Venda de TVs acelera com Copa e se aproxima de 1 milhão de unidades em duas semanas
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Luciane MedeirosEditora
De São Paulo
Depois de um início de ano morno, as vendas de televisores ganharam força com o avanço da Copa do Mundo e já se aproximam de 1 milhão de unidades comercializadas em apenas duas semanas, segundo estimativa da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).
O desempenho recente contrasta com o resultado acumulado de janeiro a maio, quando as vendas de TVs cresceram apenas 3%, apesar de 2026 ser um ano de Mundial. De acordo com o presidente-executivo da entidade, José Jorge Nascimento, o setor foi impactado pela forte base de comparação de 2025, quando o mercado registrou o maior volume de vendas da história.
“Desde que começou a Copa já vendemos mais de 800 mil TVs, ou seja, quase 1 milhão de TVs em duas semanas. É uma venda de um mês, atrelada ao comportamento e ao desempenho da Seleção Brasileira”, afirmou durante a Eletrolar Show All Connected.
Segundo o executivo, diferentemente de outros anos, o Mundial de futebol não provocou uma corrida antecipada às lojas. Um dos motivos foi a menor expectativa dos consumidores em relação ao desempenho da equipe. “O fator Copa do Mundo não foi preponderante para a venda dos produtos porque a Seleção não estava tão boa, então as pessoas não estavam se mobilizando para ter um ambiente de confraternização, de reunião de família e de amigos”, disse.
A comparação com 2025 também ajuda a explicar o ritmo mais moderado das vendas no acumulado do ano. Segundo a entidade, o mercado de televisores alcançou no ano passado um recorde histórico, superando inclusive o desempenho observado em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo.
Enquanto as vendas de TVs mostram sinais de aceleração, o mercado de ar-condicionado segue em direção oposta, preocupando o setor. As vendas da categoria recuaram 13% nos cinco primeiros meses do ano e a produção caiu 41%, de acordo com dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
A Eletros atribui o resultado principalmente às condições climáticas mais amenas registradas até o momento em 2026 e acompanha com apreensão os possíveis efeitos do El Niño sobre o comportamento do consumidor nos próximos meses. “Estamos muito apreensivos sem saber como vai ser o El Niño”, afirmou Nascimento.
Segundo ele, caso o fenômeno provoque chuvas mais persistentes no Sudeste e no Sul, mercados importantes para a expansão do consumo de climatização, a recuperação das vendas poderá ser prejudicada. Por outro lado, uma volta das temperaturas elevadas poderia impulsionar não apenas o segmento de ar-condicionado, mas também outras categorias ligadas à refrigeração, como geladeiras, cervejeiras e adegas.
A entidade avalia que o desempenho do mercado de climatização será determinante para o resultado do setor em 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas totais da indústria eletroeletrônica cresceram 11%, puxadas principalmente pelos segmentos de linha branca e eletroportáteis. Caso haja uma recuperação, o mercado de eletroeletrônicos e eletroportáteis pode fechar o ano com alta de 20%, “se o ar condicionado virar a chave”, como diz o presidente da Eletros.

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