quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


24 de Dezembro de 2025
HOMENAGENS

Despedida de Ieda Maria Vargas reúne familiares, amigos e fãs

Corpo da Miss Universo foi velado na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Personalidades do mundo dos concursos de beleza estiveram presentes

Lembrada pela beleza, Ieda Maria Vargas marcou os filhos por sua alegria, vontade de viver e dedicação à família. A primeira miss universo brasileira pela organização oficial do concurso faleceu na segunda-feira, aos 80 anos. Ela estava internada na UTI do Hospital São Miguel Arcanjo, em Gramado. A causa da morte ainda não havia sido informada até o fechamento da edição.

Na despedida, Ieda recebeu durante todo o dia o carinho de familiares, amigos e fãs em um velório realizado no Salão Julio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. No final da tarde, uma cerimônia de despedida foi realizada no Cortel Metropolitano - Crematório, com acesso restrito à família e a amigos próximos.

Tendo atingido fama instantânea ao receber a coroa em 1963, aos 18 anos, Ieda preferiu uma vida longe dos holofotes que lhe permitisse realizar o seu maior sonho: constituir família e acompanhar de perto o crescimento dos filhos, Fernanda e Rafael, fruto do casamento com o empresário José Carlos Athanásio.

- O maior legado da minha mãe não é aquele que a maioria conhece: é a nossa família - afirma Rafael Vargas Athanásio. - Ela sempre nos colocou em primeiro lugar. Tive a sorte de conviver com ela durante 55 anos e, apesar de estar triste agora, prefiro sorrir pela vida que ela teve.

Sua irmã, Fernanda Vargas Athanásio, lembrará da mãe como uma inspiração pela sua alegria e vontade de viver:

- Ela foi uma guerreira. Já teve alguns problemas anos atrás e sempre levou com muita leveza. A gente se desesperava e ela nos acalmava. Ela amava a vida e lutou, lutou, lutou. Agora, merece descansar um pouquinho e reencontrar o meu pai.

O velório ainda contou com a presença de personalidades do mundo dos concursos de beleza. Uma delas foi Júlia Guerra, a Miss Universe Rio Grande do Sul 2026, que ressaltou a referência que Ieda ainda é para as misses.

- Foi uma grande inspiração, não só por ter sido Miss Universo, mas porque abriu as portas para a gente com esse feito, que nos permitiu sonhar. Eu continuo esse legado e espero continuar construindo uma história bonita como a que ela construiu - destaca Júlia.

Inspiração para as misses

Para a atual detentora da coroa gaúcha, Ieda ensinou que ser miss vai além da beleza: envolve ser uma mulher que representa, de fato, as outras mulheres, com caráter, pluralidade e ações sociais.

Ainda na segunda-feira, o jornalista João Pulita lamentava a partida de Ieda.

- Era reservada para discorrer sobre sua representação magnífica com o título de Miss Universo, mas gostava de falar das flores dos jardins de Gramado e de seu amor pela cultura do Rio Grande do Sul. Nos despedimos de uma grande mulher, de uma dama. O Rio Grande do Sul deve estar triste demais - disse Pulita.

Já a jornalista e fotógrafa Liane Neves, de 67 anos, conheceu Ieda ainda criança, quando ganhou a boneca que representava a miss.

- Lembro que, quando ela ganhou, foi algo super celebrado. Ela era um ícone - relembrou Liane.

Ieda vivia na cidade da Serra desde 2010. Segundo amigos da família, a "eterna miss" tinha vida social ativa e gostava de estar na rua.

Colunista social e amiga próxima, Luísa Rodrigues relembra momentos que teve com Ieda. Segundo ela, a miss adorava passear pela cidade e estar sempre presente nos eventos sociais:

- Ela adorava a cidade. Toda semana, eu, ela e outras amigas nos encontrávamos na Padaria São Pedro para tomar um café. Aos finais de tarde, ela gostava de sentar em alguma mesa na Avenida Borges de Medeiros para tomar um espumante. Ela adorava um cafezinho ou um espumante, sabia viver a vida.

"Todo mundo adorava"

De acordo com o gerente de restaurantes Márcio André Braga, que conviveu com Ieda em Gramado por ao menos uma década, diariamente ela visitava esses estabelecimentos:

- Eu não sei quantas vezes servi ela (risos), mas todo mundo adorava a companhia e a conversa da Ieda.

Para a amiga Luísa, Ieda "nunca precisou da faixa de miss para ser uma rainha":

- Ela era naturalmente tratada assim pela postura. A Ieda se preocupava com as pessoas, inclusive nos ajudava com dicas de moda e conselhos de vida. Além disso, sempre dizia que uma mulher tem que ser tratada como rainha e não pode aceitar menos do que isso. _

Participaram: Gabriel Costa, Isabella Sander e Renata Oliveira Silva


24 de Dezembro de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O que, afinal, é narcoterrorismo?

