domingo, 29 de dezembro de 2013

ELIANE CANTANHÊDE

Presente de grego no Natal

BRASÍLIA - Os viajantes brasileiros deixaram (deixamos) mais de US$ 20 bilhões no exterior neste ano. No fim das contas vai dar umas cinco vezes mais do que a compra de caças suecos para renovar a frota da FAB, a serem pagos durante décadas.

Em vez de aquecer a economia do Brasil, estamos movimentando o comércio e gerando empregos nos países alheios, sobretudo nos ricos. Miami passou a ser o principal destino da brasileirada, que volta com malas gigantescas abarrotadas de peças de grife e todo tipo de bugiganga.

Na versão cor de rosa do governo, tudo isso é resultado do sucesso: o país está bombando, e os brasileiros estão cheios de amor para dar e com montanhas de dinheiro para viajar e gastar. Mas a realidade é outra e tem um nome: preço. Os preços no Brasil estão pela hora da morte.

Numa tarde em Miami, sentei para tomar um café e me senti em casa, mas a minha casa é aqui. À mesa da direita, paulistas; à da esquerda, nordestinos. E havia três moças de Minas. Todos cheios de sacolas.

Na volta, fiquei vagando duas horas num shopping em São Paulo à procura de lembrancinhas de Natal e tudo o que comprei foram dois lencinhos de seda, só para não sair de mãos abanando. Ah! E gastei R$ 60 de estacionamento num único dia.

Os produtos nacionais viraram artigo de luxo, os importados custam três vezes mais que nos EUA. Nem as feiras e o comércio popular escapam. Imagine a aflição da maioria de trabalhadores ao procurar brinquedos, tênis e roupas para os filhos.

Não foi nenhuma surpresa saber que o comércio teve seu pior Natal em 11 anos. A surpresa ficou por conta da reação desvairada do governo: em vez de se preocupar e se ocupar com os preços internos abusivos, aumentou o IOF e penalizou os cartões de débito em moeda estrangeira. Falta pão? Suprimam-se os brioches.


Se o brasileiro ficar, o bicho preço come; se correr, o bicho imposto pega. Obrigada, presidente Dilma, pelo presente de grego no Natal.

sábado, 28 de dezembro de 2013


29 de dezembro de 2013 | N° 17658
MARTHA MEDEIROS

Boa entrada

Vou citar dois filmes antigos. Um é o inglês Mero Acaso, de 1999. Primeira cena: um rapaz bate na porta do vizinho, que é psiquiatra, e diz que precisa desabafar. São 6 horas da manhã, o vizinho ainda está de pijama, mas diante do inusitado da situação, convida-o para entrar e o acomoda numa poltrona.

O outro filme é o francês Confidências Muito Íntimas, de 2003. Um mulher está se separando e procura um psiquiatra pela primeira vez. Entra sala adentro e já começa a contar seu drama, sem dar tempo para o homem respirar. Ele fica absolutamente envolvido pela história dela.

Mesmo que você não tenha visto estes filmes, pode imaginar o que eles têm em comum. No filme inglês, o homem se enganou de porta e bateu na casa de um engenheiro, que ouve tudo quieto e só então avisa que o psiquiatra mora no apartamento ao lado.

Mesmíssima coisa no filme francês. A mulher se enganou de porta e invadiu o consultório de um contabilista. Mesmo depois do engano desfeito, os dois seguem se vendo para amenizar a solidão um do outro.

Ambos os filmes demonstram que terapia é, basicamente, uma via de desabafo, de investigação emocional, de elucidação de si mesmo, e tudo isso se dá quando estamos dispostos a falar.

Então qualquer amigo poderia substituir um profissional? Não. Conversar com amigos é ótimo, porém eles estão comprometidos afetivamente conosco. Conhecem a nossa história e já não prestam atenção nos detalhes. E tomam um tempo para falar deles mesmos, o que é natural.

Além disso, estes papos são frequentemente interrompidos pela chegada do garçom, por um telefone que toca, por outras distrações. E, pra culminar, você não está pagando. Faz diferença. Você não é o centro das atenções. É um encontro, literalmente, gratuito. E, em terapia, o foco tem que estar todo em você. Vigilância total para você não fugir de si mesmo.

Longe de mim estimular alguém a bater na casa do vizinho para contar seus sonhos e fantasias secretas. Ele mandará você plantar batatas, com razão. O que interessa disso tudo é o crucial: o quanto é importante falar. E ser profundamente escutado. E, mais profundamente ainda, escutar a si mesmo. Não é fácil ouvir nossa própria voz verbalizando aquilo que sentimos de forma tão confusa e irregular. É quando passamos a reconhecer abertamente nossas inquietudes, medos, vergonhas. E a nos comprometer com o que está sendo dito. A verdade ganha legitimação. Deixa de habitar apenas o silêncio, onde tudo fica protegido demais.

Alguns não acreditam em terapia e dizem que não é qualquer um que merece ouvir nossas intimidades. Mas tem que ser qualquer um, no sentido de qualquer desconhecido, qualquer pessoa que não tenha nada contra e nada a favor de você, que não lhe conheça, para poder lhe ouvir sem uma opinião prévia sobre sua história. De preferência qualquer um com um diploma na parede e competência para ajudá-lo a se conhecer pra valer.


