segunda-feira, 2 de abril de 2012



Alma
Zélia Duncan

Alma! Alma! Alma!

Alma!
Deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma
Superfície!
Alma!
Deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma
Da minha mão
Superfície!...

Easy! Fique bem easy
Fique sem, nem razão
Da superfície!
Livre! Fique sim, livre
Fique bem, com razão ou não
Aterrize!...

Alma!
Isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar não existe
Alma!
Como um reflexo na água
Sobre a última camada
Que fica na
Superfície!...

Crise!
Já acabou, livre
Já passou o meu temor
Do seu medo sem motivo
Riso, de manhã, riso
De neném a água já molhou
A superfície!...

Alma!
Daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
Sobrevive!
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
Superfície!...

Lisa, que me alisa
Seu suor, o sal que sai do sol
Da superfície!
Simples, devagar, simples
Bem de leve
A alma já pousou
Na superfície!...

Alma!
Daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
Sobrevive!
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
Superfície!...

Lisa, que me alisa
Seu suor, o sal que sai do sol
Da superfície!
Simples, devagar, simples
Bem de leve
A alma já pousou
Na superfície!...

Alma!
Deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma
Superfície!
Alma!
Deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma
Da minha mão
Superfície!...

Alma!
Deixa eu ver!
Deixa eu tocar!
Alma! Alma!
Deixa eu ver!
Deixa eu tocar!
Alma! Alma!
Superfície
Alma! Alma!
ALMA!


Oração das Mulheres Resolvidas

Que o mar vire cerveja e os homens, tira-gosto.
Que os nossos homens nunca morram viúvos,
e que nosso filhos tenham pais ricos e mães gostosas!

Que Deus abençoe os homens bonitos, 

e os feios se tiver tempo;

Deus...
Eu vos peço sabedoria para entender o homem,
amor para perdoá-lo e 

paciência pelos seus atos,
porque Deus, se eu pedir força, 

eu bato nele até matá-lo.

Um brinde...
Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos.
Um brinde também aos namorados 

que nos conquistaram,
aos trouxas que nos perderam 

e os sortudos que ainda vão nos conhecer!

*Que sempre sobre, que nunca nos falte, 

e que a gente dê conta de todos*!

Amém....


Homens são como um bom vinho.
Todos começam como uvas, e é dever da mulher 

pisoteá-los e mantê-los no escuro
até que amadureçam e se tornem uma 

boa companhia pro jantar. 

PEDACINHOS

Meu coração te necessita,
minha alma te reclama,

Pois sempre é difícil,
viver sem quem se ama.

Dizem que o tempo cura tudo.
Desde que me apaixonei por você,
o tempo se congelou.

É incrível como me rompeste o coração
E posso seguir te amando
com cada um dos pedacinhos.






Há coisas bonitas na vida.... !!!


Há coisas bonitas na vida....
Bonitas são as coisas vindas do interior,
as palavras simples, sinceras e significativas.

Bonito é o sorriso que vem de dentro,
o brilho dos olhos...
Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa
ou as noites enluaradas de verão
em que todos saem de casa.

É procurar estrelas no céu 
e dar de presente ao amigo,
amiga, namorado, namorada.
É achar a poesia do vento,
das flores e das crianças.

É chorar quando sentir vontade
e deixar que as lágrimas rolem
sem vergonha ou medo de crítica.
É gostar da vida e viver do sonho.
É ser realista sem ser cruel,
é acreditar na beleza de todas as coisas.

É a gente continuar sendo
gente em quaisquer situações
Bonito é você ser você. "
Como é bom ter você aqui,
por isso que te amo...
Beijinhos com gosto de Mel!


