segunda-feira, 29 de junho de 2026

São Francisco de Paula investe em estratégia para crescer sem perder a identidade

Lago São Bernardo é considerado um dos cartões postais da cidade serrana

Lago São Bernardo é considerado um dos cartões postais da cidade serrana

Josiele Silva/Divulgação/JC
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Cristiano Bastos
Especial para o JC
A cidade de São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, vive uma transição econômica acelerada. Com um PIB estimado em R$ 1,2 bilhão, o município une a força do agronegócio — que movimenta R$ 280 milhões anuais com tecnologias como a robotização — à expansão do turismo de experiência e hotelaria de alto padrão. Para ordenar esse crescimento e proteger sua essência, a prefeitura, em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), está desenvolvendo o Plano São Chico 2050.
Contratado em 2024, o projeto, com duração total de 24 meses (atualmente encontra-se em fases finais, com entrega prevista para meados de agosto) integra o programa UCS ReNova Cidades. "Trata-se de uma plataforma estratégica que guiará o município pelas próximas três décadas, estruturada em 11 produtos que abrangem desde a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado e o Plano de Mobilidade até a gestão de resíduos, drenagem, ações para mudanças climáticas, desenvolvimento econômico, elaboração de estratégias de comunicação, e a salvaguarda do patrimônio histórico e cultural", explica Juliano Gimenez, diretor do Instituto de Saneamento Ambiental e Coordenador Institucional do projeto pela UCS.
Apoiada em um investimento de R$ 2,3 milhões provenientes da prefeitura para sua elaboração e na força-tarefa de 30 especialistas da UCS, a iniciativa tem como meta transformar a cidade em um polo de turismo sustentável e agronegócio tecnológico, blindando a segurança jurídica dos novos negócios e a preservação do patrimônio natural da Serra Gaúcha.
O grande diferencial da iniciativa é a transversalidade, garantindo que as frentes de desenvolvimento urbano, ambiental e econômico caminhem juntas para evitar o crescimento desordenado e garantir segurança jurídica aos investidores. O vice-prefeito, Roberto Lopes, destaca a importância dessa sinergia na concepção do projeto: "A ideia do Plano 2050 era ter um Plano Diretor que conversasse com o Plano de Turismo e com o Plano de Comunicação, para que tudo andasse na mesma direção".
O Plano São Chico 2050 se consolida, assim, como um legado institucional. O município agora se prepara para as últimas audiências públicas antes da aprovação final. Mais do que um conjunto de diretrizes técnicas, ressalta Gimenez, o plano assegura que São Francisco de Paula avance em direção ao futuro, firmando-se como um destino de altitude exclusivo, sustentável e profundamente conectado com as suas raízes históricas e ambientais.
 