Que lhe faça descobrir os efeitos terapêuticos de ouvir a própria voz assumindo questões que até então não eram enfrentadas. Dá para fazer isso sozinho também, mas com um interlocutor é mais fácil. Ou menos difícil. Tente. Nada como bater na própria porta e entrar. Feliz 2014.

29 de dezembro de 2013 | N° 17658
FABRÍCIO CARPINEJAR

Tática de guerrilha (para homens distraídos)

O que uma mulher mais reclama do homem é sua distração: esquece de observá-la, não valoriza os detalhes, não identifica surpresas e passa reto em datas importantes e comemorações amorosas.

Com objetivo de salvar casamentos e namoros, encontrei a saída do labirinto.

O homem deveria confessar que tem déficit de atenção já no primeiro encontro. Na verdade, déficit de atenção é um outro nome para egoísmo - ele só escuta o que quer e só faz o que deseja -, mas rebatizando o defeito terá uma nova vida sem atribulações e julgamento, sem críticas e implicâncias.

Tente, funciona perfeitamente.

Está começando uma relação, chame sua garota para perto, faça o olhar triste do Gato de Botas do Shrek, e puxe uma conversa séria:

— Antes de tudo, preciso expor algo, você tem o direito de não ficar comigo, eu entenderia, mas não desejo esconder nada: eu tenho déficit de atenção!

É óbvio que ela aceitará, todo mundo admite qualquer coisa que é dita na primeira semana de relacionamento (é a fase da tolerância e impunidade). Ela arregalará os olhos, lamentará a dificuldade, prometerá ajuda e não terá mais como cobrar absolutamente nada daqui por diante de seus lapsos e apagões. Será o paraíso fiscal, a redefinição mágica de sua rotina.

Você não reparou que ela cortou os cabelos, daí você diz:

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não lembrou que completam um ano de relacionamento, não comprou presente e flores.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você saiu com os amigos para beber, e não avisou.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não gravou quando ela avisou que não gostava de azeitonas e buscou servi-la.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não reconheceu o sogro de sunga e a sogra de biquíni.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você troca risos e bocas com uma estranha.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!

Você não notou que a casa está tomada de velas e que sua mulher dança sensualmente, e ligou a televisão no canal de esporte.

— Amor, você sabe que eu tenho déficit de atenção!


Mas, se ela se depilou e você não viu, por favor, não culpe o déficit de atenção, é o único caso que ele não pode ser usado. Vai voar um tabefe na sua orelha para voltar a ouvir. Ou para ensurdecê-lo de vez.

29 de dezembro de 2013 | N° 17658
O CÓDIGO DAVID | DAVID COIMBRA

TODA NUDEZ SERÁ REDIMIDA

Houve um toplessaço no Rio, semana passada. As mulheres desabotoaram as blusas e ganharam as ruas literalmente de peito aberto, gritando que elas também têm o direito de sair por aí sem camisa.

Concordo.

Sou a favor de mulheres de torso nu. Se elas quiserem andar com-ple-ta-men-te nuas, também não veria problema algum, desde que se resguardassem de resfriados. O vento encanado, por exemplo, é um perigo, quem já teve avó sabe. Eu mesmo andaria pelado, se não me ressentisse da falta de bolsos, bolso é coisa muito útil.

O que é que tem em alguém andar nu? Na praia, para onde você vai agora nas férias, na praia as mulheres tapam o cóccix, e quase nada mais. Se aquele cóccix está tapado, ninguém se escandaliza. Mas a mesma mulher, quando na cidade, pode expor o cóccix livremente, uma vez que cubra as nádegas. Qual é o critério? Só pode um de cada vez?

Aqueles caras que publicam fotos deles mesmos sem camisa nas redes sociais. É ridículo, é patético, mas ninguém reclama. Agora vá uma menina fazer o mesmo. O Facebook é capaz de cancelar a conta dela. O Facebook é muito moralista.

Aí está: a moral. A moral é relativa. A Fernanda Lima, que apresenta exatamente um programa sobre sexo na TV, pois a Fernanda Lima apareceu gloriosa na transmissão do sorteio dos grupos da Copa do Mundo. Estava dentro de um vestido justo como o caminho do bem, com um decote profundo como a filosofia de Kant, estava sinuosa e dourada como a serpente que se enrolava na macieira do Paraíso. Linda, linda, Fernandinha.

Ocorre que, no distante Irã, o decote da Fernanda Lima provocou tal excitação que o governo o censurou. Gravou o evento e o apresentou com o colo da Fernanda Lima devida e pudicamente coberto.

Aquele era um colo perigoso. No Irã, as mulheres estão lutando para sair à rua sem ter que cobrir os cabelos. Imagina se vissem como se vestem as ocidentais. Imagina se soubessem que, por aqui, a luta das mulheres é para sair à rua sem ter que cobrir os seios.

