas redes sociais.

Serão zombados, identificados como fakes. A virtualidade não é cupido para eles. Famosos não dão match. Suas contas verificadas são sempre postas, ironicamente, sob suspeita no cotidiano. Sofrem da solidão do selo azul.

Unicamente o amor à moda antiga funcionará: a discrição do olho no olho, longe do algoritmo.

O que explica a paixão de cativeiro. Celebridade costuma se casar com celebridade. Só serão críveis e reais entre si. 

CARPINEJar

02 de Agosto de 2025
MARCELO RECH

To LFV, with Love

Como bom cinéfilo, Luis Fernando Verissimo seguramente assistiu nos idos de 1968 ao filme Ao Mestre, com Carinho, no qual um brilhante e jovem ator negro, Sidney Poitier, interpreta um engenheiro nascido na então Guiana Britânica que acha trabalho como professor numa escola barra-pesada do East End de Londres.

Para mim, o filme traz a mais bela música-tema da história - To Sir, with Love, cantada por Lulu. É só ir no YouTube para concordar ou não. A produção inglesa é sobretudo uma ode à missão de ensinar e sobre como um mestre pode influenciar positivamente vidas alheias - no caso, uma turma rebelde e rabugenta.

Lembrei de Ao Mestre, com Carinho ao topar com uma antiga crônica de Luis Fernando Verissimo na enciclopédica e histórica edição de 100 anos do jornal O Globo no domingo passado. Ali, entre as 548 páginas do jornal, reencontro uma amostra da genialidade criativa de Luis Fernando, que foi colunista de O Globo e de Zero Hora. Na crônica In English, LFV redige metade do texto em inglês "porque acho que a imprensa brasileira tem o dever patriótico de passar a usar uma língua que o FMI entenda" e avisa que só vai voltar a escrever em português no caso de palavras intraduzíveis, como "marketing".

LFV é um mestre. Ele é do tempo em que catalogávamos jornalistas, cronistas e escritores dizendo "Fulano é um grande texto", uma expressão que caiu em desuso porque parece não ser muito apreciada pelos algoritmos. Em textos de humor, um estilo difícil porque sempre ameaçado pela pieguice, não há quem bata LFV no Brasil, e olha que passou por aqui muita gente boa, como toda a turma do Pasquim.

Posso ser suspeito porque, como colega, editor e leitor, tive o privilégio de acompanhar grande parte da trajetória de Luis Fernando, com suas milhares de crônicas, personagens e tiradas memoráveis. Duas delas para recitar de supetão: ressaca de gim é um dos poucos casos em que a medicina permite a eutanásia e 1987 foi tão inexpressivo que as pessoas só vão lembrar do ano porque foi quando deu maconha em lata na praia.

Mais uma lição: LFV é de uma geração de gaúchos que, como diria David Coimbra, outro grande texto, se aparafusou em Porto Alegre, sem precisar migrar para Rio ou São Paulo para ser lido e reconhecido - tal e qual seu pai, Erico Verissimo, aliás. Luis Fernando provou (concordam, Peninha, Carpinejar, Martha Medeiros e tantos outros?) que a aldeia pode ter suas limitações, mas não sufoca a inspiração. O mestre LFV é um destes gauchinhos metidos que colocaram o nariz no mundo, mas sempre voltaram para conviver com seus conterrâneos e, de alguma forma, nos ensinar a sermos mais civilizados. Então, "To Luis Fernando, with Love". 

MARCELO RECH

02 de Agosto de 2025
ANDRESSA XAVIER

João da Penha

Nessa semana assistimos, atônitos, ao vídeo que mostra um homem enchendo uma mulher de socos no elevador. Lá no Rio Grande do Norte, mas tão próximo da realidade que a gente acompanha diariamente. Ver os socos é materializar o que ouvimos no noticiário, entender os gritos de uma vizinha, o controle travestido de ciuminho quando o cara quer escolher a roupa ou as amizades da sua parceira ou desmerecer as realizações dela. É como levar aqueles socos junto com a vítima. É sentir um enjoo e, depois, uma raiva. Ver um covarde como este é aflorar sentimentos ruins.

O desrespeito à mulher muitas vezes vira agressão, física ou psicológica. Muitas vezes a mulher agredida acaba morta por quem ela achava que seria amada. Sua honra é colocada em xeque por quem deveria ajudar a defendê-la porque ainda tem quem pergunte o que ela fez para levar 60 socos ou um puxão de cabelo. Como se houvesse alguma justificativa para o que os imbecis fazem.

Uma sociedade machista empurra o preconceito para o colega do lado porque nunca vem da gente, afinal. Diz que ama as mulheres, que até é filho de uma. Que tem amigas mulheres. Mas uma sociedade machista ainda faz piada com o papel da mulher. Ainda deixa que elas lavem a louça e sirvam seus pratos com o almoço. Ainda pergunta na entrevista de emprego se ela pretende engravidar. Ainda diz que tinha que ter a lei João da Penha, afinal não são somente os homens que matam mulheres e o contrário também ocorre.

Sim, ocorre. Mulheres matam homens eventualmente. É preciso olhar as estatísticas para dizer, sem errar, que os homens são muito mais violentos. Você já viu uma mulher dando 60 socos no marido, até ele sangrar e precisar fazer plásticas para voltar a ter um rosto?

