segunda-feira, 15 de junho de 2026

Copa 2026 deve movimentar R$ 4,3 bi em vendas e dar mais fôlego ao varejo

Corredor do atacarejo Muller, com lojas em Taquara e Parobé, virou campo de futebol

Corredor do atacarejo Muller, com lojas em Taquara e Parobé, virou campo de futebol

REDE MULLER/DIVULGAÇÃO/JC

Patrícia Comunello
Patrícia ComunelloA bola já está rolando no Mundial de futebol, mas tem uma Copa que milhares de "jogadores" podem ganhar. Ou não. O maior campeonato, inclusive da história da competição de futebol, também está sendo disputado dentro de lojas, restaurantes e áreas de diversão, além do digital, é claro, mas há negócios que mostram mais técnica e criatividade nos lances.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê que o torneio injete R$ 4,32 bilhões no varejo, cerca de 6,5% acima da última edição, em 2022.  Gigantes de e-commerce estão com operações reforçadas para dar conta de volume maior de compras de quitutes de pipoca a bebidas.
"Já detectamos altas antes mesmo do Mundial começar. O brasileiro vive muito essa data. Estamos preparados para dar conta de pedidos e entregamos em 15 minutos", garante a presidente da Amazon Brasil, Juliana Sztrajtman. O prazo é garantido nos grandes mercados, com retaguarda logística já no ritmo de minutos. 
No Rio Grande do Sul, não foi feita estimativa de receita, mas há exemplos pulverizados de marcas que perceberam o potencial. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior, comenta que o setor vem buscando explorar visual e itens com mais demanda.
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Supermercados ostentam na seção de hortigranjeiros mosaicos da bandeira verde (limões) e amarela (laranjas), como na filial do Gauchão Supermercados no bairro Santana, em Porto Alegre. A banca de frutas patriótica virou point de fotos para redes sociais. 
"Grandes eventos têm o poder de influenciar diretamente o mercado, especialmente quando despertam fortes conexões emocionais com o público. Na Copa, patriotismo, identidade nacional e expectativa pela conquista do título criam um ambiente favorável para o aumento do consumo", associa Jéssica Fahla Ribeiro, da Elevo: "Produtos e serviços que conseguem se conectar a essa narrativa têm uma tendência maior de crescimento de vendas".
A pesquisa da Crowd.DNA, encomendada pelo Amazon Ads, mostrou que nove em cada 10 brasileiros estão ligados no Mundial. Detalhe: três quartos (74%) estão "extremamente ou muito interessados".
Pesquisas da Scantech, NielsenIQ e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontam que as pessoas vão querer acompanhar os jogos com familiares e amigos. "84% dos pesquisados planejam assistir aos jogos em casa. Com isso, a demanda por itens domésticos e de conveniência é impulsionada", cita a NielsenIQ.
Lojas colocam o Brasil e produtos, é claro, em evidência para atrair clientes | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Lojas colocam o Brasil e produtos, é claro, em evidência para atrair clientesPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Outro dado, que deve entrar no plano de vendas de varejos: "41% dos brasileiros priorizam ter comida e bebida prontas para receber convidados". A NielsenIQ aponta ainda que grandes eventos esportivos funcionam como gatilho de compra para eletrônicos premium, como  TVs de tela grande e soundbars. Cerca de 75% das compras acontecem antes mesmo do primeiro jogo.
"O comércio gaúcho precisa estar preparado para capturar o movimento da Copa. Para supermercados, bares, restaurantes e delivery, é um pico de faturamento concentrado", alerta o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner.
"Shoppings, comércio de rua, moda e serviços nos horários dos jogos vão precisar ajustar a operação para não perder fluxo", observa Pioner. "Temos um cenário que aponta para renda sustentada e demanda contida no consumidor gaúcho.
A Copa é uma das maiores janelas de reaquecimento para o segundo trimestre", projeta o presidente da federação, lembrando que a competição também vai ser um "teste de preparação para o comércio gaúcho".

TV, pipoca e churrasco: o que vai vender mais na Copa 2026?