You Make Me Feel Brand New - Tradução


02 de abril de 2012 | N° 17027

ARTIGOS - Cláudio Brito*

Pessoas

Em recente evento cultural em nossa cidade, cuja pauta era a metodologia da educação, professores debatiam recursos materiais, tecnologias e novas ferramentas de apoio ao melhor desempenho pedagógico. Um dos painelistas encaminhou a assistência à reflexão ao dizer, repetir e assinalar a frase que redirecionou a programação:

– Amigos, não podemos esquecer que tudo vai muito bem, mas o importante é que trabalhamos com pessoas. Nosso foco é gente. Pessoas, só pessoas!

Não que o expositor pretendesse invalidar o tema tecnológico ou quisesse fazer qualquer desconstituição do núcleo proposto pelos organizadores, mas alertava para a relevância das pessoas para quem trabalha em educação. Logo começaram as conversas paralelas, acentuadas nos intervalos para o café e a água mineral. Reflito agora também.

Não existe atividade humana que não seja voltada para as pessoas.

O zelador de um zoológico tem como objetivo atender pessoas. Quando vai à jaula e trata do leão, faz isso por causa das pessoas que virão ao parque para olhar e curtir os animais.

Pareceu-me óbvia a conclusão, mas a ela chegaram após aquela advertência inicial. Planta-se, cultiva-se, colhe-se, tudo se faz por causa e para as pessoas. Somos seres postos sobre o planeta para uma vida de relação. Preocupa-nos o ambiente? Por causa das pessoas e não das árvores.

Para quem os frutos e a sombra? Toda a festa de beleza que a Natureza oferece tem sentido por causa das pessoas, acontece para as pessoas. Escrevemos e publicamos para sermos lidos pelos demais, que para o ermitão bastaria o pensar. E até o náufrago solitário na ilha mais deserta, ou ainda aquele que voluntariamente retirou-se, mesmo esses têm a mente voltada para as lembranças que outras pessoas causaram.

O amor e o ódio, a verdade e a mentira, quaisquer sentimentos, o sorriso e a dor, as reações das pessoas têm como alvo outras pessoas. Mesmo Narciso, em seus delírios de egocentrismo, vendo a imagem refletida no lago em que morreu, chegou à tragédia seduzido pela pessoa que o espelho d’água lhe mostrava, ainda que fosse ele mesmo, mas uma pessoa.

Não são apenas os professores, mas todos nós só daremos sentido ao que fazemos se o fizermos para todas as pessoas. Todos os atos e fatos dos homens e das mulheres têm causa e consequência nos encontros e desencontros de homens e mulheres.

O comportamento cidadão, tão desejado e que se quer construir com a solidez que as Constituições dos países respaldam, acontece em sociedade. Pessoas formam famílias, tribos, clubes e partidos políticos.

Organizam-se em empresas ou instituições, públicas ou privadas, mas sempre são pessoas que giram a roda do mundo. Da provocação daquele professor recolheu-se a certeza de que temos esquecido ou relegado à pouca relevância a verdadeira missão que nos cabe: cuidar para que as pessoas tenham motivação, interesse e lhes seja possível e agradável viver com pessoas. Pessoas, só pessoas. É o que somos.

*JORNALISTA


02 de abril de 2012 | N° 17027

KLEDIR RAMIL

K&K e Tholl

Imagine uma Maria Fumaça enorme e colorida entrando pelo palco, levando Kleiton & Kledir até a Estação de Par ou Ímpar – um lugar encantado, cheio de bichos, magia e diversão.

O pretexto da viagem é uma festa que vai acontecer, e eles não podem chegar atrasados, pois vai haver uma disputa, em que o prêmio para o vencedor é a mão da princesa e uma bolsa cheia de moedas de ouro.

A ideia de uma “viagem” remete a clássicos infantis como Alice no País das Maravilhas, O Mágico de Oz, Peter Pan e a Terra do Nunca. Um trem colorido, soltando fumaça, é um meio de transporte lúdico que já faz parte da nossa história. Nos levou a muitos lugares interessantes e dessa vez nos proporciona a travessia até um mundo de sonhos e fantasias.