Donald Trump não é o primeiro - e, ao que tudo indica, não será o último - presidente dos EUA a lançar mão da acusação de "narcoterrorismo" para justificar uma guerra. Desde a década de 1980, o termo tem sido invocado pelos inquilinos da Casa Branca para justificar agendas de securitização e militarização. Não é incomum uma "guerra às drogas" se tornar uma "guerra ao terror" - e vice-versa.

A Colômbia que o diga, onde a DEA, agência antidrogas dos EUA, atuou com o exército local para neutralizar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nos anos 1990.

O próprio termo "narcoterrorismo" surgiu no contexto sul-americano: teria sido usado pela primeira vez pelo então presidente do Peru, Fernando Belaúnde Terry, após o Sendero Luminoso, outro grupo guerrilheiro, maoísta, atacar uma prisão e uma delegacia de polícia em 1982. Ele descreveu o ataque como "narcoterrorismo - a união do vício das drogas com a violência do terrorismo".

Entre as principais características de uma organização narcoterrorista, estão o financiamento de atividades armadas (e atos terroristas) por meio do tráfico de drogas. Há também uso da violência de cunho terrorista para proteger negócios (como cartéis), assassinatos seletivos e massacres para causar pânico e intimidar o Estado. Outro traço é o controle territorial e social, com o domínio de populações, rotas e territórios, estabelecendo um poder paralelo.

Exemplos

Depois do Sendero Luminoso, o termo narcoterrorismo passou a ser utilizado para definir as Farc na Colômbia, grupo guerrilheiro marxista, que se utilizava da violência para fins políticos (conceito de terrorismo aceito pela ONU) e que passou a controlar partes significativas da produção e da rota de cocaína (narcotráfico) para financiar a luta armada contra o Estado. Em 1989, tropas americanas depuseram o general Manuel Noriega, no Panamá, e o levaram a julgamento por narcotráfico, entre outros crimes.

Outros exemplos são o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nueva Generación (originalmente, grupos narcotraficantes), no México, que usam de violência extrema, exibição pública de corpos e ataques a forças do Estado (terrorismo). Também é citado pelos EUA o Cartel de los Soles na Venezuela, que envolveria altos escalões do governo de Nicolás Maduro.

O conceito é polêmico porque muitas vezes governos o utilizam de forma seletiva ou - no caso, na crise que coloca a América do Sul na iminência de uma guerra - para justificar uma ação armada. No Caribe atual, a grande presença militar dos EUA excede em muito o que seria necessário para operações de combate ao narcotráfico - sem falar nas apreensões de petroleiros em águas internacionais. Daí, a suspeita de que o objetivo da Casa Branca trumpiana não seja acabar com os cartéis, mas mudar o regime em Caracas, capital venezuelana. _

Um bairro mais seguro

Moradores da Rua Santo Inácio, no Moinhos de Vento, em Porto Alegre, estão buscando mobilizar vizinhos para investir em novas tecnologias de segurança. Os mecanismos permitem controle automatizado de acesso de veículos, identificação facial e outros alertas. A proposta inclui as ruas Marquês do Herval, Luciana de Abreu, Barão de Santo Ângelo, Hilário Ribeiro e Engenheiro Álvaro Nunes Pereira. _

Impacto social

A Fundação Marcopolo está entre os vencedores da 15ª edição do Prêmio Brasileiro de Design - BDA (Brasil Design Award). Seu Projeto Amplificador conquistou o destaque prata na categoria Design de Impacto Social - Prosperidade. Outra iniciativa, o motorhome Nômade, também foi agraciado com o destaque prata na categoria Design de Produto. _

Entrevista - Dom Jaime Spengler - Cardeal e arcebispo metropolitano de Porto Alegre

"São uma vergonha algumas posições do nosso parlamento e decisões do Judiciário"

O ano de 2025 para a Igreja Católica foi marcado, principalmente, pelo falecimento do papa Francisco e a eleição de Leão XIV. O arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, viveu esse momento histórico por dentro. Além de ocupar o posto na capital gaúcha, ele esteve na liderança da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam).

O senhor foi criado cardeal em dezembro. Em abril, ocorreu o falecimento de Francisco. Naquele momento, chegou a pensar: "Agora vou participar da escolha de um novo Papa"? Ou o foco era a despedida?