Carrefour aposta no visual de pontos com a campanha Torcida 10, para atrair consumidores | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Carrefour aposta no visual de pontos com a campanha Torcida 10, para atrair consumidoresPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
O que vai vender mais no supermercado e em outros segmentos? Pesquisas mostram que pipoca, carnes para churrasco e salgadinhos vão ser os mais buscados, com elevação considerável de vendas, acima até mesmo da Copa de 2022. A lista de compras aparece em pesquisas da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) nas capitais brasileiras e da Scanntech, que monitora o varejo.
A líder do e-commerce no Brasil, a Mercado Livre (Meli), detectou uma explosão de consumo em maio, entre os mais óbvios, como camisas da seleção (500%) e colecionáveis (18 vezes mais de busca que a Copa de 2022). Mas há produtos que ascenderam, ligados à diversão e ao engajamento de torcedores. As altas são verificadas em tintas para pintar ruas e fachadas (642%), cerveja zero (985%), streetwear com cores do Brasil (640%) e esmalte e nail art com as cores da seleção (360%).
No atacarejo da rede Muller, com lojas em Taquara e Parobé, região calçadista, o corredor entre as estantes de paletes virou campo de futebol literalmente (foto da capa desta edição). "A ideia foi que tudo virasse Copa no mercado, além da simples decoração", explica o dono, Vicente Backes Muller. "A gente queria que as lojas realmente entrassem no clima e nossos clientes realmente sentissem isso". A rede de Taquara fez sorteios de camisetas da seleção e ativação nas lojas.

Shoppings apostam em colecionáveis, transmissões e mini arenas

Shopping Total montou mini arena, para troca de figurinhas e para assistir aos jogos | SHOPPING TOTAL/DIVULGAÇÃO/JC
Shopping Total montou mini arena, para troca de figurinhas e para assistir aos jogosSHOPPING TOTAL/DIVULGAÇÃO/JC
As figurinhas viraram febre a cada Mundial, mas também abriram uma porta farta de potencial fluxo para empreendimentos que veem na socialização gerada pelas trocas de "peças" do álbum um canal para fisgar mais atenção. Até porque crianças, jovens e adultos são seduzidos pelo colecionável e ainda mais para obter as figurinhas raras. Os complexos criam áreas dedicadas ao intercâmbio e agregam mais um item: diversão e até exibição de jogos.
O que pode ser um caminho para segurar a queda de fluxo. O presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, lembra que pesquisas sinalizam que os shoppings, principalmente pelo horário dos jogos, após as 19h, devem ter mais queda de fluxo, acima de 40%. "Eles terão de criar atrativos para evitar esse tamanho de redução de movimento, que afeta certamente as vendas dos lojistas", associa Pioner.
Em Porto Alegre, empreendimentos dedicam áreas para a temporada de futebol. Entre as operações, estão Iguatemi, Shopping Total, Praia de Belas Shopping, BarraShoppingSul e Bourbon Country. Mesas servem para trocas de figurinhas. Um micro campo de futebol permite que visitantes arrisquem chutes a gol. Salas VIP de cinema vão exibir jogos e restaurantes também colocam no cardápio a programação esportiva.

Álbum de figurinhas lidera alta de preços e vendas na Copa 2026

Álbum das seleções ganhou mais pontos de venda, disputando a atenção de clientes em farmácias | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Álbum das seleções ganhou mais pontos de venda, disputando a atenção de clientes em farmáciasPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Líder na alta de preços da Copa 2026, álbuns e figurinhas também são campeões de vendas. Plataformas online registram procura que chega a ser 18 vezes maior que a Copa de 2022. O sintoma da disseminação dos colecionáveis pode ser medido pela multiplicação de pontos de vendas. Na atual edição, farmácias e supermercados entraram na onda, incluindo o item no mix. 
"Já vendemos R$ 170 milhões antes do Mundial e seria mais se não fosse a escassez que tivemos porque a Panini (que detém os direitos dos colecionáveis) ter direcionado a produção para a América Latina", contabiliza Ramir Severiano, presidente da Editora Vitrola, com sede em Frederico Westphalen, no interior gaúcho, e que já espera ultrapassar a meta de faturar mais de R$ 300 milhões com os produtos.
A inflação do cardápio da Copa do Mundo 2026 não assusta quando se trata de supermercado ou mesmo eletroeletrônicos, como televisões. Mas a sensação (álbum e figurinhas) pré-Copa bateu recorde e já garantiu a taça da edição de compras deste Mundial. Levantamento da CDL Porto Alegre mostra aumentos expressivos desde a última edição da competição.

