
Primeiro confronto entre Lula e Flávio foi vazio de ideias
Foi por um debate desses que esperamos tanto? O nível do confronto a que os brasileiros assistiram na noite deste domingo, na Band, foi um dos mais lamentáveis da história do Brasil.
Frente a frente, Lula e Flávio Bolsonaro protagonizaram um debate cansativo, chato e inútil. É improvável que tenham conseguido alguma troca de voto. No máximo, os dois candidatos conseguiram aumentar o contingente de eleitores dispostos a votar branco ou nulo ou ficar em casa no dia 25 de outubro.
Em vez de propostas factíveis, baseadas na realidade do Brasil, o que preponderou foram os ataques de parte a parte, com um candidato acusando o outro de mentir - e ignorando as perguntas do adversário.
A batalha de rejeições, já verificada no primeiro turno, se intensificou com os dois querendo mostrar que o outro é pior. Lula perdeu tempo demais tentando arrancar de Flávio uma resposta comprometedora sobre sua relação com Daniel Vorcaro, a quem pediu R$ 134 milhões. Flávio, da mesma forma, insistiu em arrancar de Lula uma resposta comprometedora sobre Roberta Luchsinger, a amiga lobista de seu filho Lulinha.
O presidente disse que Roberta é assunto para a Polícia Federal e Flávio seguiu no assunto como se todos os espectadores tivessem assistido à entrevista de Roberta à CNN na noite de sábado. Quem não assistiu, ficou boiando, mas ele conseguiu desestabilizar o adversário.
Faltou educação, respeito e civilidade
Mesmo nas perguntas da produção, as respostas foram vagas e sem fundamento. Teve momento 5ª série, deboche, cara de mau, tentativa de atrapalhar o concorrente. E o eleitor em casa? Foi tratado como um tolo, em generalizações que desconsideraram o Brasil real.
Flávio atingiu o objetivo de atrapalhar o adversário, caminhando atrás de Lula e fazendo caras e bocas enquanto o presidente falava. Passou uma imagem de arrogante e, ao mesmo tempo, infantil. A plateia contribuiu para piorar o que já estava ruim, fazendo manifestações que obrigaram os mediadores a intervir, pedindo silêncio. Faltou educação, faltou civilidade, faltou respeito. _
Presidente faz bravata com quebra de sigilos bancário e telefônico
A autorização para a quebra do sigilo telefônico e bancário dele e dos cinco filhos, anunciada pelo presidente Lula ao chegar ao Largo dos Açorianos, ontem, é bravata. Um ato meramente político, continuação de uma provocação feita ao adversário Flávio Bolsonaro no debate da Band (domingo à noite).
No confronto, Lula desafiou Flávio a abrir mão dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. Flávio não respondeu se abriria, só riu e disse que Lula "nem tem celular".
Se alguém quer expor seus dados pode pedir extratos aos bancos, à Receita Federal e à companhia telefônica e colocar na internet. A Justiça não quebra sigilos a pedido de uma pessoa que deseja provar honestidade.
Lula trouxe impressa uma cópia da autorização e a entregou ao ex-governador Tarso Genro. Sob aplausos de militantes do PT e do PSOL, Lula atacou o adversário e disse que não admitia ser chamado de corrupto por um miliciano que não consegue explicar como comprou uma casa de R$ 10 milhões, ganhando o mesmo salário dele, o presidente.
Juliana veste camiseta vermelha na manifestação
Derrotada no primeiro turno da eleição, Juliana Brizola (PDT) chamou atenção ao aparecer no Largo dos Açorianos vestindo uma camiseta vermelha com a foto de Lula. É que na campanha ela evitou a cor vermelha e a associação ao PT, com medo de perder votos.
A estratégia não deu certo. Lula fez 2.294.959 votos no Rio Grande do Sul e Juliana, 1.917.374.
Mesmo que ela tivesse acompanhado a votação do presidente, teria ficado mais de 1 milhão de votos atrás de Luciano Zucco (PL), eleito governador no primeiro turno. Zucco fez 3.516.048 votos.
Ontem, Lula se confundiu e chamou a candidata de Júlia. _
Prefeituras temem rombo de R$ 35 bi
Promulgada na semana passada, a emenda à Constituição que acabou com a escala de trabalho 6x1 e reduziu a jornada semanal para 40 horas preocupa prefeitos. O principal temor é com o fechamento das contas, já que, segundo estudo contratado pela Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas (FNP), o impacto negativo poderá alcançar até R$ 34,7 bilhões no orçamento das cidades.
A estimativa é ainda mais pessimista do que o estudo realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que calcula prejuízo de R$ 6,6 bilhões. Realizado pela Finance Consultoria, o levantamento da FNP obteve resposta de 28 municípios, que representam 16,5% da população brasileira e mais de 22% do PIB nacional.
Uma baixa na hora decisiva
Responsável pela criação do Exército do Lula, que sacudiu as redes sociais até então dominadas pelos influenciadores do PL, o deputado federal André Janones foi parar na UTI depois do debate na Band.
Janones teve uma arritmia cardíaca grave e foi levado às pressas para o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. Foi dele a ideia de sugerir aos seguidores que inundassem o Google, buscando termos como "Flávio miliciano".
PGR dá aval a ação de Mendonça
O ministro Alexandre de Moraes sofreu mais uma derrota ontem na queda de braço com o colega André Mendonça, relator do caso Master.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a abertura de uma investigação por abuso de autoridade por parte de André Mendonça.
A representação tinha sido apresentada por Moraes, que pedia para ser julgado junto com o colega.
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