Você pode dizer também que há os casos de mulheres que sentem ciúmes ou que fazem falsas denúncias. De fato, há. Nessa semana fizemos um debate de altíssimo nível na Gaúcha sobre como combater a violência contra a mulher. A promotora Ivana Battaglin trouxe um dado que escancara o tamanho do mito. Estudos mostram que, no mundo, apenas entre 2% e 8% dos casos registrados por mulheres não se confirmam. Pode ser por mentira ou por falta de provas.

Calcula-se que vai demorar 150 anos para existir algo próximo a condições ou oportunidades iguais para homens e mulheres. Para isso acontecer, nesse século e meio precisaremos evoluir, e muito. Começa nas escolas, sem o medo de debater gênero, sem medo de educar as crianças contra o discurso de ódio que se propaga pelos algoritmos das redes sociais. 

Passa por não achar graça da piada machista. Por assumir responsabilidades que não são somente de homens ou mulheres. De mudar a cabeça e o comportamento. Passa por ver homens falando e postando sobre o monstro dos 60 socos sem questionar a vítima ou não falando do tema porque é um problema das mulheres, e não seus. _

ANDRESSA XAVIER

02 de Agosto de 2025
TENSÃO DIPLOMÁTICA

TENSÃO DIPLOMÁTICA

Após tarifaço, Trump afirma que Lula pode falar com ele "quando quiser". Em resposta a uma jornalista da TV Globo, republicano afirmou que "ama o povo brasileiro". Declaração pode indicar uma abertura por parte da Casa Branca, que até agora se fechou à negociação com Brasília. Planalto já sinalizou disposição para uma conversa, mas quer foco na questão comercial

Após confirmar o tarifaço de 50% sobre parte das importações brasileiras, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode falar com ele "quando quiser".

A declaração ocorreu em resposta a uma jornalista da TV Globo. Questionado se estaria disposto a uma conversa com Lula, Trump afirmou:

- Ele pode falar comigo quando quiser. Na sequência, a jornalista perguntou o que seria passível de negociação com o Brasil.

- Bem, vamos ver o que acontece, mas eu amo o povo brasileiro - afirmou o republicano.

Trump ainda foi questionado sobre por que uma tarifa tão alta, e que não parece ter fundamentação econômica, contra os produtos brasileiros.

- As pessoas que governam o Brasil fizeram a coisa errada - alegou Trump, sem dar maiores detalhes.

Na quarta-feira, Trump assinou o decreto que institui a tarifa adicional de 40% - que se soma à taxa de 10% em vigor desde abril - a partir do dia 6 de agosto.

O impacto econômico do tarifaço foi minimizado com as exceções a quase 700 produtos inseridas no decreto, incluindo alguns dos principais itens da pauta de exportações do Brasil aos EUA, como suco de laranja, aviões, petróleo e aço. Ainda assim, outros itens de peso na balança comercial, como café e carnes, terão a sobretaxa, e entidades empresariais projetam prejuízos relevantes em alguns setores, o que pode gerar demissões.

No início da semana, Lula já havia indicado que está disposto a uma conversa direta com Trump. O governo, porém, quer garantias de que o diálogo será focado em comércio e de que Lula não será submetido a nenhum constrangimento público, a exemplo do que ocorreu nos últimos meses com os presidentes da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que tiveram bate-bocas durante reuniões com Trump.

A declaração de Trump pode ser um sinal de abertura da Casa Branca - que, até então, mantinha-se fechada a qualquer negociação com o governo brasileiro.

Na quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se encontrou com o chanceler Mauro Vieira em Washington. Um dia depois, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a Secretaria de Tesouro dos EUA procurou a pasta para marcar uma agenda com o objetivo de discutir o tarifaço. A conversa com o secretário Scott Bessent deve ocorrer na próxima semana.

- Finalmente nós vamos ter uma reunião mais longa e mais focada na decisão, até aqui unilateral dos EUA em relação ao Brasil - disse Haddad na sexta-feira.

"Sempre estivemos abertos"

Ainda na noite de sexta-feira, Lula respondeu à declaração de Trump em uma manifestação em rede social. O presidente afirmou que o Brasil "sempre esteve aberto ao diálogo".

"Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores", escreveu. _

Moraes diz que vai ignorar sanções e critica intervenção

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na sexta-feira que vai ignorar as sanções aplicadas contra ele pelo governo dos Estados Unidos.

- As ações prosseguirão o rito processual do STF, não se adiantará, não se atrasará. O rito processual do Supremo irá ignorar as sanções praticadas. Este relator irá ignorar as sanções praticadas e continuará trabalhando - afirmou o ministro.

Na quarta-feira, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA confirmou a decisão de sancionar Moraes com base na Lei Magnitsky, que autoriza sanções contra pessoas ou entidades estrangeiras acusadas de violações graves contra os direitos humanos, mas jamais havia sido utilizada contra um juiz de Suprema Corte.

A medida bloqueia contas bancárias e bens de Moraes em solo norte-americano, além de proibir a entrada dele no país. A Casa Branca o acusa de decisões arbitrárias contra o ex- presidente Jair Bolsonaro e empresas de tecnologia americanas.

A manifestação de sexta-feira ocorreu durante a cerimônia de abertura do semestre do Judiciário.

Moraes disse que todos os réus pela tentativa de golpe de Estado em 2022 , entre eles Bolsonaro, serão julgados ainda neste semestre.