Agora, imagine esse lugar encantado construído pela exuberância cênica do Grupo Tholl. Malabares, trapezistas, bailarinos, clowns, pernas de pau, rodas, patins, bicicletas, coreografias com fogo, personagens exóticos, figurinos deslumbrantes e muita alegria. O Tholl é o nosso Cirque du Soleil. A referência ao circo canadense procede, pois eles são geniais.

O diretor João Bachilli e sua trupe divertida fazem arte de alto nível, a partir de um supercentro de treinamento, em Pelotas.

E esse é outro detalhe importante: nós somos todos de Pelotas. Há uma identificação, um prazer em estarmos juntos, trabalhando, que eu não sentia há muito tempo. O clima é ótimo. Conviver com essa turma tem sido uma experiência renovadora.

Estamos montando um espetáculo diferente, um musical para toda a família, com a alegria e a beleza visual do Tholl, e uma trilha sonora original, baseada em nosso disco infantil. E, é claro, tudo isso vai virar DVD, especial de TV e muito mais.

Para criar as canções do CD Par ou Ímpar, Kleiton e eu tivemos que “desenvelhecer” um pouco até chegar àquele estado de pureza em que a fantasia se confunde com a realidade. Foi uma oportunidade de resgatar um monte de coisas boas que a gente vai perdendo pelo caminho. Nos divertimos muito dentro do estúdio.

Parecíamos duas crianças, tocando instrumentos estrambólicos, lembrando o tempo em que éramos dois guris do Interior, jogando bolinha de gude no meio da rua. O que deve ter contribuído para a aceitação e os elogios que o disco vem recebendo por todo o Brasil.

Essa aventura agora com o Tholl potencializa ainda mais essa energia boa. Os ensaios já começaram. Estamos todos animadíssimos.

Prepare o seu coração.


02 de abril de 2012 | N° 17027

PAULO SANT’ANA

O leão e o elefante

Nunca entendi como podem classificar o leão como “rei dos animais”, se o elefante é muito maior e mais forte do que o leão.

Não entendi até que assisti a um documentário filmado sobre vida animal em que se travou uma luta entre um leão e um elefante.

Foi a luta do século. Inicialmente, o leão procurava atacar as patas do elefante, é lógico, a parte que estava ao seu alcance.

O elefante desferia potentes patadas no leão. Se o atingissem, o leão sofreria um nocaute mortífero.

O leão se esquivou agilmente das patadas do elefante. E corria ao redor do elefante, evitando sua tromba.

Em dado momento, só aí percebi que o leão tinha uma meta fixa: ir para cima do elefante. É bom que se frise que o leão pesa em média 250 quilos, enquanto que o elefante tem várias toneladas.

Foi então que o leão conseguiu, no documentário notável a que assisti na televisão, ir para cima do elefante, com o auxílio de suas garras, que cravavam no couro do elefante e o arremessavam para o lombo do paquiderme.

Meio que à vontade na garupa do elefante, o leão dirigiu-se para o cachaço do elefante, o pescoço, a nuca.

E calmamente o leão começou a cavoucar com seus dentes e presas o couro do elefante. Foi abrindo caminho no cachaço do elefante, que esperneava, já antevendo sua derrota, até que, depois de uns 10 minutos, atingiu sei lá que veia transcendental do elefante que fez o gigante cambalear, em seguida tombar e logo a seguir sucumbir.

O elefante serviu a seguir de banquete para o bando de leões que assistiam expectantes ao combate.

Foi uma ocasião rara, pois, como se sabe, entre os leões as caçadoras são as fêmeas. O leão vive dormindo e as leoas saem para caçar.

Os leões machos só servem para proteger as leoas e os filhotes dos ataques de outras feras ou até mesmo de outros leões.

O leão é o dono da casa, a leoa é a empregada doméstica.

Quando as leoas apanham em bando uma presa, uma gazela, uma zebra, um javali, os filhotes vão acordar o leão para que ele participe do banquete e, não raro, o leão leva na partilha a parte do leão, como se diz.