O vale do entresseios da Fernanda Lima abalou o governo do Irã e fez estremecer os aiatolás. Era um vale do sacrilégio. Um vale do pecado.

Sim, senhor, um pedaço de corpo de mulher, se bem usado, pode acender uma revolução.


10 livros para o verão
Leitores pedem indicações de livros para as férias.

Certo.

Vou listar 10 infalíveis. E, quando digo infalíveis, quero dizer infalíveis. Se você ler qualquer um desses livros, terá uma experiência elevada no verão que chega com suas mulheres de cóccix cobertos e nádegas expostas e, quiçá, seios expostos também.

Não cultivo preconceitos ideológicos. Admiro a civilização norte-americana e seus autores vigorosos. Portanto, vou sugerir nove livros de escritores do Grande Irmão do Norte e um do México. Faço tal deferência ao México não por acaso, senão porque seu ex-presidente, o bigodudo Porfírio Diaz, um dia suspirou:

– Pobre México: tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos.

Quer dizer: minha indicação é um desagravo ao México tão oprimido. Ao mesmo tempo, quando cito essa frase célebre, faço também uma concessão aos esquerdistas que odeiam os ianques. Assim, com todos contentes, apresento minha lista:

1. Ragtime

de E. L. Doctorow.

Esse livro... sinta o ritmo desse livro. Você vai dançar com Doctorow. Você vai dançar o ragtime.

2. As Vinhas da Ira

de John Steinbeck.

Um dos mais belos e comoventes finais de romance da história. Um livro poderoso, convertido em um lindo filme estrelado pelo grande Henry Fonda.

3. O Longo Adeus

de Raymond Chandler.

Um clássico do romance noir, com Phillip Marlowe, o maior dos detetives cínicos de todos os tempos. Eu queria ser Phillip Marlowe.

4. Um Bonde Chamado Desejo

de Tennessee Williams.

É uma peça de teatro. Um texto seco e forte. Marlon Brando interpretou o protagonista da peça no cinema, e fez história, como sempre fazia Marlon Brando.

5. Moby Dick

de Herman Melville.

Essa é das mais rutilantes pedras preciosas da literatura ocidental. Também virou filme, com Gregory Peck.

6. Factótum

de Charles Bukowski.

Dos mais divertidos livros do Velho Buk. Quando o li, parecia estar lendo sobre um trecho da minha vida.

7. Bonequinha de Luxo

de Truman Capote.

Aprendi muito com este pequeno romance. Capote é autor da frase que, para mim, resume o ato de escrever bem: “Eu quero construir uma frase maleável e resistente como uma rede de pescar”.

8. Espere a Primavera, Bandini

de John Fante.

Fante era o ídolo de Bukowski. Certa feita, bêbado, como soía acontecer, o Velho Buk gritava: “Eu sou Arturo Bandini! Eu sou Arturo Bandini!”

Eu também sou. Sou Phillip Marlowe e Arturo Bandini.

9. Fique Quieta, Por Favor

de Raymond Carver.

Uma vez, o cônsul do Japão me disse que eu escrevia parecido com Carver. Fiquei todo bobo, porque todos queriam ser Raymond Carver. Ou Arturo Bandini. Ou Phillip Marlowe.

10. Festa no Covil

de Juan Pablo Villalobos.


Eis o mexicano da turma. Festa no Covil é uma novela pequena, de 80 páginas, que você lê de uma única vez. É uma história bela e cruel que vai fazer com que você esqueça até os melhores cóccix da orla.

29 de dezembro de 2013 | N° 17658 VERISSIMO
As aventuras da família Brasil

Vô sério

O vovô era um homem sério. Não carrancudo, mas sério. Tanto que os netos fizeram uma aposta: ganharia quem fizesse o vovô rir. O local da competição seria a mesa do almoço, aos domingos, quando toda a família se reunia, com a vovó numa cabeceira e o vovô na outra. Foram estabelecidas certas regras. Para ganhar, seria preciso provocar uma gargalhada no vovô. Um sorriso não bastaria. O objetivo era uma risada. Ou para não haver duvida do que se buscava uma BOA risada.

Algumas dúvidas tiveram que ser esclarecidas antes de começar a disputa.

— Cócegas vale?

Ninguém imaginava que o vovô sentisse cócegas, mas, de qualquer maneira, cócegas foram vetadas. E anedota? Se o vovô risse de uma anedota, a vitória seria do contador ou da anedota? Decidiram permitir anedotas. Quem soubesse contar uma anedota tão bem que fizesse o vovô dar uma risada, uma BOA risada, mesmo que não fosse seu autor, mereceria ganhar.

No primeiro domingo depois da aposta o Marquinhos – segundo o consenso geral na família o mais palhaço dos netos – sentou-se à mesa fantasiado de mico, fazendo ruídos e gestos de mico e pedindo banana. Todos riram muito – menos o vovô. O vovô disse: “muito engraçado, Marquinhos. Agora tire essa roupa e coma direito”. Mais tarde o Marquinhos argumentaria que o vovô dizer “muito engraçado” equivalia a uma risada, mas seu protesto foi ignorado.

No domingo seguinte, o Eduardinho contou uma anedota.