- Nós julgaremos todos os responsáveis, absolvendo aqueles onde não houver prova de responsabilidade, condenando aqueles onde houver prova, mas julgando, exercendo nossa função jurisdicional, e não nos acovardando por ameaças, seja daqui ou de qualquer outro lugar - alegou.

Moraes também criticou a tentativa de interferência e chamou de "pseudo-patriotas" os que buscaram articular sanções contra ele e contra o país - no caso do tarifaço imposto às importações brasileiras.

- É uma verdadeira traição à pátria. Uma traição covarde e traiçoeira - disse.

Jantar no Alvorada

Na véspera, em um jantar no Palácio da Alvorada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros, Moraes afirmou, segundo o jornal Folha de S. Paulo, que dispensa atuação do governo em sua defesa nos EUA. Lula havia determinado que a Advocacia-Geral da União (AGU) atuaria na representação do ministro. _

Fiergs: RS será o Estado mais afetado

Bruna Oliveira  - O Rio Grande do Sul é o Estado mais afetado pelo tarifaço de Donald Trump, mesmo com as exceções. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). A entidade aponta que as exceções têm efeito mínimo, pois somente 15% da produção gaúcha foi incluída na lista, contra uma média nacional de 45%.

Os cálculos da entidade preveem impacto em pelo menos 20 mil empregos diretos e queda de R$ 1,5 bilhão no PIB estadual.

Um comitê de crise com representantes do setor esteve reunido na manhã de sexta-feira na Fiergs. Na próxima terça-feira, haverá uma reunião com as secretarias de Desenvolvimento Econômico e da Fazenda na tentativa de renegociar créditos de ICMS retidos na exportação.

Em coletiva de imprensa após o encontro, Bier demonstrou preocupação em relação aos empregos. Uma possibilidade é a de buscar aumentar a linha de crédito de R$ 100 milhões assegurada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A entidade também pede a liberação de créditos do ICMS Exportação para indústrias que tiverem suas vendas aos EUA afetadas.

Outro pedido é por medidas de alívio tributário e trabalhista, como ocorreu na pandemia.

- Vamos ter situações tão preocupantes como foi visto na pandemia e na enchente - afirmou Guilherme Scozziero, coordenador do conselho de relações do trabalho da Fiergs.

Os EUA são os maiores parceiros comerciais da indústria do RS. São 1,1 mil empresas que exportam ao país. _



02 de Agosto de 2025
POLÍTICA E PODER

Plano Diretor tem pontos que precisam ser discutidos

Os repórteres Gabriel Jacobsen e Paulo Egidio passaram os últimos dias debruçados sobre o projeto do Plano Diretor de Porto Alegre, que será discutido em audiência pública na próxima semana. O trabalho fez surgir informações que precisam ser debatidas com a sociedade.

Um estudo jurídico produzido pelo Centro de Apoio Operacional da Ordem Urbanística do Ministério Público concluiu que a minuta do novo Plano Diretor contém uma série de omissões e de regras inconstitucionais. As mais graves seriam a ausência de mapeamento das áreas de risco e de medidas de proteção contra desastres. O estudo já foi enviado à prefeitura.

O MP também considera que apenas uma audiência pública é insuficiente para o debate social adequado - e nesse ponto não há como discordar.

Além da construção de prédios de até 130 metros de altura no Centro Histórico, Quarto Distrito, Zona Norte, áreas próximas à beira do Guaíba e às margens das grandes avenidas, como Ipiranga, Protásio Alves e outras, a prefeitura propõe reduzir a distância entre os prédios, acabando com a lógica atual em que edifícios mais altos precisam ter uma margem de recuo maior. O que isso significa? Apartamentos menos ensolarados em uma cidade conhecida pela umidade no inverno.

A lógica do adensamento é trazer as pessoas para mais perto de onde há serviços consolidados e que a pessoa fique mais perto do trabalho. Na teoria, tudo certo, mas e na prática? Serão os preços de um apartamento no 30º andar da Ipiranga acessíveis para quem depende de programas como o Minha Casa, Minha Vida?

Porto Alegre é, de fato, uma das últimas capitais a ampliar a altura dos seus prédios - a prefeitura diz que o plano foi inspirado em Cingapura e em cidades do Brasil, como Curitiba, que quem conhece sabe estar muito distante da nossa realidade de ruas estreitas, trânsito congestionado e sistema deficitário de transporte coletivo.

Sem conhecer os detalhes, não é prudente definir posição. Os vereadores terão de aprofundar a discussão, ouvindo técnicos em vez de transformar em um simples embate político. _

Ameaças não intimidam os ministros do Supremo

A reabertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF) transformou-se num ato de desagravo aos ataques à instituição e ao ministro Alexandre de Moraes. Os ministros trataram como "organização criminosa" o grupo que atuou contra a democracia brasileira, e sinalizaram que o movimento feito por Eduardo Bolsonaro nos EUA produzirá efeito contrário ao que ele esperava.

O presidente do Supremo, Luis Roberto Barroso, disse que Moraes agiu com bravura e encarou "altos custos pessoais" para evitar a erosão da democracia.