Leões são como os cães, vivem em torno de 10 a 14 anos, só atingem 20 anos no cativeiro.

Em liberdade, vivem menos por causa das sequelas de suas lutas contra outros leões, que os vão depauperando.

Quanto às relações entre leões e elefantes, convém dizer que espertamente os leões costumam atacar filhotes de elefantes desgarrados, que se tornam assim presas fáceis.

Já, no entanto, evitam os elefantes adultos por temerem a força de sua tromba e o vigor de suas patadas.

O documentário a que assisti tratou-se de uma luta não frequente entre leões e elefantes. As duas espécies se respeitam reverencialmente na selva.

E há também registros de vitórias de elefantes sobre leões em alguns enfrentamentos.

Principalmente se mais de um elefante enfrenta um só leão.


02 de abril de 2012 | N° 17027

L. F. VERISSIMO

Bandarilheiro

Ele tinha cara e corpo de toureiro. Ou então não de toureiro, que mata o touro. De bandarilheiro, que o irrita. Afinal, o Millôr era só meio espanhol. O touro dele era qualquer coisa grande ou metida a grande, qualquer coisa com chifres que assustavam os outros, mas não ele, qualquer coisa pomposa e ridícula, qualquer coisa prepotente.

Mas, acima de tudo, o touro dele era a burrice. No lombo da burrice, ele espetava suas bandarilhas coloridas, seus epigramas pontudos, suas parábolas incisivas, suas frases marcantes, sua inteligência afiada, esquivando-se dos chifres da besta. No fim, ele só não conseguiu driblar a coisa mais burra que existe: a morte.

Especulação dolorosa: o que teria passado pelo seu cérebro nestes últimos dias, preso a um corpo inutilizado? Que memórias, que imagens ocuparam sua mente antes do fim? Ele na sua última arena, diante do seu último touro. Arena vazia, só os dois, num cara a cara final. Ele sem seus instrumentos: sem lápis, sem teclado, sem defesa.

E, na sua frente, a burrice na sua forma definitiva. A burrice total, a burrice imune a argumento ou súplica, a burrice irreversível, a burrice triunfante. Não adianta ele sugerir que ao menos dancem uma valsa, a burrice não tem senso de humor.

Nem se pode chamá-la de vingativa – ela sabe que no fim, depois das bandarilhas coloridas e de todas as piruetas, a vitória será dela. Por mais ridicularizada que ela seja, a vitória é sempre dela. E depois vem a burrice eterna.

No seu sonho terminal, o touro começa sua carga. E o bandarilheiro não consegue sair do lugar.

Bozó e Coalhada

Cada um tinha seu personagem do Chico Anysio favorito. Os meus eram o Bozó e o Coalhada. O Chico era, antes de mais nada, um grande ator e cada personagem que ele criava vinha completo, não só com trejeitos e personalidades meticulosamente observados, mas com biografia e destino claramente subentendidos.

Você adivinhava toda a vida do Bozó, sonhando eternamente com o status de ser da Globo, e do Coalhada, lembrando uma carreira no futebol que tinha pouco a ver com a realidade. Uma dentadura falsa bastava para fazer o tipo do Bozó, mas o Coalhada requeria um estrabismo meio desvairado que não podia ser simulado, era recurso do grande ator.

Chega!
Chico Anysio e Millôr, um depois do outro. Ninguém está achando graça.

domingo, 1 de abril de 2012


LINDAS E BRILHANTES!

Aceitar as estrelas
que trazemos é o que faz
a diferença entre o que
queremos ser e o que
verdadeiramente somos.

Brilhar é acreditar na
força que elas têm.
E aí então, deixar que
suas luzes se
derramem alma a dentro.




S O M O S

Somos apenas uma folha
de um pequeno galho,
de uma imensa árvore.

Somos apenas um sopro
de um pequeno suspiro
de um enorme gigante.