Marcas se conectam com o Mundial em novos produtos e campanhas

Fruki lançou sabor pipoca salgada com guaraná, com produção limitada e criado por consumidores e IA | FRUKI BEBIDAS/DIVULGAÇÃO/JC
Fruki lançou sabor pipoca salgada com guaraná, com produção limitada e criado por consumidores e IAFRUKI BEBIDAS/DIVULGAÇÃO/JC
Se muitos lojistas não pegaram carona na Copa por achar que não combina com o negócio, marcas de diferentes segmentos e muitos convergentes com o consumo em meio aos jogos estão aproveitando. Da tradicional e icônica Coca-Cola e suas estratégias que se espalham pelo mundo a gaúchas como Fruki, Iplace (varejo), Fritz&Frida e Da Colônia, os exemplos podem ainda animar quem não vestiu a camiseta da seleção, que quer faturar no evento. 
No rótulo da Coca, o consumidor pode descobrir figurinhas e algumas das mais raras. Em alguns mercados, como São Paulo, supermercados registram um "crime" bem sazonal: furto de rótulo com os colecionáveis. Garrafas da bebida em pet, sem a marca (sem rótulo), vêm gerando prejuízo à fabricante e ao ponto de venda. O acordo foi feito com a Panini, que detém os direitos de álbuns e figurinhas da Copa no Brasil. 

Marcas brasileiras em Nova York buscam mais vendas com Mundial

Em Nova York, restaurantes brasileiros como o Berimbau lotam com grupos exclusivos em dias de jogos  | BERIMBAU NYC/DIVULGAÇÃO/JC
Em Nova York, restaurantes brasileiros como o Berimbau lotam com grupos exclusivos em dias de jogosBERIMBAU NYC/DIVULGAÇÃO/JC
Fora do Brasil, a Copa também gera mais negócios e para marcas brasileiras. São operações de gastronomia, comidinhas que remetem ao Brasil e também souvenirs com tudo que remete ao mundo verde e amarelo. A coluna Minuto Varejo conversou com empreendedores que comandam unidades como TAP NYC, que explora o trio tapioca, açaí e pão de queijo, Buzios Brazilian Market NYC (loja de produtos) e Berimbau, restaurante de culinária brasileira.
A TAP levou brasilidades para as unidades que ficam em Nova York (três) e Miami. Uma quarta vai ser aberta na ilha, mas acabou não ficando pronta. "A ideia é que as pessoas nos vejam como referência de torcida e encontro", aposta o CEO da rede, Pedro Uchoa.
No Berimbau, duas frentes para as duas operações em Manhattan. A mais nova, na rua 36, coração da ilha, a casa está com tudo locado para os dias de jogos do Brasil. A ApexBrasil fechou os dois andares para eventos exclusivos, conta o proprietário Mario de Matos. Já na operação mais antiga, no West Village, vai ter transmissão de jogos com cardápio especial para quem quiser combinar emoção do jogo da Seleção com comidinha do Brasil. "Estamos muito empolgados e buscando atrair brasileiros e até gringos para cá".