— Sabem aquela do cara que tirou uma radiografia e o médico disse que ele precisava ser operado? O cara perguntou quanto custaria a operação e o médico deu o preço. O cara achou muito e perguntou quanto custaria um tratamento sem precisar operar. O médico deu o preço, que o cara também achou muito. Aí o médico disse: “se o senhor preferir, pela metade do preço, eu retoco a radiografia”.

Todos riram muito - menos o vovô. O vovô disse que aquela história envolvia questões muito sérias, como a saúde de um ser humano e a ética médica, e não era assunto para ser tratado na mesa, na frente das outras crianças. O Eduardinho protestou:

— Era uma anedota, vovô.

— Muito sem graça - disse o vovô.

Nas semanas seguintes, todos os netos tentaram, de um jeito ou de outro, fazer o vovô rir. Apelaram para mímica, imitações (o Tico fazia um Silvio Santos impagável), números musicais, concurso de quem chupava o espaguete mais ligeiro, tudo. E o vovô sério. Finalmente desistiram.

E no último domingo aconteceu o seguinte: a vovó sentou-se na sua cadeira na cabeceira, depois de trazer a travessa de frangos da cozinha e colocá-la sobre a mesa - e caiu da cadeira. E o vovô explodiu numa gargalhada. Uma BOA risada que não parava mais, enquanto a vovó era atendida e dizia que estava bem, que não tinha se machucado, que não se incomodassem com ela.


Depois houve controvérsia. Uns netos achavam que a vovó cair da cadeira tinha sido mesmo um acidente, outros achavam que a vovó tinha caído de propósito. Depois de tantos anos, sabia o que faria o vovô rir e dera uma mãozinha para os netos.

29 de dezembro de 2013 | N° 17658
PAULO SANT’ANA | MOISÉS MENDES (Interino)

O valor de um dedo-duro

Saiu na Zero Hora, por informação de um juiz federal, que é preciso estar preparado para uma decepção. É possível que alguns dos acusados pela fraude do Detran não peguem cadeia. Eu, você, nós todos os mal-acostumados com o desfecho do mensalão ficamos apreensivos com o alerta. Este é um caso exemplar para cadeia.

É certo que julgamentos não são condenações sumárias. Mas ficou claro o que o juiz quis dizer: gente graúda, apontada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como integrante da quadrilha que movimentou mais de R$ 40 milhões, pode se livrar por falta de provas ou por prescrição.

O caso Detran pode ser emblemático da desconexão entre expectativas e prováveis reparações pela Justiça. O escândalo teve repercussão em 2007, depois que a PF grampeou meio mundo. Algumas das conversas mais patéticas envolvem professores da Universidade Federal de Santa Maria estressados porque não conseguem juntar o dinheiro que a quadrilha pedia. Mas como provar que o Saravá era mesmo o chefe barbudo e que o Campeão era aquele empreiteiro?

Para quem, afinal, os professores atormentados de Santa Maria juntavam tanto dinheiro? Por que esse caso está tramitando há mais de cinco anos na Justiça Federal?

O crime do leite com formol, denunciado em maio, já foi julgado. Outros episódios escabrosos, como esse do Detran, o do desvio da merenda escolar e o das licenças ambientais, não podem andar mais depressa?

Enfim, você pode discordar dos exageros de Joaquim Barbosa, desde que todos nós passamos a ser juristas, ou concordar que era preciso enquadrar a turma do PT. Mas não há como discordar de que a Justiça precisa fazer muito mais para que se tenha pelo menos a sensação de menos impunidade.

Nem tudo vai parar no Supremo, se sabe. Mas a expectativa generalizada é esta: os juízes devem se inspirar na atuação incisiva do STF no julgamento dos mensaleiros, ou a frustração será grande.

No início do mês, o chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, soletrou esta frase, numa entrevista, sem nomear ninguém:

– Na minha opinião, os símbolos da corrupção no Brasil, os emblemáticos, continuam soltos.

Quais, para você, são os emblemáticos? O senador Pedro Simon acha que os piores mesmo são os corruptores, os que não mostram o rosto, não têm marca pessoal como um Coringa, um João Bafo de Onça ou um Maluf.

O que precisamos mesmo é de mais Robertos Jeffersons, de quadrilheiros insatisfeitos com o seu pro labore na máfia. Como os executivos da Siemens, que certamente denunciaram o cartel acomodado nos governos de São Paulo, para fraudar licitações do metrô, porque estavam sendo logrados pelos parceiros.

Seria bom se aparecessem os logrados pelos esquemas do Detran, da merenda escolar, das licenças ambientais fajutas, da licitação dos pardais. Ou já apareceram? Os professores constrangidos como tarefeiros da máfia do Detran não podem indicar os chefes da quadrilha, como fez Jefferson?

Jefferson é o amoral perfeito. Dedurou os comparsas e posou de mocinho, foi condenado e requereu o direito de cumprir a pena em casa. Quer comer salmão e tomar água de coco sem incomodações.