O decano do Supremo, Gilmar Mendes, foi na mesma linha:

- Um deputado, na linha de frente do entreguismo, fugiu do país para covardemente difundir aleivosias contra o Supremo Tribunal Federal, num verdadeiro ato de lesa-pátria. _

Deputados fazem acordo para impulsionar região das Missões

A Assembleia Legislativa assinou na sexta-feira um acordo com representantes legislativos da Província de Missiones, na Argentina. Com a parceria, deputados gaúchos e argentinos trabalharão em sintonia para melhorar o capital turístico da região, de olho na celebração dos 400 anos das Missões Jesuíticas.

Um dos temas discutidos foi a Ponte da Integração que vai unir Porto Xavier, do lado brasileiro, a San Javier, na Argentina - onde estiveram os parlamentares gaúchos. O presidente da Assembleia gaúcha, Pepe Vargas, explica que falta apenas assinar o contrato para que a obra, sonhada desde a década de 1980, saia do papel. _

Lula fica na obrigação de ligar

A declaração de Donald Trump na sexta-feira (leia na página 10) deixa o presidente Lula na obrigação de tomar a iniciativa do diálogo.

Se Trump está disposto a conversar, Lula precisa tomar a iniciativa e telefonar. Existe a barreira do idioma, mas para isso existem os intérpretes na diplomacia.

Melhor seria um encontro presencial, olho no olho, na companhia do chanceler Mauro Vieira e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Não é hora de bravata nem de preconceito. O que está em jogo é um prejuízo bilionário para o Brasil. _

União é condenada a ressarcir Estado por fraudes no home care

A União foi condenada a pagar R$ 2 milhões ao Estado como ressarcimento por valores bloqueados das contas do Estado destinadas ao custeio dos serviços de home care (atendimento médico domiciliar). A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

A Justiça acolheu o argumento da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RS), de que a Lei nº 8.080/90 atribui ao Ministério da Saúde a responsabilidade pelo financiamento de tratamentos não incorporados ao SUS.

- A sentença reiterou que, havendo a condenação ao SUS para a prestação do atendimento, cabe à União o financiamento - explica o procurador Lourenço Floriani Orlandini.

Em março, o Grupo de Investigação da RBS (GDI) revelou supostas fraudes no sistema de home care na Região Metropolitana. Os casos envolviam adulteração de laudos, assinaturas e carimbos para justificar decisões que obrigam o poder público a custear o atendimento.

Em 2024, mais de R$ 38 milhões foram bloqueados das contas do Estado para pagar por esse tipo de tratamento. 

POLÍTICA E PODER

02 de Agosto de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Belém não é Dubai, e nem deve ser

Nos últimos dias, a notícia de que 25 países solicitaram a transferência da sede da COP30 de Belém para outra cidade acendeu um alerta vermelho. A motivação principal é clara - e escandalosa: o abuso nos preços de hospedagem. Diárias em hotéis simples ultrapassam a casa dos R$ 7 mil, um valor que beira o inacreditável e compromete o princípio básico de uma conferência que se pretende ampla, inclusiva e acessível, como reiterou em nota o governo brasileiro.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, foi enfático: não há plano B. A COP será em Belém. Reconheceu, no entanto, a gravidade da situação e informou que o governo busca alternativas para garantir hospedagem a preços mais justos. Mas o episódio revela um dilema entre o espírito da COP e os interesses de mercado.

A menos de cem dias do início do evento, cogitar a mudança de sede seria um desrespeito com as milhares de pessoas que já compraram passagens, reservaram hospedagem e organizaram suas agendas com base na realização da COP em Belém. Além disso, jogaria por terra anos de preparação, centenas de milhões em investimentos públicos e, especialmente, o principal ativo simbólico desta conferência: sua realização no coração da Amazônia.

A COP30 não será uma cúpula genérica em uma capital global. Foi pensada para ser uma conferência conectada ao território mais estratégico do planeta no debate climático - a floresta amazônica. Sobretudo, um gesto de reconhecimento à importância do bioma, à cultura amazônica e à urgência de se ouvir quem vive a floresta por dentro. Retirar a COP de Belém agora seria não apenas um retrocesso logístico, mas uma derrota política e simbólica. A ganância de alguns setores da hotelaria não pode contaminar o esforço coletivo de preparar uma reunião histórica. Belém não é Dubai, sede da COP28 - e não deve ser. _

Descida da rampa não será pública

Se você, como eu, está ansioso para ver o dia em que um skatista descerá a "rampa" do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), na Capital, é bom calibrar as expectativas. A coluna apurou que a ação, prevista para o começo de setembro, será fechada ao público.

Pessoas ligadas à organização afirmam que não se trata de evento e sim de ação de empresa particular, no caso a Red Bull. Obviamente, a área é ampla, talvez seja possível ver a movimentação a distância, mas não se sabe como ficará o trânsito no dia da descida - ou se um limite de restrição ao tráfego e aproximação de pessoas será criado no entorno.

A coluna pediu autorização à Secretaria do Planejamento, responsável por parte do Estado pelo acordo com a Red Bull, para sobrevoar de drone o local. Mas recebeu como retorno que não seria permitido devido à preocupação da empresa com a segurança do atleta (cujo nome é mantido sob sigilo) e para não gerar expectativa de público para ação que não será aberta.

A coluna apurou que o espaço aéreo na área do CAFF é restrito ao sobrevoo de drones. As primeiras estruturas do evento "Building Drop" já foram colocadas no local. _

Campanha contra o antissemitismo no Brasil

Em reação à onda de antissemitismo, o Memorial do Holocausto e a Federação Israelita do Estado de São Paulo lançaram uma nova campanha com vozes de sobreviventes do horror nazista que migraram para o Brasil.