Copa de 2022 (Catar)

  • Duração: 29 dias (32 seleções)
  • Jogos: à tarde
  • Dezembro: verão
  • Momento: fim da Pandemia

Copa 2026 (EUA, Canadá e México)

  • Duração: 39 dias (48 seleções)
  • Jogos: tarde e noite
  • Junho/Julho: inverno
  • Momento: 65% das pessoas vão assistir em casa

Efeito Seleção

  • Jogo do Brasil: alta média de 33% nas compras
  • Brasil campeão: alta de 8,3% nas vendas do varejo

Impactos no carrinho de compras

Gastos extras na Copa: 99,2 milhões de pessoas vão gastar mais (60% dos brasileiros) 
Tíquete médio de gastos extras: R$ 619,00 (geral) e R$ 784,00 (classes A e B)
Assistirão aos jogos coletivamente: 97% (77% família e 60% com amigos)
Pretendem comprar produtos licenciados da Seleção: 47% das pessoas
Compras antecipadas: 44% dos consumidores
Forma de pagamento: 57% pretendem usar o PIX
Compra no físico: 89% das intenções (lideram supermercados, lojas de bairro e pontos próximos
Produtos mais demandados são ligados ao evento, com alta de consumo se o Brasil avançar na Copa  | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Produtos mais demandados são ligados ao evento, com alta de consumo se o Brasil avançar na CopaPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

No carrinho: o que vende mais (% crescimento)

  • Churrasqueira 227,5%
  • Pipoca de micro-ondas 119,9%
  • Air Fryer 112,4%
  • Amendoim salgado 86,2%
  • Bovino (cortes) 67,5%
  • Tábua de corte 64,9%
  • Frango inteiro 59,7%
  • Dadinho 57,3%
  • Frango (cortes) 56,2%
  • Snack de trigo 54,7%
  • Drinques 50% 
  • Queijo grana 47,9%
  • Abridor 43,3%
  • Salame 42,9%
  • Tábua de frios 41,3%
  • Queijo coalho 40,2%
  • Queijo reino 40%
  • Tábua de queijo 40%
  • Gelo comum 35,9%
  • Chope 28,7%
  • Picanha suína 28,6%
  • Gelo saborizado 28,5%
  • Presunto especial 28,1%
  • Queijo provolone 27,8%
  • Queijo gorgonzola 26%
  • Insumo para drinques 25,5%
  • Amendoim doce 25%
  • Queijo gouda 23,9%
  • Ovo de codorna 23,8%
  • Efeito das partidas:

Fluxo em lojas

  • Alta de 8,3% na véspera do jogo (D-1)
  • Alta de 18,8% na sexta-feira antes de jogo em sábado

Gastos: variação do tíquete médio 

  • 24,4% maior na véspera
  • 69,2% maior duas horas antes do jogo
  • 18,8% maior Fluxo na sexta antes de jogo no sábado
  • 8,6% crescimento em volume comprado, se o Brasil ganhar a Copa

O que vai dominar e como o varejo pode atuar

  • Missões de Compra Planejada (D-1) e Emergencial (2h Antes) amplificam o fluxo em loja e tíquete médio nas categorias foco e conexão com saudabilidade e perecíveis
  • Ações: time na loja, repositores, todos os checkout abertos, estoque suficiente e visibilidade em loja

DIA DE JOGO

Oportunidades de venda de produtos vai do supermercado à rua, como bandeiras do Brasil | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Oportunidades de venda de produtos vai do supermercado à rua, como bandeiras do BrasilPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Quem ganha
• Supermercados e atacarejos: alta de até 18,8% nas vendas nos dias próximos aos jogos
• Bares, restaurantes e food service: alta de até 150% no movimento em dias de jogo da Seleção
• Delivery e marketplaces: captura do consumo que migra do físico para o digital nos dias de jogo 
• Comércio de bairro e proximidade:  açougues, padarias, lojas de bebidas, fruteiras 
• Eletrônicos (TVs, projetores, sound bars): demanda antecipada à estreia 
• Vestuário esportivo e produtos licenciados:  camisas da Seleção, bandeiras, acessórios temáticos 
Quem perde
• Shoppings centers: redução de até 40% no fluxo de pessoas em dias de jogo
• Varejo de moda e fast fashion: impacto negativo mais intenso
• Comércio de rua nos horários próximos aos jogos: perda de fluxo espontâneo, sobretudo no jogo de 24 de junho 
• Farmácias e itens não essenciais: desempenho inferior à média
• Serviços de estética, salões, academias: cancelamentos e remarcações em dias de jogos

Fonte: Scanntech, CNDL/SPC Brasil/Offerwise, Santander e BTG 

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