Eu me ofereço para arrecadar fundos e garantir salmão e caviar aos quadrilheiros que ficaram pobres, se eles fizerem como Jefferson e dedurarem os comparsas das fraudes gaúchas à espera de julgamento.



Antes da dor, a perfeição do amor.
Antes do desespero, a certeza na Fé.
Antes de matar esperanças, a crença
de que, o que sentimos,é sagrado e que existe
sim, um novo amanhecer por mais que
a noite seja cintilada por lágrimas incansáveis de
desolação...

(Cida Luz)

By Keyla






WALCYR CARRASCO
26/12/2013 21h10

Que será, que será?

Pessoalmente, me tornarei mais burro. Minha capacidade de adaptação ficará ainda menor

Uma certeza já tenho para o ano que entra: haverá um contínuo desfile de caras feias. Teremos horário eleitoral. Alguém já viu político bonito? Existem alguns, mas são raros. Em novelas e séries de televisão, o elenco é importante para atrair o público. Os políticos têm a vantagem do horário obrigatório, portanto não têm de se esforçar em relação à aparência. Serei obrigado a ver um por um.

Óbvio, político não tem de ser belo. O ideal é que seja honesto, não corrupto, empreendedor, cheio de projetos, bom gestor etc. Mas me pergunto: não sobra dinheiro para comprar um creminho? A própria presidente Dilma anda engordando. Em campanha, será mais difícil emagrecer, pois será obrigada a comer de tudo, para não ofender os eleitores.

 Dilma engordará ainda mais. E ficará mais impaciente durante a campanha, se for obrigada a deglutir buchada de bode, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, num episódio inesquecível. Aguarde a balança, presidenta!

De maneira geral, não importa muito o que os políticos, sem me referir a nenhum, terão de engolir na campanha. Eles nos farão engolir mais coisas, depois de eleitos, e essa é uma previsão que já fica para 2015.

Pessoalmente, me tornarei mais burro. À medida que os anos passam, minha capacidade de adaptação à realidade se torna menor. Brinco chamando de burrice, porque a questão é mais profunda. Sou da geração que está com 60 anos. É quase impossível acompanhar o mundo. Já nem sei quantas reformas ortográficas ocorreram durante meu tempo de vida. Foram algumas, e eu teria me adaptado, se não houvesse exceções em todas elas. Caem acentos, mas em alguns casos permanecem. Hifens sobrevivem.

E assim por diante. Já me conformei, nunca mais escreverei de maneira tão perfeita quanto antes. Já não consigo nem guardar a data de aniversário dos amigos. Também aposto, e isso já é uma certeza, que surgirão inovações tecnológicas que não absorverei. Gente, sou da época da máquina de escrever. Não tenho saudades, o computador é mais prático. Mas tudo faz tanta coisa, que já não sei como me virar. São programas e mais programas capazes de resolver minha vida, se eu soubesse lidar com eles. Basicamente, continuo usando a máquina para escrever textos, enviar e-mails.

Há mais ou menos 30 anos, quando o computador doméstico começou a ser usado no país, eu me orgulhava de ser um precursor. Entre meus amigos, fui o primeiro a comprar um. Passava as noites decifrando programas. Cheguei até a pensar em dar um golpe financeiro pela internet, mas não achei cúmplice. (Sempre penso em golpes, mas acabo deixando para meus personagens.) Hoje surge uma novidade por minuto.

Abro meu computador, e algum programa deixou o silêncio do HD para invadir minha tela. Passo horas tentando reprimi-lo para voltar a escrever. Estou falando no celular e, de repente, entra um programa diferente, que interfere na ligação. Já me explicaram que o problema não está no aparelho, mas na forma como o coloco na orelha. Existe combinação perfeita para orelha e celular, meu Deus? Sonho com um celular que faça e receba ligações, apenas isso. Um computador que sirva para criar e enviar textos, não mais. Aparelhos simples, em que eu possa mexer sem correr o risco de danos cerebrais.

Mas o mundo caminha noutra direção – e isso não é uma aposta. É uma certeza. Conto os dias para o lançamento do robô doméstico. Vai chegar, e não falta muito. As grandes montadoras do Japão estão de olho nesse mercado. Há anos apostam no produto. Já cheguei a ver um que serve cafezinho, em Tóquio. Alguns robôs específicos já fritam hambúrgueres. Há um aspirador de pó robotizado. Pensa-se em “cuidadores”, que acompanhem e deem medicação a pessoas inválidas.

Entre minha dificuldade para acompanhar toda essa tecnologia e as surpresas que ela oferecerá, fica uma última aposta. Há alguns anos, numa conferência no Japão, conheci o trabalho de um gênio que tentava criar robôs capazes de agir em grupo e de reagir ao meio ambiente.

Mas... isso não é mais ou menos o que somos? Não se tratará, de fato, de uma nova espécie?


Isso me assusta um pouco, mas não mais que o jeitão dos políticos. São eles que decidirão como usar a revolução tecnológica em larga escala. Se você apostar no que vai acontecer, perderá. Será sempre algo pior. Penso no que virá com os saltos da tecnologia em suas mãos.