Entre os protagonistas estão Ariella Segre e Gabriel Waldman, que narram suas trajetórias de dor, superação e gratidão ao país, mas também expressam preocupação com os sinais crescentes de intolerância e desinformação. Os vídeos terminam com a mensagem direta: "Diga NÃO ao antissemitismo."

Os vídeos foram dirigidos pelo cineasta Marcio Pitliuk, curador do Memorial do Holocausto.

A campanha é lançada no momento em que o governo retirou o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), organização que reúne países comprometidos com o combate ao antissemitismo. A medida do governo Lula foi em resposta à maneira como o governo Benjamin Netanyahu vem lidando com a crise na Faixa de Gaza.

Os vídeos estão sendo veiculados nas redes sociais das instituições e devem integrar ações educativas e de mobilização pública em escolas, universidades e espaços comunitários ao longo do segundo semestre. _

Submarinos americanos virados para Rússia

Em seu afã de brincar de dono do mundo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter mobilizado dois submarinos nucleares após ameaças russas. Aos fatos: quinta-feira, o ex-presidente da Rússia Dmitri Medvedev, espécie de títere de Vladimir Putin de 2008 a 2012 no Kremlin, mencionou o "Mão Morta", sistema automático de disparo de mísseis nucleares desenvolvido na época soviética.

Nesta sexta-feira, Trump informou sobre movimento militar em "regiões apropriadas". Não disse onde. O "Mão Morta" é do tempo da Guerra Fria e foi desenvolvido para reagir caso a liderança russa seja eliminada em ataque.

Vale lembrar que um submarino nuclear não significa que tenha arsenal atômico. Tecnicamente, é movido com energia nuclear, podendo transportar armas convencionais ou nucleares.

O fato de Trump ter reposicionado submarinos nucleares, na prática, não significa muito: serve mais ao propósito de dissuasão. _

Trump para Nobel da Paz?

O governo do Camboja anunciou nesta sexta-feira que indicará Donald Trump para o Prêmio Nobel da Paz. O vice- primeiro-ministro Sun Chanthol destacou como motivo a intervenção direta do líder americano para interromper o recente conflito na fronteira com a Tailândia.

Esta não é a primeira vez que o nome do republicano é cogitado para a honraria. Em junho, o Paquistão já havia manifestado a intenção de recomendar Trump pela atuação dele na mediação do conflito com a Índia. Recentemente, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também revelou ter indicado o presidente para o prêmio. _

O delegado aposentado Guilherme Wondracek foi reeleito para a presidência da Associação dos Delegados de Polícia do RS (Asdep-RS). A chapa terá como vice-presidente a delegada Marina Machado Dillenburg, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Viamão.

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 1 de agosto de 2025


Gato já cansado no telhado

Há vários sinais escandalosos de que o gato subiu no telhado do Beira-Rio há muito tempo. - Jogadores começam a pintar o cabelo. - Troca do sistema de iluminação do estádio por 244 refletores de tecnologia LED para ajudar o time a se achar. - Até Leo Dias passa a falar de nós, com fofocas dos bastidores.

- Conformismo otimista na coletiva do técnico, dizendo que o mata-mata é um jogo de dois tempos.

- O craque Alan Patrick se revolta com a marcação cerrada. - O plantel inicia atrás e tenta transformar a derrota vergonhosa em empate heroico nos últimos minutos. - Antes, o elenco não jogava por excesso de calendário; agora, não joga porque está desentrosado. - Colegas de uniforme se pecham bisonhamente ao dividir o lance.

- Seca de atacantes. Wesley, que em 2024 fez 13 gols, em 31 jogos de 2025 anotou somente um, contra o fraco Maracanã. Enner não estufa as redes há 14 embates. - Dependência de milagres de Rochet. - Ausência de reposições de qualidade. - Inter joga de igual para igual contra clubes do descenso, empatando com Vasco e Sport.

- A torcida diminui no estádio em decisões. Nas oitavas de final da Copa do Brasil, havia 33 mil torcedores de 50 mil possíveis. Não existe mais esperança no ano. - As dívidas se acumulam, perto de um bilhão. - Freguesia para Renato Portaluppi. - Quinze anos sem título de relevância. - Eu desando a escrever sobre futebol.

Já cantei a pedra de Sísifo há dois meses, aqui mesmo em ZH. Esse personagem da mitologia grega carregava uma grande pedra montanha acima até atingir o cume, e a pedra rolava para baixo. Roger Machado não conseguiu fugir do seu histórico. Não tem como continuar, apesar de ser uma figura adorável.

Foi assim no Palmeiras, no Atlético Mineiro, no Fluminense. Arranca bem e se complica. Parece fadado a canecos regionais.

A hora da mudança da comissão técnica era na pausa do Mundial, quando dormíamos no Z-4. Faltou coragem à direção. Agora enfrentaremos o São Paulo em casa, motivado e invicto, o Fluminense no confronto de volta da Copa do Brasil, o Bragantino fora, o Flamengo em três oportunidades (incluindo a Libertadores), e o Cruzeiro fora. Não dá nem para imaginar o que acontecerá de vexame.

Não houve uma única partida confiável na temporada, com sobra. Alguém pode me lembrar de uma só apresentação de gala do Colorado?