Onde a paisagem vira experiência e a cultura vira investimento

O ecossistema de hospitalidade de São Francisco de Paula tem raízes na Quisisana Hampel, de 1899, e ganhou novo fôlego com o retorno de talentos que viram valor na identidade serrana. Nos anos 1970, Newton e Alex Alano transformaram o sítio da família no embrião da Pousada do Engenho, hoje referência de charme na Serra Gaúcha.
Parador Hampel integra a nova fase turística da cidade  | Parador Hampel/Divulgação/JC
Parador Hampel integra a nova fase turística da cidadeParador Hampel/Divulgação/JC
Na gastronomia, São Chico ganhou projeção nacional com Marcos Livi. O chef nascido na cidade voltou em 2017, adquiriu o antigo Veraneio Hampel e criou o Parador Hampel e o restaurante Ana Terra, vitrine da cozinha dos Campos de Cima da Serra e do fogo de chão.
Município  ganhou projeção nacional com o chef Marcos Livi | ÁLVARO BONADIMAN/DIVULGAÇÃO/JC
Município ganhou projeção nacional com o chef Marcos LiviÁLVARO BONADIMAN/DIVULGAÇÃO/JC
O trabalho colocou a cidade na rota de quem busca autenticidade. Na mesma trilha, Rafael Castello Costa abriu o Restaurante Castelli, apostando em receitas da família serrana e ingredientes do campo. Com isso, a gastronomia local ganha outra referência ancorada na memória afetiva, reforçando São Chico como destino de experiência.
O boom turístico de São Chico por sua vez puxou o mercado imobiliário. Foi nesse cenário que nasceu o Araú Condomínio de Montanha, pensado para atender a demanda por lazer, segurança e contato com a natureza entre araucárias centenárias, próximo ao Lago São Bernardo e ao centro da cidade.
O projeto entrega um clube completo com academia, piscinas com borda infinita voltadas para o pôr do sol e aquecidas para os dias frios, sauna, beach tennis, quadras, trilhas, pomar de kiwi e espaços de convivência com fogo de chão. Pioneiro na cidade, o condomínio foi o primeiro a implantar estação de tratamento de esgoto. O conceito privilegia a contemplação: arquitetura com muito vidro e diretrizes construtivas que preservam sol e vista entre as casas.
Dos 102 lotes, restam 12 disponíveis hoje na faixa de R$ 480 mil. Só o empreendimento injeta cerca de R$ 50 milhões em Valor Geral de Vendas, o o chamado VGV, e já impactou o preço do m² na região.
"Há anos o mercado pedia um produto que unisse infraestrutura de lazer, segurança e belezas cênicas. Em meio às araucárias, perto do Lago São Bernardo e do centro, criamos o Araú com a essência de montanha e natureza", explica César Ledur, responsável pelo projeto. Segundo ele, "o Araú aqueceu o setor imobiliário e a economia do município, com aumento de arrecadação e geração de empregos. As primeiras casas já começaram e os condôminos usam a infraestrutura desde março/26".
O apetite de investidores aparece em formatos distintos. O Resort Divisa recebeu R$ 40 milhões para ampliar de 120 para 180 leitos e gerar 200 empregos na alta. O Tedesco Eco Parque movimenta R$ 25 milhões/ano com ecoturismo e eventos, mantendo 150 empregos fixos. Somam-se Mátria Parque de Flores, a charmosa NaCarapina e até uma cabana itinerante.
O Mátria Parque de Flores é considerado o maior parque de flores das Américas. Com uma área de 50 hectares, o espaço abriga 30 jardins distintos integrados à paisagem natural dos Campos de Cima da Serra. O Mátria, explica Fernando Piazza, proprietário e CEO do empreendimento, é uma grande fusão de arte e natureza com jardins que ocupam 25 hectares e mudam a cada semana e estação.
Mátria Parque é considerado o maior parque de flores das Américas | TACYLA AMARAL/DIVULGAÇÃO/JC
Mátria Parque é considerado o maior parque de flores das AméricasTACYLA AMARAL/DIVULGAÇÃO/JC
"É assim que encantamos o público — além de eventos e gastronomia", diz. A escolha por São Chico tem a ver com a paisagem, ele completa. "Consideramos o local ideal para investir em turismo de experiência e contemplação. Antes de completarmos 5 anos recebemos mais de 350 mil pessoas, com um crescimento sustentável de 20% a cada ano e temos plano de expansão com novos equipamentos".
As festas tradicionais mantêm as raízes e a economia ativa. A Festa do Pinhão reúne 35 mil pessoas e injeta R$ 8 milhões. A Festa da Batata atrai 25 mil e movimenta R$ 5 milhões. Junto ao Festival Beatles e eventos de inverno, criam calendário contínuo. Com Livi no Ana Terra, Castello no Castelli e novos como Jardim Madá, Zodíaco, Lírio e o Araú estruturando o imobiliário, São Chico consolida um modelo onde tradição e inovação caminham juntas. Terra, identidade e investimento se retroalimentam: quem vem pela paisagem fica pela experiência, e quem investe encontra cultura transformada em ativo econômico.

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