28 de dezembro de 2013 | N° 17657
NILSON SOUZA

A virada dos céticos

Adivinhos de todos os signos e de todos os credos já fazem aquecimento para a virada do ano. Sou cético de nascença, mas também me arrisco a fazer uma previsão: eles vão errar quase tudo. Claro que, com tantos chutes na Lua, alguém sempre pode tirar a Mega Sena da adivinhação e fazer o seu nome em cima disso. E tem aquelas que são pule de 10: um ator de novela vai morrer, um político ilustre não vai se eleger, um cantor de rock vai se envolver com drogas, um jogador de futebol ficará fora da Copa por lesão... Isso até eu sou capaz de prever.

Quero ver é o cara dizer que o Papa vai renunciar e que um argentino assumirá o seu lugar. Quero ver o sujeito jogar os búzios e alertar para as manifestações de rua que explodiram em junho pelas ruas do Brasil. Ou um desses estudiosos das estrelas avisar que no dia 15 de fevereiro um meteoro de 10 toneladas cruzará os céus da Rússia, quebrará vidraças e provocará ferimentos em cerca de mil pessoas. Como se vê, nem mesmo as previsões de cunho científico são precisas – que o diga o Cléo Kuhn, porta-voz diário da inconstância das nuvens.

Não faltará alguém para alegar que acertou a morte do Mandela (que tinha 95 anos) ou do Hugo Chávez (já doente). E a quebra do Eike Batista? E as denúncias do Snowden sobre a espionagem americana? Se olharmos para as retrospectivas do ano, que estão sendo apresentadas pelos veículos de comunicação, dificilmente perceberemos algum desses oráculos.

Os melhores (e talvez os únicos) visionários são aqueles que colocam o futuro na ponta da ferramenta. Se não podemos prever o futuro, podemos construí-lo. Mas isso, com todo respeito aos defensores das ciências esotéricas, se faz muito mais com trabalho do que com bola de cristal. Não estou condenando quem faz previsões ou quem acredita nelas. É humano acreditar, como é humano rezar para que aconteça aquilo que a gente deseja. Só condeno quem explora a boa-fé dos crentes e utiliza a enganação em benefício próprio.

Também reconheço que tentar adivinhar o amanhã não é só uma brincadeira. Apostadores, políticos, economistas, investidores e cientistas, entre outros, dedicam-se a exercícios de futurologia com a maior seriedade, muitos deles arriscando fortunas e carreiras. Normalmente se saem melhor aqueles que dão uma forcinha para o futuro, preparando-se para sua chegada.


Que 2014 seja um ano maravilhoso para todos – mas, por favor, não esqueçam de viver cada dia como se não houvesse calendário. Quem não luta pelo futuro que quer acaba tendo que aceitar o que vier.

28 de dezembro de 2013 | N° 17657
EDITORIAIS

A IMPUNIDADE NOCAUTEADA

Ninguém acreditava, nem os próprios condenados, mas o processo judicial conhecido como mensalão resultou na prisão de personagens importantes da vida nacional, entre os quais um ex-ministro, vários parlamentares, empresários e banqueiros. Reconhecido como um dos maiores escândalos de corrupção da história do país, a compra de apoio parlamentar pelo governo demorou mais de oito anos para ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal, mas acabou se transformando num golpe real na impunidade: dos 38 investigados pelo caso, 25 foram condenados em dezembro de 2012 e nove tiveram seus últimos recursos avaliados pela Corte em novembro último. Até a metade de dezembro, 17 condenados já estavam na cadeia e um, foragido no Exterior.

O julgamento ainda suscita controvérsias, especialmente por parte de dirigentes e militantes do Partido dos Trabalhadores, que sofreu um abalo na sua reputação em decorrência do envolvimento de figuras proeminentes da agremiação no pagamento de propinas a políticos. Mas a maioria da população brasileira apoiou integralmente a decisão colegiada da Suprema Corte, composta por 11 ministros, oito deles indicados por governantes petistas.

Apesar do inconformismo dos militantes do PT, os réus tiveram amplo direito de defesa e o julgamento não poderia ter sido mais transparente, pois todas as sessões da Corte tiveram cobertura permanente da imprensa. Durante várias semanas, o país acompanhou atento os debates entre os magistrados, as acusações do procurador-geral da República e as defesas dos advogados.

Nesse período, entraram para o vocabulário nacional termos jurídicos como a Teoria do Domínio do Fato – pela qual é considerado autor de um crime a pessoa que, mesmo não tendo participado diretamente do ato infracional, decidiu, ordenou ou facilitou a sua efetivação – e embargos infringentes, que são recursos cabíveis contra decisões não unânimes de segunda instância, desfavoráveis aos réus. O julgamento também transformou em celebridade o relator do processo e atual presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, que se mostrou inflexível nas condenações.

Habituada a ver delinquentes poderosos escaparem impunes, parcela expressiva da população brasileira celebrou no último dia 15 de novembro, quando o Supremo decretou a prisão imediata de 12 réus condenados no processo. É exagero dizer que o desfecho da Ação Penal 470 assinala o fim da impunidade no país, até mesmo porque há processos semelhantes inconclusos, entre os quais o chamado mensalão tucano, que envolve um ex-governador mineiro. Mas não há dúvida de que foi o fato mais marcante de 2013 e tende a se transformar numa referência de moralidade para a política brasileira.


