30 de Junho de 2026
OPINIÃO RBS
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Resposta a surto de execuções
Tem de ser contundente a resposta do Estado ao surto de execuções que eclodiu na semana passada em Porto Alegre. Sete mortes entre terça e sexta-feira teriam sido causadas por desavenças entre facções criminosas. A origem da onda de violência ainda é investigada pela Polícia Civil. A principal hipótese é de que o fato detonador tenha sido uma traição amorosa, mas não é descartada a motivação financeira. O essencial, agora, é estancar a barbárie, chegar aos executores e punir lideranças que possam ter dado as ordens para os assassinatos. A reação dura das forças da lei e do sistema de Justiça também é relevante para inibir episódios semelhantes no futuro.
A resposta categórica deve demonstrar que não há a menor hipótese de o poder público tolerar que possa voltar a ocorrer algo minimamente parecido com o que foi observado notadamente em 2016 e 2017, quando os números de homicídios pela guerra entre facções atingiram o auge. Desde então o Estado vem conseguindo diminuir o ciclo de ataques e retaliações entre bandidos, apesar de episódios ocasionais de rompantes de violência, sempre contidos.
É equivocada a percepção de que a matança entre grupos criminosos tem menor importância. Não são raros os casos em que o ciclo de homicídios e retaliações transborda, chega a áreas centrais das cidades e vitima inocentes. As comunidades onde essas facções atuam, formadas na esmagadora maioria por trabalhadores e cidadãos que só querem viver em paz, também têm as suas rotinas transformadas pelo medo. Ontem, em um caso que não teria relação com as execuções da semana passada, um homem ligado a uma facção foi abatido com 25 disparos no bairro Santana. É preciso restabelecer a ordem e a segurança.
O surto de mortes violentas fez a Secretaria de Segurança Pública ativar o protocolo de sete medidas contra homicídios, baseado na teoria da dissuasão focalizada, criada décadas atrás por um professor de Criminologia da Universidade de Nova York, que foi utilizado em cidades norte-americanas. Um de seus princípios é o de saturar com policiais as zonas conflagradas, inibindo atividades criminosas e forçando a paralisação dos atos de hostilidade. A ação deflagrada ainda na semana passada já resultou em uma série de detenções. A presença ostensiva também tenta restaurar a sensação de segurança.
As medidas do protocolo incluem ainda a intensificação das investigações, operações especiais, a responsabilização das lideranças criminosas, ainda que já presas, revistas nos presídios e asfixia financeira dessas organizações. Por isso, além da Brigada Militar e das polícias Penal e Civil, dependem também de uma coordenação com o Judiciário e do Ministério Público. O receituário foi adotado na Capital após a constatação de que 80% dos homicídios na cidade eram cometidos pelo crime organizado, em um ciclo de ataques e represálias, e em seguida começou a ser levado para o Interior. Espera-se agora que as demais providências previstas - como as que preveem o bloqueio de bens e capitais e a transferência e o isolamento de líderes das facções envolvidas - sejam aplicadas com firmeza. _

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