Somos apenas a luz de
uma simples vela
de um infinito candelabro.

Somos um grão de areia
de uma pequena duna
de um infindável deserto.

Somos apenas uma gota
de uma pequena
praia de um oceano enorme.

Somos uma faísca de uma universal
energia de um simples DEUS.



O VELHO E A FLOR

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não
se vê em cada flor.

É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.

Vinícius de Moraes



RECOMEÇOS

"Sobre cada dia ela se equilibrava
nas pontas dos pés,
sobre cada frágil dia que de
um instante para o outro
poderia se partir e cair em escuridão.

Mas ela milagrosamente
o atravessava e exausta de
alegria e cansaço chegava
a dormir para o dia seguinte
surpreendida recomeçar."

Clarice Lispector



Mentir em excesso pode ser doença, dizem especialistas

Carlos Caroni


Neste domingo, 1º de abril, comemora-se o dia da mentira. A origem do costume é controversa, mas a teoria mais aceita é de que começou na França, em 1564, quando o rei Carlos IX determinou que o Ano Novo passaria a ser celebrado em primeiro de janeiro. 

Até então, os festejos ocorriam entre 25 de março e 1º de abril e marcavam a chegada da primavera. A mudança, porém, não foi bem recebida por parte da população, que recusou-se a mudar seus hábitos e virou alvo de gozação. Não demorou muito e a brincadeira tornou-se global.

Atualmente, até mesmo sites jornalísticos com grande credibilidade divulgam notícias falsas para pregar peças em seus leitores. A explicação, é claro, é dada. No entanto, aqueles que não têm paciência para chegar ao fim do texto aceitam completos absurdos como se fossem verdades. Mas, além de uma boa oportunidade para fazer piadas com os amigos, a data suscita o debate: até que ponto as mentiras são aceitáveis?

O professor do departamento de psiquiatria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e médico do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Miguel Chalub afirma que há dois tipos de mentira: a por conveniência - que seria a "do dia a dia" -, e a compulsiva, esta sim fruto de um transtorno comportamental.
"O que a define é a total falta de necessidade. 

Como alguém que se atrasa poucos minutos para um compromisso e inventa uma grande história para se justificar. A situação não traria qualquer consequência negativa, mas a pessoa não consegue falar a verdade", exemplifica o especialista, que também trabalha na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) . A insegurança é apontada por Chalub como a principal característica do mentiroso compulsivo. "Adotam um discurso de autopromoção porque creem que não serão aceitos ou respeitados caso não se mostrem importantes", constata.

Há, no entanto, casos ainda mais graves. Pessoas que sofrem de um distúrbio psiquiátrico chamado mitomania envolvem-se de tal forma em suas mentiras, que passam a vislumbrar o cenário que criaram como parte da realidade. "É um comportamento doentio. Precisam dessas mentiras para viver. 

Como forma de sustentar uma falsa viagem a Nova York, por exemplo, buscam diversas informações sobre a cidade e acabam fantasiando que, de fato, estiveram lá. São capazes de inventar situações e descrever locais em detalhes", diz o psicólogo Paulo Coletty, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ.

Afastamento

Por mais convincente que seja o mentiroso, a tendência é que pequenos deslizes tragam a verdade à tona. E, embora a frase seja um grande clichê, é impossível negar que a base de qualquer relacionamento é a confiança. Uma vez desmascarados, explica Coletty, os mentirosos compulsivos desenvolvem alguns mecanismos de defesa. O primeiro deles é tentar atenuar a mentira, mas, na maioria das vezes, isto é feito com outra. O segundo é fazer crer que são os outros que estão mentindo. 

O terceiro é o afastamento. "A mentira corrói as relações humanas. Os mentirosos compulsivos não costumam ter muitas amizades, já que a tendência é as pessoas se afastarem com o passar do tempo. Então, eles buscam novos grupos em que possam se inserir e procuram denegrir a imagem dos antigos amigos", conclui.


