Terremotos deixam mais de 160 mortos na Venezuela; país decretou estado de emergência
Agências
Dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24), segundo o serviço sismológico dos Estados Unidos (USGS), causando cenas de pânico em Caracas. O último balanço divulgado pela líder venezuelana, Delcy Rodríguez, na manhã desta quinta-feira (25), apontava para 164 mortos, mais de 900 feridos e cerca de 1 mil desaparecidos.
O tremor principal (7,5) ocorreu 39 segundos após o precursor (7,2), a uma distância de cerca de 45 km, ambos no norte do país. Várias réplicas se seguiram a partir do primeiro sismo, que foi registrado às 18h04min no horário local (19h04 em Brasília), segundo informações do USGS. Os sismos aconteceram em diferentes profundidades e também foram sentidos na Colômbia.
Delcy fez um pronunciamento horas depois do ocorrido em que declarou estado de emergência no país e expressou suas condolências às famílias dos mortos, sem precisar quantos seriam. Delcy ainda afirmou que o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal do país, está fechado devido a "graves danos em sua infraestrutura".
O serviço americano USGS afirmou ser "provável que haja um grande número de vítimas e danos extensos na Venezuela". Em uma escala de alerta utilizada pelo USGS, o órgão estima 40% de chance de haver entre 10 mil e 100 mil mortos em decorrência destes terremotos. Em paralelo, há 36% de chance do número ser entre 1.000 e 10 mil; 14% acima de 100 mil; e 10% entre 100 e 1.000.
As estimativas não levam em conta o cenário atual do país, mas uma projeção que compara os registros sísmicos obtidos nesta quarta com parâmetros preestabelecidos pelo órgão. Os números podem ser revisados conforme novas informações forem divulgadas.
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, afirmou que a polícia e o corpo de bombeiros foram acionados. "Temos prédios e casas que desabaram, e estamos lidando com a situação usando todos os recursos disponíveis de segurança e assistência civil", disse.
"Foram vistas cenas de pânico em um centro comercial em Caracas", reportou uma jornalista da AFP. Dezenas de pessoas saíram dos prédios na capital venezuelana e aguardavam na rua antes de voltar para seus escritórios e residências, relataram testemunhas.
Uma venezuelana relatou à agência Reuters o surgimento de rachaduras na parede de seu apartamento e a quebra de vidros na entrada do edifício.
Segundo vídeos de testemunhas da Reuters, caminhões de bombeiros circulavam pelas ruas de Caracas após os tremores, e fachadas de alguns edifícios sofreram danos significativos. Muitos moradores ficaram sem energia elétrica ou acesso à internet logo após o sismo.
Na Colômbia, a unidade de gestão de riscos (UNGRD) descartou alerta de tsunami. O sistema americano, por sua vez, emitiu alertas e, minutos depois, os cancelou. O comunicado alertava para possíveis ondas perigosas na região de Porto Rico e das Ilhas Virgens Americanas e Britânicas, no mar do Caribe.
Quando os tremores começaram, muitos venezuelanos estavam em casa, em um feriado que celebra uma vitória militar de 1821, a qual ajudou a garantir a independência do país em relação à Espanha. "Assim que começou, começamos a ouvir pessoas gritando", disse Astrid Ramirez, publicitária de 41 anos que mora na zona oeste de Caracas. "Todos corriam pelas escadas."
Moradores de toda a capital -que também foi atingida por um terremoto devastador de magnitude 6,3 em 1967- correram para sair dos locais enquanto os prédios balançavam. "Houve um estrondo muito alto. Coisas caíram dentro de casa, jarras dentro da geladeira. Nunca vivi nada parecido", disse Coro Martinez, 56, moradora da zona leste da cidade.
Maria Romero, uma aposentada de 80 anos que vive na zona sul de Caracas, contou que a polícia a ajudou a sair de casa. "Este terremoto foi horrível, ainda pior do que o de 1967", disse ela.
O Itamaraty manifestou "pesar pelas perdas causadas em decorrência dos terremotos" e afirmou que, até esta noite, "não foram identificados brasileiros entre as vítimas".
Folhapress

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