Uma enxurrada de sentimentos. Primeiro, a preocupação com a assembleia da CNBB, que sempre é um evento muito importante e marcante. Depois, o dever de participar do processo de transição - seis meses de quando fomos criados cardeais. Tenho na mente ainda muito presente a cerimônia de exéquias (sepultamento) do papa Francisco, quando vimos aquela praça tomada de gente e depois quando o corpo saiu para ser levado para Santa Maria Maior. 

Depois também, nos dias que antecederam o conclave, poder escutar os cardeais de todo o mundo. Foi uma experiência única. Escutar as expectativas, mas também as dores de cada um, é algo que... Não sei se há outra instituição na sociedade capaz de te dar uma visão geopolítica e eclesial como um evento como este.

Durante o conclave, em algum momento o senhor ficou pensando: "Será que eu estou fazendo certo?". O que passava pela cabeça?

O conclave é uma liturgia: portanto, há um rito próprio. O segundo dado que chamou muita atenção foi quando ingressamos na Capela Sistina cantando a Ladainha de Todos os Santos. Depois, o juramento sobre o Evangelho. Confesso que caminhar, cantando a ladainha, foi de arrepiar. Depois, quando chegamos nos lugares que estavam predispostos para cada um, invocar o Espírito Santo cantando... Eram 133 homens, aquilo é um coro especial. Confesso que aquilo me emocionou, e isso diante do Juízo Final, pintado no fundo da Capela Sistina. A pergunta era: "O que eu estou fazendo aqui? Qual é a minha responsabilidade nesse momento da história? Por onde somos chamados a caminhar?". Acredito que não somos nós que guiamos a Igreja. 

É um outro. E esse outro concede, a cada tempo, uma pessoa à altura. Chegamos à Capela Sistina, e não se falava no nome desse ou daquele (cardeal favorito para ser eleito). Não ouvi ninguém sugerindo uma corrente ou outra. O nome foi despontando, e ele foi crescendo, tomando corpo, até que, naquela bendita última votação, no final da tarde, ele alcançou os 89 votos necessários para a eleição. Me recordo muito bem que, quando iam se aproximando os votos do número necessário para a eleição, eu estava de frente (para o cardeal Prevost), que estava do outro lado da capela. A impressão que dava era de que ele ia murchando, encolhendo-se na cadeira.

Qual a expectativa para 2026?

Gostaria de chegar a dezembro de 2026 com um Brasil mais sereno, onde realmente as condições de vida do nosso povo - e de todo o nosso povo, não só de alguns - pudessem ser melhores do que estão sendo nos dias atuais. Também com uma classe pública marcada pela ética e não tanto pelos jogos de interesses. São uma vergonha algumas posições e expressões do nosso parlamento, mas também algumas decisões que vemos no âmbito do Judiciário.

É verdade também que nesse âmbito temos gente muito dedicada. Tem gente realmente extremamente preocupada com o bem-estar de todos. O nosso povo é pacífico, é bom; tem gente muito boa entre nós e não podemos baixar a guarda em relação a esse modo de ser bom da maioria, da grande maioria do nosso povo. _

INFORME ESPECIAL

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

 Ministério e Antaq liberam construção de terminal de celulose no RS

Empreendimento ficará na área do antigo Estaleiro QGI, em Rio Grande

Empreendimento ficará na área do antigo Estaleiro QGI, em Rio Grande

Divulgação Portos RS/JC
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Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
Pelo Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor) e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a implantação do terminal de celulose em Rio Grande já tem “sinal verde” para ir adiante. O que falta agora é a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) avalizar a destinação da área (ocupada antigamente pelo Estaleiro QGI) para a sua nova finalidade. O empreendimento, assim como a demanda de novos navios para o Estaleiro Rio Grande, deverá ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua visita ao município gaúcho, prevista para 7 de janeiro.
deputado estadual Halley Lino (PT) frisa que foi realizada a parte mais importante do processo, que foi a assinatura do contrato que permitirá a construção do terminal. Ele ressalta que os próximos passos, como a liberação legal da área, que é vinculada ao governo federal, serão uma consequência dessa medida. “O empreendimento está garantido, haverá um terminal portuário lá”, enfatiza o deputado.
O novo terminal servirá para viabilizar o escoamento do aumento da produção de celulose da CMPC no Estado. Somente o complexo em Rio Grande, conforme atuais informações da empresa, deverá receber investimentos na ordem de R$ 1,5 bilhão. A companhia de celulose e a Neltume Ports formaram uma joint venture para operar a estrutura que terá como foco a exportação.
A iniciativa faz parte do chamado projeto Natureza, que terá um investimento de aproximadamente R$ 27 bilhões para ampliar a sua capacidade de celulose da CMPC no Estado em mais 2,5 milhões de toneladas ao ano, com uma nova fábrica em Barra do Ribeiro. No caso do terminal rio-grandino, Halley salienta que deverão ser empregadas na implantação do empreendimento mais de 1 mil pessoas e na operação em torno de 500 trabalhadores estarão vinculados ao complexo, assim como cerca de outros 2 mil profissionais terceirizados.
“Praticamente está consolidado agora o investimento”, reforça o deputado federal Alexandre Lindemeyer (PT). Ele revela que as informações que foram repassadas a ele, pela CMPC, indicam que a perspectiva é que entre maio e junho de 2026 comecem as obras da estrutura logística.
Além do terminal de celulose no porto da Metade Sul gaúcha, a CMPC deverá usar o serviço do Tecon Rio Grande para escoar parte da sua produção. A empresa tem alguns clientes, de menor porte, em que grandes volumes não são demandados e o contêiner é uma solução mais adequada. A companhia também pretende implementar outro terminal, dentro do projeto Natureza, em Barra do Ribeiro.