Fizemos três gols em cima do Atlético Nacional e do Cruzeiro, pois tínhamos vantagem numérica. Nosso saldo de gols no Brasileiro é negativo. Apanhamos de quatro do Botafogo e do Corinthians.

Somos uma salada de frutas de supermercado. O morango e a manga estão no topo, para o torcedor colorado comprar pensando que é um grande negócio, jurando que encontrará essas frutas na maior parte do copo, mas apenas encontra mamão e banana no fundo.

Roger insiste com Bruno Henrique e Thiago Maia. Volantes são os tesoureiros da escalação, aqueles que protegem o cofre. Isso explica a falência do nosso meio de campo. A bola não chega na frente.

O primeiro tempo é ansiedade por abrir o placar. O segundo tempo é desespero porque estamos perdendo. Empilhamos desordenadamente atacantes para chuveirinho na área. Não há paciência, coreografia, dinamismo, infiltrações, jogadas ensaiadas.

O revés para o Fluminense, na quarta-feira, tornou-se previsível, com as tradicionais vaias no apito final, com a certeza de que o Tricolor das Laranjeiras nem se esforçou muito para nos superar. Não sei se o lateral Bernabei traiu ou não a esposa, mas que levou um baile do Serna, levou.

O Inter rifou mais uma vez a Copa do Brasil e a Libertadores, debutando ciclo vicioso. Depois dos desastres anunciados, vai correr atrás do argentino Vojvoda pelos 44 pontos no Brasileiro. Já estou vendo a cena. Como eu queria morder a língua. Como eu queria estar errado. Como eu queria ser feliz de novo. 

CARPINEJAR 


Respostas para superar o novo revés

Ainda se recuperando das sequelas das enchentes e estiagens, a economia do Rio Grande do Sul passa por mais uma provação com o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil. Apesar de a lista de exceções apresentada na quarta-feira excluir cerca de 40% da pauta nacional da taxação de 50%, no caso do Estado a grande maioria dos bens exportados para os EUA segue com a oneração máxima. Saíram ilesos apenas 15% dos produtos vendidos pelas empresas gaúchas para o mercado norte-americano, conforme estimativa da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).

A situação desfavorável, com a ameaça à saúde financeira de empresas e à manutenção de milhares de empregos, amplia a expectativa sobre as medidas de amparo que serão apresentadas pelos governos federal e estadual. Espera-se que sejam rápidas e efetivas, para evitar danos mais graves aos setores mais afetados, como o de calçados, metalmecânico, de madeira e de tabaco, entre outros, muitos intensivos em mão de obra ou com cadeias longas.

Por parte do Estado, foi anunciada linha de crédito de R$ 100 milhões do BRDE, com juros subsidiados. É uma sinalização positiva, mas insuficiente. A indústria pleiteia junto ao Piratini a liberação de créditos de exportação de ICMS, medida que pode se somar a outras para dar maior fôlego às empresas impactadas pelos negócios inviabilizados. A ajuda é necessária enquanto reequilibram a produção, aguardam negociações adicionais entre Brasil e EUA ou prospectam mercados para compensar a parada brusca dos embarques para a maior economia do mundo.

Aguarda-se também que o governo federal, com maior capacidade de resposta, apresente nos próximos dias o cardápio de opções que diz ter para socorrer as fábricas prejudicadas. Especula-se que serão mecanismos de crédito e de manutenção de postos de trabalho. O plano de contingência deve ter o menor nível possível de entraves burocráticos que dificultam o acesso. Medidas bem ajustadas são relevantes para passar confiança aos empresários, afastar o clima de terra arrasada e demonstrar que a economia gaúcha vai superar mais este revés.

Outro aspecto relevante, a ser melhor trabalhado, é a abertura de novos destinos. Os EUA, segundo maior comprador das exportações gaúchas, passaram a ser um parceiro instável sob Donald Trump. Trabalhar com exportações leva tempo, exige planejamento e previsibilidade, condições hoje inexistentes com os Estados Unidos. Convém um olhar especial para regiões emergentes e com consumo em ascensão, como o sudeste asiático, e redobrar os esforços para confirmar o acordo entre Mercosul e União Europeia.

O ataque de Trump contra o Brasil, por outro lado, pode servir para tirar lições e acelerar o enfrentamento de gargalos. Para ampliar e diversificar as exportações, é necessário implementar ações que reduzam o custo Brasil e elevem a produtividade e a competitividade, em especial de bens industrializados. O suporte aos setores afetados também esbarra nas dificuldades fiscais do Estado e do país. Se existisse uma situação financeira mais confortável, haveria maior margem de manobra e o juro, que corrói o caixa das empresas, não estaria em um nível tão extorsivo. _

OPINIÃO RBS 



 01 de Agosto de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Serenidade vale ouro para evitar novos incêndios

Passadas 24 horas da divulgação do decreto que confirma o tarifaço, o governo brasileiro pisa em ovos para não agravar o conflito com um presidente imprevisível como Donald Trump. Não se pode comemorar o recuo de Trump, que deixou 44% dos produtos exportados pelo Brasil entre as exceções, nem aceitar como definitiva a taxação de 50% sobre os demais.

O vice-presidente Geraldo Alckmin foi até ao programa Mais Você, usando o figurino da prudência. Lá, reafirmou que as empresas prejudicadas não ficarão ao relento, mas não adiantou que tipo de socorro o governo federal vai oferecer.