Ainda é cedo para se saber se a condenação dos réus do mensalão realmente inaugurará um novo tempo e contribuirá efetivamente para reduzir os casos de corrupção na administração pública do país. Porém, a partir da ampla exposição do episódio, já se percebe um significativo resgate da confiança dos brasileiros nas instituições democráticas e no poder dos cidadãos para exigir honestidade e integridade de seus representantes.

28 de dezembro de 2013 | N° 17657
MOISÉS MENDES (INTERINO)

Arriba, Uruguai!

Só os muito atrevidos fumavam maconha no Uruguai dos anos 70. Conheci brasileiros que desafiavam os guardinhas de azul da polícia militar em Rivera e até tomavam chá de cogumelo dentro dos carros estacionados aos domingos à noite na Avenida Sarandi.

O país estava sob a ditadura feroz de Bordaberry. Recomendava-se aos sensatos que não se envolvessem em acidentes de trânsito, não encarassem os guardinhas e não assediassem as gurias uruguaias. Ouvia-se muito esta frase naquela época: sair da cadeia é um milagre no Uruguai.

Carros lotados de guris subiam e desciam a Sarandi nos fins de semana. Ninguém pegava ninguém. Mas se salvava o mundo no Enterprise até a meia-noite, depois descia-se as escadas da Cueva, o restaurante-buraco da boemia, tudo na Sarandi. Bebia-se Patricia, comia-se chivito. A noite era mais comprida em Rivera do que em Livramento.

O Brasil vivia o milagre econômico, o Uruguai estava na pior. Os guardinhas de azul viam qualquer barbudo como tupamaro. Morei no Uruguai quebrado e sufocado, num hotelzinho da Rua Agraciada. Admirava os estudantes de gravata, as gurias com saias plissadas de normalistas, os velhos empobrecidos, mas vestidos sempre com elegância. E os temidos guardas com as fardas puídas, calças remendadas entre as pernas e bainhas esfarrapadas.

Quando passo pela mesa do colega Léo Gerchmann, sinto um ciúme bom. Léo entrevistou o presidente Mujica há pouco. Eu e o editor de fotografia Jefferson Botega nos provocamos por anos: vamos tomar mate com o Mujica e depois comer morcilha no Mercado del Puerto. Léo e o fotógrafo Félix Zucco não ficaram só planejando. Foram lá e conversaram com Mujica.

Conheci o presidente uruguaio há três anos, quando Lula veio a Livramento. O brasileiro escapou da imprensa, Mujica encarou os jornalistas na saída do encontro. Eu, desinformado, esperava ouvir uma caricatura de governante latino, com a fala de personagem de García Márquez. Que nada. Ouvi um Mujica articulado, complexo, passando mais informação do que discurso. Falou em pé, não foi retórico e não disse um chavão durante a entrevista.

Este é o Mujica que impressiona europeus e americanos. O Uruguai merece um presidente que tenha a cara desse país cordial, tão parecido e tão diferente de nós – os gaúchos mesmo, não os brasileiros.

Os uruguaios estão entre os povos que mais têm armas em casa, mas vivem com índices de violência europeus. Há ali algo que nenhum outro país latino tem. Há uma fidalguia, uma delicadeza em extinção. Os uruguaios são finos e estão mais próximos de todo tipo de civilização do que nós.

Pegue uma semana das férias e vá ao Uruguai experimentar os ares dessa terra que está na moda. Não precisa ser para fumar maconha, mas para andar a pé por Montevidéu, sentar-se na amurada da praia de Piriápolis ao entardecer ou beber uma Patricia embaixo de uma árvore de um restaurante charmoso de Colonia.


E dizer que nós, aqui tão perto, pouco aprendemos com eles. Eu decidi agora, escrevendo este texto, que vou torcer para o Uruguai na Copa.

28 de dezembro de 2013 | N° 17657
CAROL BENSIMON

Na rua ou no mundo?

Eu tinha um desses telefones celulares muito simples e muito antigos, com uma parte que deslizava sobre a outra, uma pequena tela, e nada de internet. Saía para jantar. Todos os amigos vidrados em seus iPhones. Não preciso listar aqui as vantagens de se ter um celular com 3G. Um dia, nós queríamos saber o nome daquela música do Simply Red, e de repente lá estava ela.

Então, já não era o bastante. Assistimos ao clipe. Uma mulher gigante debruçada sobre dunas, aquela sobreposição bizarra de imagens, e finalmente alguma coisa preta grudada em um dos caninos do vocalista, Mick Hucknall. Ver aquele vídeo foi o pico da noite.

Dá pra dizer que virou quase uma luta de gerações, baby boomers x geração Y, você pode ficar com sua estética duvidosa, Mick, com seu céu de estrelas falsas, porque nós temos os celulares, o Facebook, nós temos o Lulu e os abusos da PM em tempo real. Nós temos Aline (vamos chamá-la de Aline) desfiando memórias escolares e, ao mesmo tempo, levando às últimas consequências uma discussão com o namorado via WhatsApp. Lide com isso, Mick.

