sexta-feira, 5 de junho de 2026

 Conceito ESG começa a ganhar espaço no meio empresarial

Pesquisas apontam o crescimento das discussões sobre ESG no setor empresarial

Pesquisas apontam o crescimento das discussões sobre ESG no setor empresarial

Tânia Meinerz/JC

Roberto Hunoff
Roberto HunoffJornalistade Caxias do Sul
Apesar do conceito ESG existir desde 2005, o tema só virou febre em países como os Estados Unidos e Japão a partir de 2020 com a pressão do mercado financeiro para essas práticas. No Brasil, o cenário é diferente. De acordo com dados de estudo feito pela Pacto Global e Stilingue, em 2019, eram poucas as menções ao assunto no Brasil. No entanto, o crescimento das discussões sobre ESG no país pode ser confirmado pela percepção do setor empresarial. Pesquisa apontou que para 84% o interesse pela discussão aumentou. A maioria revelou ser estimulada com alta frequência a repensar e criar soluções que impactem positivamente nos três critérios ESG.
Entre os seis desafios mais indicados pelas empresas que já integraram ESG em sua estratégia e pelas que ainda estão planejando essa integração, cinco são os mesmos: carência de recursos humanos dedicados ao tema; falta de entendimento sobre os critérios e sobre como instituí-los; ausência de termos padronizados; falta de fornecedores e parceiros que cumpram os critérios; e custos elevados para implementação.
O Anuário Integridade ESG, produzido pela Insight Comunicação, é uma plataforma de análise sobre a realização de projetos, investimentos e compromissos ambientais, sociais e de governança disponibilizados publicamente por empresas que atuam no Brasil. Na terceira edição anual do anuário, em 2025, dentre as 100 companhias que se destacam na Agenda ESG, quatro são gaúchas. Lojas Renner é a melhor colocada, na nona posição. Na sequência vem Gerdau, na 17ª; Sicredi, 54ª; SLC Agrícola, 98ª.
Por setor, o de energia teve o avanço mais significativo, saindo de 6,70%, em 2022, para 12,8%, em 2024. À frente, somente o setor bancário e financeiro, líder pela terceira edição consecutiva. Destaque também para serviços de saúde e de TI & Telecom, que alcançaram, respectivamente, 5,1% e 4,9%, frente a 2,6% e 3,4% em 2023.
A sigla ESG refere-se a práticas empresariais que priorizam a sustentabilidade, a responsabilidade social e a transparência. A proposta é avaliar o desempenho das organizações não apenas pela ótica do retorno financeiro, mas também a partir do entendimento sobre seus impactos ambientais, sociais e de governança.
O termo ambiental refere-se à forma como uma empresa gerencia e impacta o meio ambiente. Isso pode incluir práticas relacionadas à sustentabilidade, gestão de resíduos, emissões de carbono, conservação de recursos naturais e proteção da biodiversidade. Aborda mudanças climáticas, gestão hídrica, biodiversidade, economia circular, prevenção da poluição e controle ambiental.
O item social avalia a gestão de relações da empresa com funcionários, fornecedores, clientes e as comunidades onde opera. Isso pode envolver aspectos como direitos humanos, saúde e segurança no trabalho, inclusão e diversidade, e relações trabalhistas. O componente abrange engajamento social, direitos humanos, diversidade e inclusão, relações de trabalho e responsabilidade social.
A governança analisa a gestão da empresa, incluindo a forma como é governada, a estrutura da liderança, remunerações, direitos dos acionistas e transparência nas operações. São pontos relacionados à governança corporativa, conduta empresarial, gestão e controle, e transparência.
A jornada ESG nas organizações envolve, de forma pragmática, definição de prioridades junto aos diferentes públicos com os quais a empresa interage, identificando os impactos positivos e negativos do negócio e sobre o negócio (dupla materialidade) no curto, médio e longo prazos; estabelecimento de metas, indicadores e de planos de ação factíveis; implementação, monitoramento e aprimoramento das ações planejadas; e reporte que traga transparência à performance da organização.

Diferente de sustentabilidade

É comum a confusão entre ESG e sustentabilidade, vistas como conceitos iguais. No entanto, existem diferenças. Enquanto a sustentabilidade abrange uma ampla gama de preocupações e busca o equilíbrio entre as necessidades presentes e futuras, o ESG é voltado especificamente às práticas adotadas pelas empresas para garantir que suas atividades sejam socialmente responsáveis, ambientalmente sustentáveis e eticamente corretas.
A jornada rumo ao desenvolvimento sustentável teve marcos importantes ao longo dos anos, desde os alertas pioneiros de obras como "Primavera Silenciosa" de Rachel Carson, em 1962, passando pela publicação, em 1972, do livro "Os limites do crescimento", de Donela Meadows até o Relatório Brundtland - "Nosso Futuro Comum", de 1987, e da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, da Assembleia Geral da ONU, que apresentou pela primeira vez a interconexão entre questões ambientais e sociais e o termo sustentabilidade.
Com base no Relatório Brundtland, publicado em 1987, o conceito de desenvolvimento sustentável se consolidou ainda mais durante a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ocorreu no Rio de Janeiro, em 1992, conhecida como ECO-92. Foi a primeira vez que a comunidade política internacional assumiu o compromisso e admitiu que era preciso conciliar os componentes econômicos, ambientais e sociais ao debate, considerando temas essenciais à agenda de todos os países.
Neste contexto, o termo sustentabilidade passou a ser utilizado para definir uma abordagem de gestão de resultados equilibrada entre três pilares: econômico, social e ambiental, também conhecidos como Tripple Bottom Line. Nessa abordagem de estratégia e gestão, proposta por John Elkington, em 1994, sugere-se que o desempenho da organização, além de ser medido por seus resultados econômicos, considere também o resultado de seus impactos, positivos e negativos, nas esferas social e ambiental.
O termo ESG surgiu em 2004, como parte da iniciativa "Who Cares Wins" do Pacto Global da ONU, ganhando ainda mais força com os Princípios para o Investimento Responsável, lançados em 2006, que acabaram incentivando os gestores de recursos a considerar critérios ESG em suas decisões de investimento. Embora o foco central do conceito seja a integração de aspectos socioambientais para gerenciar riscos, sua visão ampliada reconhece que a sustentabilidade é essencial para o sucesso a longo prazo das empresas, seus stakeholders e para o meio ambiente.

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