AUSÊNCIA

Toca meu coração...
toca minh'alma...
diz o verbo mais bonito...
Amar...amar...e amar...
como deixar que mãos estranhas toquem meu corpo...

Se são as suas que quero sentir...
invadindo minha vida...
invadindo meus espaços...
meus traços...
invadindo o que só pertence à você...

Como posso violentar aquilo que ainda preservo...
a pureza do meu amor...
como me deixar levar por outros caminhos...

Se meus passos me arrastam ao teu encontro...
cansados de caminhar pela estrada da solidão...
pela estrada da dor...
pela estrada daquelas lágrimas que ficaram para trás..

Daqueles sonhos não vividos...
dos beijos que não beijei...
dos olhos que não olhei...
dos cabelos que não afaguei...
da voz que não ouvi colada em mim...

Como posso querer outras vozes...
se é a sua que de tão macia...
e aveludada...
invade o meu mais profundo sentir...
querer...
estou aqui...
com o coração rasgado...
dilacerado..."

MARTA BITTENCOURT




E decidi me poupar mais.

Tem sido difícil. 

E não sei se há recompensa.

Talvez, quem sabe, me sentir melhor comigo mesmo.

Um I-Ching me aconselha a “limitação”: 

Um lago não deve querer transbordar de seus limites.


Caio Fernando Abreu


Porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. 

Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia.

Me confundo com as metades que brigam dentro de mim.

Tenho uma parte que acredita em finais felizes.

Em beijo, antes dos créditos, 
enquanto outra acha que só
se ama errado. 

Tenho uma metade que mente, trai, engana. 

Outra que só conhece a verdade. 

Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés.

Outra que sobrevive sozinha. Metade autossuficiente…

Caio Fernando Abreu


PESCADOR DE ILUSÕES

VOCÊ QUE EU JÁ NEM ENCONTRO MAIS...
VOCÊ QUE JÁ NÃO ME ATENDE MAIS...
VOCÊ...
VOCÊ QUE ME TRANSFORMOU NUM ZUMBI...
SE NEM SEI SE ESTOU AQUI OU AÍ...

OU SE PAIRO NO AR...COM MEUS LAMENTOS MEUS AIS..
QUE ME ENDOIDOU...
ME ENCONTROU PRA LOGO DEPOIS DESENCONTRAR..
PARA NO MEU CORAÇÃO ADENTRAR... E ME TENTAR...

ME FEZ CANTAR...
E DE NOVO SONHAR...
ME ACARICIAR...
ME AMAR...
PARA DEPOIS ME DEIXAR...

CADÊ SUA VOZ FALANDO BAIXINHO?
CADÊ AQUELE CARINHO.?
SE O PRANTO AGORA É MEU COMPANHEIRO...
ONDE AQUELE SEU JEITO MAROTO?
EM QUE EU FAZIA TANTO GOSTO...

OH! PAIXÃO TRAIÇOEIRA
VOCE ME ESCREVEU NA AREIA
EU QUE ME SENTIA SEREIA...LUA CHEIA
AGORA ME VEJO EM TEMPESTADE
EM QUE NUVENS ME ROUBARAM A CARA METADE...

BREU!
POIS ME LEVASTE TODA A LUZ QUE ME DEU!
FOSTE PESCADOR DE ILUSÕES...
E NEM ELA ME DEVOLVEU!!!

CARMEN CECILIA



SE VOCÊ JÁ PAROU.

Para admirar o arco íris
deu um abraço e consolou alguém
que estava triste

Parou para olhar o vôo de um beija-flor ;
e procurou admirar uma rosa e
sentiu o seu perfume

E se dispôs escutar o barulho eterno
das ondas do mar.

E deixou brotar em seus lábios o
mesmo sorriso que você viu
no rosto de uma criança.

E sentiu derramar em seu rosto uma
lágrima que você viu descer triste,
pela face de alguém querido
para dizer eu te amo ou me perdoe
ou obrigado.