O.k., vamos ser sinceros agora. Eu nunca engoli muito bem essa coisa de estar em dois lugares ao mesmo tempo, não fosse como uma maneira de aumentar exponencialmente minha já preocupante ansiedade. Sei que o sintoma não tem nada de pessoal (ou ao menos não só): é um reflexo do mundo de hoje como o era, no século 19, a histeria das mulheres vienenses. Você sabe exatamente do que eu estou falando. A ansiedade que vem da espera do próximo e-mail ou da próxima mensagem. A frustração quando não há nenhum e-mail e nenhuma mensagem.

Se todo mundo sente, significa que está tudo bem? Não necessariamente. Minha maneira de lidar com isso foi apelar para uma solução pessoal e irredutível: não me permitir estar conectada o tempo todo. Nada de celulares com 3G, portanto. Radical como colocar pimenta nas unhas de quem está habituado a roê-las? Talvez. Tenho certeza, no entanto, de que não sou a única e de que os mais corajosos optaram por abolir o uso dos celulares (neste preciso instante, aliás, gargalham com minha solução paliativa, hesitante, parcial, vergonhosa).


A propósito: aquele meu celular jurássico estragou. Semana passada, comprei um outro que me promete acesso ao mundo, mas declinei o convite e, quando saio na rua, é na rua que estou. Simples assim.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013



Preciso De Segurança, De Amor, 
De Compreensão, De Atenção, 
De Alguém Que Sente Comigo E Fale: 
Calma, Eu Estou Com Você E Vou Te Proteger! 
Nós Vamos Ser Fortes Juntos, Juntos E Juntos.

(( Caio F. Abreu ))


'LINDA SEXTA-FEIRA - BJOSSS

Sabe essas margaridas que riem o tempo inteiro?
É assim que o coração sorri quando sente um 
carinho verdadeiro.

(Sirlei L. Passolongo)

COM CARINHO SEMPRE

___Na grande peça da vida mudam-se os anos___

mudam-se os capítulos, alguns atores são substituídos,
mas a verdadeira beleza desta história está nos personagens
que permanecem nas cenas mais queridas.
A todas os personagens que participaram,
que participam e participarão dos capítulos de minha vida...

Desejo...

"Boas Festas"

Um Próspero Ano Novo
."






Jaime Cimenti

O ano de 2013 foi jornalístico

Esse ano foi um prato cheio para jornalistas e estudantes de Jornalismo. Só faltou os postes da Padre Chagas fazerem xixi nos cachorros das madames e elas morderem os cãezinhos. Sobraram fatos esquisitos, notícias incríveis. Em fevereiro, o Papa Bento XVI, quem diria, pediu o boné, ops, o solidéu, e foi substituído pelo modesto e franciscano argentino Francisco, o primeiro latino-americano Papa e o primeiro portenho humilde. 

Na Grécia, viu-se que, se filosofia realmente funcionasse, as coisas por lá não estariam tão crespas, com a economia arrasada. No Brasil, os protestos, incrivelmente resultaram em diminuição do preço da passagem e fizeram os poderosos colocarem as barbas de molho, como se dizia no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Será que os protestos surpreenderam até os marqueteiros de plantão ou não foi bem assim?

O Supremo Tribunal Federal surpreendeu. Julgou o mensalão com rigor e decretou as prisões. Quem diria, o Messi apareceu de smoking de bolinhas, parecendo um pijaminha ou o ratinho Stuart Little. Falando em jogadores, quem esperava o selinho que o Emerson Sheik tascou no Izac?

Antigamente, diziam que futebol era coisa para homem, hoje melhor dizer, então, que é para pessoas? Quem diria o Inter quase campeão da segundona, o único título que falta para o campeão de tudo, e o Grêmio fazendo aquela campanha? Vice para o Grêmio não surpreende, mas a campanha... No ano incrível uma contista, Alice Munro, levou o Nobel de Literatura. Em 112 anos, é a primeira vez. A academia sueca disse que ela ganhou pela clareza e realismo psicológico. Dizia uma antiga lenda que contistas só ganhariam no quarto milênio. Pois é.

Quase no fim do ano, o comportado Obama ficou de quiquiqui com a ministra loira, e aí a Michelle teve que botar ordem na mansão. No apagar das luzes, o jovem Mandela, imortal em vida, se foi com apenas 95 anos e surpreendeu mais uma vez. Dizem que nos últimos momentos de vida, uns líderes foram pedir para sucedê-lo e ele disse: tudo bem, mas vocês vão precisar, primeiro, cumprir 27 anos de cadeia. Aí os caras arrepiaram e mudaram de assunto, passando a falar de futebol e tal.


E a viagem de 20 horas de avião da presidente Dilma com Collor, Sarney, Lula e FHC? E a foto, todos de sorriso Colgate, dentro do avião que os levou para o funeral de Mandela? Nem tão incrível a foto e a notícia, nesse país onde até o incrível passado é, tipo assim, imprevisível.