terça-feira, 20 de outubro de 2026

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Resultados das atuais eleições já projetam sinalizações para o pleito de 2028. Em Caxias do Sul, o fim do ciclo de Adiló Didomenico abre espaço para disputa polarizada. Já o prefeito em Canoas, Airton Souza, deverá tentar reeleição, mas o grupo político poderá rachar, diante do distanciamento do vice, Rodrigo Busato

O que as urnas indicam para as principais prefeituras do Interior

O resultado das eleições em 4 de outubro ensaia o cenário para a disputa das prefeituras em alguns dos maiores municípios do RS além de Porto Alegre. Em Caxias do Sul, Canoas, Pelotas e Santa Maria, parlamentares bem votados e até mesmo quem não obteve êxito nas urnas projetam candidaturas em 2028.

Com 342 mil eleitores, Caxias do Sul é o segundo maior colégio eleitoral gaúcho. O fim do ciclo do prefeito Adiló Didomenico (PSD), que exerce o segundo mandato, abre espaço para uma disputa polarizada na principal cidade da Serra. Mais votado na bancada gaúcha, com 379 mil votos, o deputado federal reeleito Maurício Marcon (PL) desponta como um expoente da direita. Com ele também emerge Maurício Scalco (PL), que perdeu o segundo turno para Adiló em 2024 por apenas 6 mil votos e agora se elegeu deputado estadual também com expressiva votação na cidade.

Outros dois nomes cotados no PL são a vereadora Daiane Mello, forte liderança comunitária do bairro Fátima e eleita para a Assembleia Legislativa, e o deputado estadual reeleito Claudio Branchieri, apontado como favorito para assumir a Secretaria da Fazenda do governo Luciano Zucco.

Na esquerda, a deputada federal Denise Pessôa se consolidou como principal nome do PT ao conquistar o segundo mandato na Câmara, agora como a terceira mais votada do partido, quase metade em Caxias. Em 2024, ela havia ficado de fora do segundo turno por uma diferença de 2,8 mil votos.

Mais tradicional partido local, pelo qual três caxienses se elegeram governadores (Pedro Simon, Germano Rigotto e José Sartori), o MDB não tem um candidato natural. A crise vem desde 2024, quando a sigla não conseguiu eleger nenhum vereador.

No governo, Adiló não tem um candidato natural. O atual vice, Edson Néspolo (UB), e a vice no primeiro mandato, Paula Ioris, que concorreu a suplente de senador na chapa derrotada de Frederico Antunes (PSD), são dois nomes cogitados.

Prestígio do pai

Em Canoas, na Região Metropolitana, o prefeito Airton Souza (PL) está em primeiro mandato e deve tentar a reeleição. Seu grupo político, porém, começa a se dividir. Nos últimos meses, houve um distanciamento do vice, Rodrigo Busato (União).

Filho do deputado federal reeleito e ex-prefeito Luiz Carlos Busato, Rodrigo tem pretensão de apresentar seu nome à sucessão municipal, escorado no prestígio do pai, o segundo mais votado no município para a Câmara dos Deputados, com 10 mil votos. O partido também abriga Eric Douglas, vereador que obteve 23 mil votos para deputado estadual, mais do que o dobro de Busato. Todavia, Douglas esbarra no domínio que a família Busato tem sobre o partido na cidade.

Considerado um dos políticos mais populares de Canoas, o ex- prefeito Jairo Jorge anunciou em julho sua saída da vida pública, abrindo caminho para novos nomes ligados à esquerda. No PT, o vereador Gabriel Constantino, de 26 anos, é aposta de renovação, enquanto a ex-vereadora Maria Eunice, vice de Jairo Jorge na última eleição, perdeu força nas urnas após obter só 3 mil votos no município ao concorrer a deputada estadual. Nomes como Jonas Dalagna (PP) e Alexandre Gonçalves (PDT) correm por fora. _

Os concorrentes em Santa Maria

Em Santa Maria, na Região Central, o atual prefeito Rodrigo Décimo (PSD) é postulante natural à reeleição. Eleito com o apoio do ex-prefeito Jorge Pozzobom (PSD), de quem era vice, Décimo enfrenta desgastes locais, com a tentativa de aprovação de uma reforma da previdência dos servidores municipais.

Agora ele vive sob a sombra de Pozzobom, que é cotado para tentar um novo mandato à frente do Executivo após tentativa frustrada de se eleger deputado estadual. Duas vezes prefeito e secretário do governo Leite, Pozzobom ficou apenas na sétima suplência do PSD, com 22 mil votos, mas 17 mil deles em Santa Maria. No governo, outro nome que desponta é Lúcia Madruga, vice de Décimo e que foi secretária de Educação de 2018 a 2024.

Cogitações

Na direita, Roberta Leitão surge como principal nome do PL. Presidente do partido no município e ex-vereadora, ficou em terceiro lugar na eleição passada à prefeitura. Agora ela tentou uma cadeira na Assembleia legislativa, mas obteve somente 18 mil votos, 14 mil em Santa Maria, e ficou de sexta suplente. Giuseppe Riesgo e Ricardo Jobim, ambos do Novo, também podem concorrer. Riesgo não conseguiu se eleger deputado estadual e Jobim é suplente de Marcel van Hattem no Senado.

Na esquerda, a derrota de Paulo Pimenta ao Senado suscita cogitações de que ele possa concorrer a prefeito, sobretudo se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perder a eleição. Deputado federal mais votado da história do PT, Pimenta fez 60 mil votos na cidade e é o maior nome de seu campo político. Outro expoente do partido é Valdeci Oliveira, duas vezes prefeito e agora eleito deputado federal. Por fora, corre o nome do vereador Sidi Cardoso, segundo suplente do PT à Assembleia Legislativa. _

Disputa entre PT e PL em Pelotas

Ao Sul, em Pelotas, as urnas projetam nova disputa entre o prefeito Fernando Marroni (PT) e o deputado federal eleito Marciano Perondi (PL). Eleito em 2024, Marroni é nome certo à reeleição. Ele governou a cidade entre 2000 e 2004 e exerceu mandatos de deputado federal e estadual antes de voltar ao comando do município.

Na última disputa pela prefeitura, ele venceu Perondi no segundo turno numa das mais acirradas disputas do país. Marroni teve 50,36% dos votos, ante 49,64% de Perondi, uma diferença de 1.236 votos. Sem nomes fortes de centro, a tendência é de que eles voltem a se enfrentar, ainda mais agora que Perondi conquistou 73,9 mil votos para a Câmara, 51,7 mil deles em Pelotas.

Alternativas

Uma alternativa a Perondi seria o deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB), que não conseguiu renovar o mandato. Em 2024, Daniel não seguiu a orientação do PSDB de apoiar Marroni no segundo turno e fez campanha para Perondi.

Na época, ele foi alertado de que poderia estar dando suporte a um candidato que poderia lhe tirar o mandato na eleição seguinte. Abertas as urnas, Daniel colheu 29 mil votos na cidade, uma redução significativa perto dos 43 mil obtidos em 2022. Agora ele deve trocar de partido e já falou em postular uma candidatura a prefeito.

No PSD, a ex-prefeita Paula Mascarenhas também é citada como possível candidata. Ela tentou uma vaga na Assembleia Legislativa, mas ficou na segunda suplência, com 35 mil votos - 24 mil em Pelotas.

Nos bastidores, porém, PT e PSD já começaram as primeiras conversas em torno de uma eventual aliança para enfrentar a direita no município em 2028. 

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