Gleise culpa Selic pela dívida pública e não as despesas do governo
As críticas da ministra vêm ainda na esteira da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter, pela quarta vez seguida, a taxa básica de juros em 15% ao ano

As críticas da ministra vêm ainda na esteira da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter, pela quarta vez seguida, a taxa básica de juros em 15% ao anoAgência BrasilCompartilhe:
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 A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, culpou nesta segunda-feira (22) a taxa básica de juros, a Selic, como a maior responsável pelo aumento da dívida pública do país e não as despesas do governo. Atualmente a Selic está em 15% ao ano, maior patamar desde 2006, quando foi fixada em 15,25% ao ano.
LEIA TAMBÉM: Em alta de 1,7%, a 158,5 mil pontos, Ibovespa quebra recordes de 11 de novembroEm uma rede social, a ministra disse que o elevado patamar da Selic "suga" os recursos do Orçamento para investimento e compromete "a prestação de serviços públicos, os programas sociais e os investimentos do governo para o desenvolvimento do país".A ministra fez críticas às notícias, sem citar fontes, que apontam um crescimento de 5% acima da inflação na despesa do governo como responsáveis pelo aumento da dívida e que ignoram que os juros estão 10% mais altos do que a inflação."Esses juros estratosféricos, que encarecem o crédito e limitam o crescimento, são o que fazem crescer a dívida pública. Ao sugar recursos do Orçamento, os juros da dívida também comprometem a prestação de serviços públicos, os programas sociais e os investimentos do governo para o desenvolvimento do país", escreveu.Na sexta-feira (19), o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei Orçamentária (Ploa) de 2026, que prevê despesas totais de R$ 6,5 trilhões. Desse total, R$ 6,3 trilhões são direcionados aos orçamentos fiscal e da seguridade social, sendo que 28% será destinado exclusivamente para o pagamento de juros da dívida pública, o que equivale a R$ 1,82 trilhão.As críticas da ministra vêm ainda na esteira da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter, pela quarta vez seguida, a taxa básica de juros em 15% ao ano.Nesta segunda-feira, o boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou as previsões para os principais indicadores econômicos. A estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica de juros cairá para 12,25% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 9,75% ao ano, respectivamente.Em relação à inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, o Focus diminuiu de 4,36% para 4,33% a projeção da inflação para este ano.
É a sexta semana seguida que a previsão para a inflação deste ano foi reduzida, alcançando o intervalo da meta para a variação de preços que deve ser perseguida pelo BC.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.
Para 2026, a projeção da inflação também caiu de 4,1% para 4,06%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 3,8% e 3,5%, respectivamente. 
A pesquisa, divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), traz a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Em novembro, a inflação oficial fechou o mês em 0,18%, resultado que faz o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular 4,46% em 12 meses, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do recuo nas expectativas de inflação, o BC manteve, durante reunião do Copom no dia 10, a taxa Selic em 15%.
A decisão era esperada pelo mercado financeiro. Em comunicado, o Copom não deu pistas de quando deve começar a cortar os juros. Assim como na última reunião, repetiu que o cenário atual está marcado por grande incerteza, que exige cautela na política monetária, e que a estratégia do BC é manter a Selic por bastante tempo.
"O comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado", destacou o comunicado.
A Selic é o principal instrumento do BC para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 
Em novembro, o IPCA ficou em 0,18%, o menor nível para o mês desde 2018. Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,46% em 12 meses, voltando a ficar dentro do teto da meta contínua de inflação.
Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em dezembro de 2025, a inflação desde janeiro do mesmo ano é comparada com a meta e o intervalo de tolerância.