terça-feira, 23 de junho de 2026

PF cumpre buscas no Digimais e pede bloqueio de R$ 670 milhões contra Edir Macedo e investigados

Bispo Edir Macedo não foi alvo de buscas por residir fora do Brasil

Bispo Edir Macedo não foi alvo de buscas por residir fora do Brasil

Danilo Verpa/Folhapress/JC
Agências
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, contra supostas fraudes no Banco Digimais. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões contra investigados, como é o caso do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, dono do banco.
A suspeita é de que o banco tenha usado fundos de investimentos para maquiar um rombo bilionário. A reportagem buscava o contato com a defesa dos investigados até o fechamento deste texto. Entre os alvos das buscas, estão dirigentes do Digimais, como é o caso do bispo João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja.
Os executivos do banco Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero também foram alvos de buscas. O bispo Edir Macedo não foi alvo de buscas por residir fora do Brasil.
A PF ainda cumpre buscas em endereços de José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, donos da ID, gestora dos fundos do Digimais. Eles são suspeitos de ajudar na maquiagem contábil. A Polícia Federal afirma que após Edir Macedo assumir o controle do banco, ele passou a focar em crédito consignado e financiamento de veículos. Houve, segundo a PF, um breve período de crescimento e depois uma "severa" deterioração, com prejuízos expressivos.
Entre 2023 e 2024, então, o banco passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI. Segundo a PF, a emissão dos CDBs atrelada à "posterior decretação de liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Banco Digimais a carteiras de crédito da instituição".
De acordo com investigadores, o banco passou a fazer "sistemática superavaliação de ativos inseridos nos fundos administrados pela corretora ID. Essa manobra, de acordo com a PF, teve "o escopo de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais para viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação consubstanciando fortes evidências da prática de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis".
Em maio, o Estadão mostrou que diversos fundos de investimentos do banco haviam sido usados para maquiar prejuízos multimilionários. Uma dessas operações foi apontada pela própria auditoria independente que o banco é obrigado a contratar para entregar suas demonstrações financeiras ao Banco Central. A holding de Edir Macedo, que controla o banco, comprou R$ 741 milhões das cotas que o Digimais tinha em participação de um Fundo de Direitos Creditórios chamado Hermon.
O Hermon não é dono de um ativo rentável a curto prazo. O fundo comprou o direito a receber uma indenização judicial obtida por herdeiros da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia, que foi encampada - ou seja, teve o seu controle acionário assumido - pela ditadura de Getúlio Vargas, em 1940, no processo de criação da Vale do Rio Doce.
A Justiça Federal do Rio condenou a União a indenizar acionistas - e seus herdeiros legais - em valores atualizados equivalentes a 7 mil ações da Vale. O fundo estima ter R$ 2,2 bilhões a receber. A ação judicial é dos anos 1990 e o cálculo do pagamento gera controvérsia na Justiça, o que pode levar anos a ser resolvido. Segundo a Polícia Federal, com uso de uma longa teia de fundos da ID, adquiriu esses ativos por R$ 71 milhões, mas diversas reavaliações de seu patrimônio inflaram esse valor para R$ 741 milhões.

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