Se você sentiu tudo isto, se você conseguiu
compreender e observar isto tudo, na verdade,
você não parou um segundo sequer.

Você viveu da maneira mais intensa cada instante
da sua vida, você encheu de beleza a sua alma
e de amor o seu coração.

Você chegou mais perto de Deus




PAIXÃO É PAIXÃO.

É o entusiasmo intercalando
o espaço do tédio,
e não importa a que se dirige.”
“...Pode ser moedas,
esportes, política,
cavalos, música ou fé…

As pessoas mais
tristes que já conheci na
vida são as que não
se importam profundamente
com nada.

Paixão e satisfação
caminham lado a lado.
Sem elas qualquer felicidade
é apenas temporária,
porque não há o que a faça durar.

Nicholas Sparks


SILÊNCIO, NOSTALGIA...

Silêncio, nostalgia...
Se alguma coisa importa,
tudo importa.
Como você é importante,
tudo o que faz
é importante.
Todas as vezes que você perdoa,
o universo muda;
cada vez que estende a mão
e toca um coração
ou uma vida, o mundo
se transforma;
a cada gentileza e serviço,
visto ou não visto,
Meus propósitos são realizados
e nada jamais será igual.

William Young








DANUZA LEÃO

As noites sem dormir

Será um problema físico, ou sinal de uma mente atormentada? Não dá para ler, não dá para trabalhar

Existem os que deitam na cama e dormem. Simplesmente dormem, dormem a noite inteira e acordam na manhã seguinte leves, descansados, de bom humor. E há os outros, os que não têm sono nunca.

Mesmo que estejam cansados, exaustos, eles simplesmente não conseguem dormir. A cabeça não para de pensar, seja no que for; esses não têm descanso, não têm paz, e volta e meia olham o relógio para ver quanto tempo se passou, há quanto tempo estão tentando, quanto falta para o dia clarear, e pensam em como vão poder trabalhar no dia seguinte, já que não dormiram.

Dizem que dormem bem os que têm a consciência leve, mas conheço muitos que a têm bem pesada, mas que põem a cabeça no travesseiro e dormem o sono dos justos.

Os insones tentam de tudo. Desde os chás mais inocentes à ioga, aos antialérgicos -dizem que são ótimos-, até chegarem aos quase pré-anestésicos. Com esses conseguem dormir por algumas horas, mas como o efeito dura pouco, acordam de madrugada, ligados, sem saberem o que fazer.

Como se conhecem bem, evitam pensar em problemas, em tristezas. Fazem planos para uma futura viagem, uma possível mudança de casa, de vida, não pensam nunca em coisas tristes e fazem os planos mais absurdos para o futuro, mas nem assim. Conheço um que escolheu o número 650, sei lá por que, e vai contando ao contrário: 649, 648, e assim vai indo -e nada. Quando consegue dormir um pouquinho, é um sono tão leve que nem tem a certeza se dormiu ou não.

Será um problema físico, ou sinal de uma mente atormentada? Nas horas em que ficou estabelecido que devemos estar dormindo, não dá para ler, não dá para trabalhar, não dá para fazer nada, a não ser ficar agoniado e pedir a Deus para adormecer. Com o universo dormindo, os insones só pensam em uma coisa, que é também dormir.

Conheço um a quem aconselharam chá de maconha; ele comprou um pacotinho -todo mundo tem um amigo para essas coisas-, disse para que era (o amigo não acreditou), fez o chá, e nada. Pensou então que seu sonho seria um anestesista todos os dias, às 11h30 da noite.

Esse mesmo amigo, depois de consultar vários médicos, soube que a partir dos 60 ninguém precisa das famosas oito horas de sono; cinco são mais do que suficientes, e deram o exemplo dos bebês, que quando nascem, dormem quase o tempo todo. Ok, cinco horas por noite; mas como conseguir dormir cinco, e como administrar o resto do tempo?

