sexta-feira, 19 de junho de 2026

A fábrica não vai para o Paraguai', afirma diretor-geral da CMPC no Brasil

Antônio Lacerda foi um dos painelistas do Mapa de Porto Alegre

Antônio Lacerda foi um dos painelistas do Mapa de Porto Alegre

Dani Barcellos/Especial/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterO diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, havia afirmado em entrevista ao Jornal do Comércio no mês de maio que havia a possibilidade de a multinacional levar o Projeto Natureza ao Paraguai caso a Justiça Federal não apresentasse uma solução ao impasse legal enfrentado para a instalação de uma fábrica de celulose em Barra do Ribeiro. Entretanto, ele voltou atrás e, categoricamente, negou a intenção de retirar a iniciativa do Rio Grande do Sul.
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“A fábrica da CMPC não vai para o Paraguai. Vamos insistir e trabalhar para que ela se estabeleça aqui no Rio Grande do Sul. Esse é o objetivo e temos lutado com todas as forças para isso. Estamos seguindo a lei, todos os ritos do órgão regulador, que é a Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), e estamos muito tranquilos em relação a isso. Acreditamos nas leis e no bom senso. E estamos trabalhando para que o projeto seja aprovado”, afirmou Lacerda em entrevista à reportagem durante evento do Mapa Econômico do RS, realizado nesta quinta-feira (18), no Teatro do CIEE-RS, em Porto Alegre.

O governador gaúcho, Eduardo Leite, também apresentou um posicionamento semelhante. “Não trabalho com a hipótese de o Rio Grande do Sul perder esse investimento. Trabalhamos muito para trazer esse investimento para cá e vamos continuar trabalhando do jeito certo, fazendo a coisa certa para o investimento”, declarou durante ato realizado em frente ao Palácio do Piratini na segunda-feira passada, 15 de junho.

A CMPC prevê um aporte de R$ 27 bilhões, o maior investimento privado já anunciado no Estado. Entre as ações inclusas no projeto, estão a construção de um terminal de celulose em Rio Grande, que recebeu licença prévia nesta quinta-feira (18), e a fábrica em Barra do Ribeiro.

A expectativa da multinacional é que, em relação à fábrica, o licenciamento possa ser obtido até o final deste ano. Atualmente, o projeto tramita junto à Fepam, que aguarda manifestação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre as comunidades tradicionais na região em que o empreendimento deverá ser instalado.
Evento do Mapa Econômico do RS ocorreu nesta quinta-feira em Porto Alegre | TÂNIA MEINERZ/JC
Evento do Mapa Econômico do RS ocorreu nesta quinta-feira em Porto AlegreTÂNIA MEINERZ/JC

A morosidade na obtenção do aval da agência reguladora tem como ponto nevrálgico uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). Nela, o órgão questiona os estudos apresentados pela CMPC e defende a necessidade de uma análise mais ampla quanto aos impactos ambientais e sociais sobre as comunidades tradicionais da região.

Para o MPF, seria necessária a realização de uma Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI). A CMPC, por sua vez, diz que tem conduzido o projeto em conformidade com a legislação.

Para Lacerda, apesar da indefinição judicial, o Rio Grande do Sul tem um ambiente de negócios favorável para a atração de empreendimentos – incluindo o da CMPC. “Tem as condições ideais para o estabelecimento de uma nova fábrica, não somente pelo eucalipto, mas pelas pessoas e pelo que a sociedade oferece em termos de empregabilidade. Aqui tem pessoas muito comprometidas com o empreendedorismo, com responsabilidade e que fazem as coisas acontecerem. E é por isso que vamos investir os R$ 27 bilhões aqui”, acrescentou.

Ele ainda considerou que as mudanças trazidas pela nova fábrica poderiam auxiliar na competitividade do Estado. Principalmente, pela geração de empregos e pelas obras de infraestrutura inclusas no Projeto Natureza.

Atualmente, a CMPC tem uma planta industrial em Guaíba, na Região Metropolitana. Desde 2009, já foram desembolsados R$ 25 bilhões na sua expansão e modernização. A estrutura é a maior fábrica da multinacional.

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