O presidente Lula precisará, mais do que nunca, medir as palavras. Não pode entrar em bate-boca nem adotar discurso de campanha. Ainda que Trump não demonstre intenção de conversar, há um canal aberto com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e com o do Comércio, Howard Lutnick. Os dois sabem o que de fato importa nas relações diplomáticas e podem convencer Trump de que não convém aos EUA entrar em um jogo de perde-perde, movido por questões ideológicas, ressentimentos políticos e informações distorcidas.

Assembleia-Geral e julgamento de Bolsonaro

O segundo semestre reserva dois eventos potencialmente preocupantes no embate entre Trump e Lula. Um é a Assembleia-Geral da ONU. Dependendo do que Lula diga, Trump pode buscar outras retaliações, ainda mais que estará em discussão o delicado tema das relações Israel-Palestina.

O outro é o julgamento de Bolsonaro, cujo processo Trump define como "caça às bruxas". A provável condenação poderá dar pretexto para algum outro tipo de medida prejudicial aos interesses do Brasil. _

Porto Alegre perdeu um visionário

Com a morte de Guilherme Socias Villela, aos 90 anos, Porto Alegre perdeu um prefeito inspirador. Um cavalheiro que soube fazer política sem gritaria e sem populismo e que deixou como legado uma cidade mais verde.

O Parque Marinha do Brasil é uma de suas melhores heranças e deveria ganhar seu nome, como homenagem a um homem que se preocupou com o meio ambiente quando não se falava em mudanças climáticas. 

Guerra tarifária ajuda Lula

Pela primeira vez desde outubro de 2024, o índice de brasileiros que aprovam o desempenho do presidente Lula superou numericamente o dos que o desaprovam, de acordo com pesquisa AtlasIntel divulgada ontem. A situação ainda é de empate técnico, com o Brasil partido ao meio, mas a aprovação passou de 49,7% para 50,2% e a reprovação caiu de 50,3% para 49,7%.

Uma mexida mínima nos ponteiros que só pode ser atribuída à guerra tarifária com os EUA, que deu um discurso a Lula, o da defesa da soberania.

A aprovação do governo, sintetizada nos conceitos ótimo/bom segue inferior à reprovação (ruim e péssimo), mas também na margem de empate técnico, no entanto, a diferença diminuiu. Desde que o tarifaço foi anunciado, o índice de aprovação do governo subiu de 41,6% para 46,7% e o de reprovação caiu de 51,2% para 48,2%.

O AtlasIntel ouviu 7.334 pessoas entre os dias 25 e 28 de julho. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. _

Janja e Michelle empatam; pré-candidatos se saem mal

Outro recorte da pesquisa AtlasIntel mostra como anda a imagem dos principais líderes políticos brasileiros. A conclusão é de que não está fácil para ninguém. O único a registrar índice positivo superior a 50% é o presidente Lula, com 51%.

Como o percentual de entrevistados que avalia sua imagem como negativa é de 48%, o saldo líquido é de três pontos positivos - o melhorzinho em um cenário de terra arrasada.

Além de Lula, somente o governador de São Paulo, Tarcísio Freiras, tem saldo positivo.

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem 44% de imagem positiva e 55% de negativa, o que lhe dá um saldo de -11pp.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a atual, Janja da Silva, estão empatadas em matéria de imagem - e não têm o que comemorar.

Outros potenciais candidatos, como Romeu Zema e Ratinho Júnior, vão de mal a pior (veja mais detalhes abaixo). _

ALIÁS

Outro questionário abordou os acertos do governo Lula versus seus erros. Os principais acertos foram gratuidade para todos os medicamentos da farmácia popular (83%) e isenção do Imposto de Renda para salários abaixo de R$ 5 mil (81%).

Já os maiores erros foram a cobrança de imposto sobre compras de até US$ 50 em sites do Exterior (64%) e a tentativa de fiscalização de transferências via Pix (58%).

POLÍTICA E PODER

01 de Agosto de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Vingança contra Xandão ou o Brasil?

O brasileiro deveria estar mais preocupado com o tarifaço anunciado por Donald Trump contra o Brasil.

Afinal, estamos falando de uma medida que pode derrubar exportações, fechar empresas e cortar empregos. Um ataque direto à economia brasileira, sob o pretexto de "segurança nacional", que promete sangrar setores produtivos. Mas, cá entre nós, o que gerou celebrações eufóricas entre bolsonaristas foi a sanção ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

Enquanto empresários, economistas e diplomatas tentam dimensionar o impacto econômico da retaliação americana, grande parte da militância digital está mais interessada em ver Moraes ser punido com a aplicação da Lei Magnitsky do que em entender o que as tarifas representam para o Brasil.

Um levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados mostrou que, no X, em um recorte do início da manhã de ontem, às 9h, os termos Xandão e "Alexandre de Moraes" ocupavam, respectivamente, a 3ª posição e a 4ª posição dos trending topics global das últimas 24 horas. Enquanto o primeiro termo acumula cerca de 471 mil menções, o segundo supera 2,03 milhões nesta lista. Já no cenário brasileiro dos trending topics, na 1ª colocação, o nome "Alexandre de Moraes" foi registrado em 3,8 milhões de menções, seguido de Xandão (2ª, 587 mil). Trump aparecia na 14ª posição, com 19,6 milhões, e "Lei Magnitsky" ficava na 15ª (718 mil).