Ele tentou alugar filmes; vários filmes. Se eles eram bons, o sono não vinha, claro, e se eram ruins, não dava para assistir. Não, não foi por aí. Uma sexta-feira resolveu não tomar remédio algum e passar a noite em claro sem angústia, sem pensar em dormir; o tempo não passava, aconteceram alguns cochilos, e só.

Lembrou que nunca dorme em longas viagens de avião, mas tinha pelo menos no que pensar: como seria bom quando chegasse, as coisas que iria ver, as novidades de uma cidade nova. Mas dentro do quarto era bem diferente. Se ao menos o telefone tocasse; mas quem iria telefonar às 3h da manhã?

Teve a ideia de fundar um clube, o clube dos que não dormem, para ter com quem falar, nas madrugadas, mas o projeto não prosperou.

Vou confessar: tudo o que contei se refere a mim, que nunca tenho sono, e mesmo quando tomo uma bola, resisto a dormir, penso que com medo.

Porque dos pensamentos consigo me defender, mas não dos sonhos.

danuza.leao@uol.com.br


Carro com acesso à internet está próximo

Tecnologia já existe, mas é limitada; fabricantes desenvolvem protótipos para permitir acesso com segurança

Colaboração entre montadoras e empresas de telefonia serão fundamentais para implementar tecnologia

THAÍS VILLAÇA - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

No começo, era o silêncio. Depois vieram equipamentos de som rudimentares, toca-fitas, aparelhos de CD, MP3, GPS e, agora, internet. As tecnologias para acessar a web do próprio carro -e não a partir do celular- ainda engatinham, mas o futuro é promissor e está próximo.

Plínio Cabral Júnior, diretor de engenharia elétrica da GM América do Sul, afirma que a empresa trabalha ativamente para que seja possível acessar a internet de equipamentos instalados no carro."Temos protótipos prontos, essa tecnologia deve chegar às ruas antes do previsto."

E-MAILS AO VOLANTE

Aparelhos que permitem acesso à internet, como centrais multimídia com funções semelhantes às de um smartphone, já são encontrados em lojas especializadas, mas são raros e caros -podem custar mais de R$ 3.000.

"Esperava que os novos equipamentos fossem estourar no país, mas isso não aconteceu, talvez pelo alto custo. Há aparelhos em que basta colocar o chip da operadora para se conectar, mas são poucas as opções", afirma Robert Amorin, supervisor técnico da Falcon, empresa de acessórios automotivos.

A colaboração entre as operadoras de telefonia e as montadoras é fundamental para que a internet veicular seja eficiente. "Já vi o sistema funcionando com o automóvel parado, mas, em movimento, é provável que ocorram problemas de interferência e queda de sinal", diz Amorin.

Outra questão importante é a legislação. O Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) não tem resolução específica para normatizar a internet nos carros, mas é provável que as regras sejam as mesmas aplicadas a aparelhos de DVD e TV: a conexão deverá ser bloqueada quando o veículo entrar em movimento.

Uma solução para a segurança é o uso de comandos de voz. "Como alguns carros já aceitam ordens verbais para ligar faróis ou baixar os vidros, é possível estender o sistema para a internet, tornando possível responder a e-mails por meio da fala", afirma Cabral.

Para não distrair o motorista, empresas têm se concentrado no entretenimento do passageiro de trás. Principalmente crianças, que costumam ficar entediadas após longas horas na estrada.

Centros de pesquisa da Toyota e da GM criaram sistemas de interatividade nas janelas traseiras. É possível desenhar, jogar, conectar-se à internet e assistir a filmes diretamente no vidro do carro.

Em março, a multinacional norte-americana Intel anunciou a criação de um fundo de investimentos de US$ 100 milhões para inovações tecnológicas automotivas, com foco no carro conectado.

"Ao ampliar nossos esforços de pesquisa, queremos aprofundar a compreensão sobre como as pessoas interagem com seus automóveis", diz Paul Otellini, presidente e CEO da empresa.