A economia ficou em segundo plano. Para alguns grupos, importa mais a vingança - reconheçamos, puramente simbólica, porque de prática não há muito com o que se preocupar - do que o prejuízo real à nação. 

O que Moraes pode fazer para reverter a Magnitsky

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que recebeu a aplicação da Lei Magnitsky pelo governo de Donald Trump na quarta-feira, tem longo caminho para tentar reverter a medida, que pode levar anos.

Segundo o site da Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos, o objetivo "não é punir, mas sim provocar mudança positiva no comportamento". A página oficial do órgão traz um passo a passo sobre como pedir a retirada do nome da lista das sanções, que proíbem, por exemplo, o acesso aos EUA e o bloqueio de contas bancárias.

Exemplos

Uma das medidas é escrever para o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e solicitar a remoção da Lista de Cidadãos Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas (SDN). Isso dá início ao processo. É possível incluir argumentos ou evidências que demonstrem que não há base suficiente para a listagem.

"Alguns exemplos de situações que podem resultar na remoção da lista incluem: mudança positiva no comportamento, a morte de um SDN ou pessoa listada, a base para a designação ou outra sanção não existe mais, ou a designação ou outra sanção foi baseada em identidade equivocada", informa o site.

A Secretaria do Tesouro explica que não é necessário contratar advogado para entrar com petição de remoção.

Não há como estipular o prazo do trâmite. Segundo o órgão, depende de vários fatores, incluindo pedidos de informações adicionais (o que é comum), necessidade de consulta interinstitucional, entre outros. O site diz que "Cada petição é única".

Caso o pedido for negado, é possível realizar novo processo. Porém, se o peticionário não apresentar novos argumentos, é rejeitado novamente.

No Brasil, a Advocacia-Geral da União (AGU) avalia recorrer da medida pela Justiça americana ou via organismos internacionais. _

A prisão onde Carla Zambelli está detida

Depois de ser presa na Itália, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi levada para a prisão feminina Germana Stefanini, que faz parte do complexo penitenciário de Rebibbia, localizado no distrito de Ponte Mammolo, no nordeste de Roma. Essa unidade é uma das três prisões exclusivas para mulheres em toda a Itália e uma das maiores do país, enfrentando problemas de superlotação.

O complexo de Rebibbia, que inclui três prisões masculinas e uma feminina, tem capacidade total para pouco mais de 2 mil detentos. A ala feminina onde Zambelli está detida foi projetada para 272 mulheres, mas, de acordo com dados do Ministério da Justiça italiano de 30 de julho, abriga 369 mulheres, sendo 114 delas estrangeiras.

A primeira parte do complexo foi inaugurada em 1946, mas só na década de 1950 passou a receber mulheres. No início, o setor feminino era administrado por freiras vicentinas, até que, em 1979, a gestão foi assumida por agentes penitenciários. A estrutura da unidade inclui 171 celas, áreas verdes, campos esportivos, teatro, academia, biblioteca e um espaço para cultos religiosos.

O complexo também oferece aulas de inglês ministradas pelo Centro de Línguas da Universidade Sapienza. Entre as atividades educacionais disponíveis, destacam-se cursos de Patrimônio Cultural, Direito e Economia da Prosperidade, Sociologia, Ciências dos Serviços Jurídicos, Informática, Letras e Filosofia.

Quanto às atividades laborais, as internas podem participar de programas de jardinagem, manutenção predial, corte e costura, serviços de limpeza e trabalhos na cozinha.

No ano passado, a prisão voltou a chamar atenção quando o papa Francisco visitou o local no final do ano, celebrando uma missa na capela do complexo. _

O sistema de compostagem desenvolvido pela Igapó, startup do Tecnopuc, será responsável pela compostagem na COP30. A operação foi selecionada para transformar os resíduos orgânicos gerados durante o evento em adubo. A nova composteira deverá ter a capacidade de processar até 5 toneladas diárias, permitindo o tratamento de 160 a 180 toneladas de material.

Decisão dificulta retirada de fios soltos na Capital

Enquanto empresas de energia elétrica, telefonia e internet brigam com a prefeitura na Justiça, Porto Alegre fica cada vez mais cheia de fios soltos nos postes.

Há processo judicial tramitando em que essas companhias figuram como rés. Foi construído um acordo, no qual um dos itens autorizava técnicos de qualquer empresa, trabalhando nos postes, a retirar cabos caídos ou rompidos. Ademais, quem pudesse arrumar os fios, estava autorizado.

Oi e Claro entraram com liminar, aceita pela 3ª Câmara Cível, que suspendeu o item que liberava essas ações. Indignado com a decisão, o prefeito Sebastião Melo divulgou vídeo em rede social:

- Porto Alegre não aceita mais fios soltos em milhares de postes espalhados na cidade. Traz insegurança para cidade. Muita gente já sofreu acidente por isso. Enfeia a cidade. Essas empresas que operam aqui, listadas no site da Anatel, 90% (dos fios) são delas, 10% de outras. Terminamos (nova audiência) e mais uma vez não avançou. Quero te fazer um convite, porto-alegrense: a cada lugar que tu passar, filma fios soltos, dá o nome dessas empresas e pede para limparem a cidade.

De janeiro a 28 de julho, 1.495 protocolos foram abertos pelo 156, da prefeitura, com reclamações. O número está subnotificado, claro. A coluna não para de receber imagens de fios soltos na Capital. _

INFORME ESPECIAL