terça-feira, 21 de julho de 2026

 

Rodrigo Lopes

A Copa mais política da história

Você deve ter visto - caso contrário, dê um Google e reveja a cena: Donald Trump e Gianni Infantino entregam a taça de campeã da Copa ao capitão da Espanha, Rodri.

O protocolo recomenda que os dois deixem o pódio. A festa deveria ser apenas da seleção. Mas Trump se recusa a deixar o palco, mesmo com Infantino o convidando a se retirar. Quer protagonismo, como sempre, como se tudo fosse sobre ele. Aliás, o presidente já tinha feito algo parecido na final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, entre Chelsea e Paris Saint-Germain, no ano passado, ali mesmo no MetLife Stadium.

Era o ato final, literalmente, de uma Copa marcada por atos políticos - como todas, aliás. Mas, nesta, até pela complexidade do cenário global nesta terceira década do século 21, provavelmente as interferências entre geopolítica e futebol foram mais intensas.

Questões de imigração, conflitos armados, interferências na disputa e até ambiente foram algumas das marcas da maior de todas as Copas. _

Além do futebol

A coluna escolheu sete episódios que mostram como a geopolítica rivalizou com o que ocorria dentro de campo.

Guerra no Irã

Pela primeira vez, um país anfitrião de uma Copa, os EUA, estava em guerra com outra nação, o Irã. Por determinação das autoridades de imigração, a delegação iraniana não pôde pernoitar em território americano. Como alternativa, a seleção concentrou-se no México (outro país sede), viajando de avião para os EUA apenas nos dias dos jogos e retornando imediatamente após o final das partidas.

Camisa censurada

A Fifa censurou o uniforme da seleção haitiana, na qual uma ilustração fazia referência à Batalha de Vertières (1803), marco da independência do país, contra as tropas de Napoleão Bonaparte. A entidade entendeu que havia referência política na mensagem, o que é proibido.

Árbitro deportado

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor do continente em 2025, teve seu visto de entrada negado e acabou deportado de volta a seu país. A alegação americana é de que ele seria suspeito de envolvimento com o terrorismo. O governo não apresentou provas públicas para embasar as acusações.

O caso Balogun

A amizade entre Trump e Infantino é antiga. Em 2025, o presidente da Fifa premiou o líder americano com a primeira edição do Prêmio de Paz. Durante a Copa, Trump interferiu diretamente para que a Fifa anulasse um cartão vermelho recebido pelo atacante dos EUA, Folarin Balogun, durante jogo contra Bósnia e Herzegovina. Ele elogiou publicamente a anulação do lance e admitiu ter conversado com Infantino, embora ambos tenham negado qualquer interferência direta no comitê de arbitragem.

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Argentina e Malvinas

A soberania das Ilhas Malvinas (Falkland Islands, para os britânicos) era tema de fundo do jogo entre Argentina e Inglaterra. Mas, no final da partida da semifinal, houve um fato concreto: uma bandeira com a inscrição "As Malvinas são argentinas" foi exibida por alguns jogadores. O governo britânico solicitou oficialmente à Fifa que investigue a seleção argentina pela exibição da faixa.

Autonomias espanholas

No pódio, os jogadores espanhóis exibiram diferentes bandeiras regionais - e não apenas a da Espanha (veja ao lado). Apareceram das Ilhas Canárias, o símbolo da Comunidade Valenciana, da Galícia; da cidade de Terrassa; de Andaluzia; e de Roquetas de Mar, por exemplo.

Ambiente

O calor extremo tornou obrigatórias as pausas para hidratação. Os incêndios florestais no Canadá levaram cinzas até New Jersey. A dois dias da final, o MetLife estava envolto por uma névoa.

Um registro para a eternidade

Já está presente no acervo do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul a máscara mortuária de Eduardo Sarmento Leite da Fonseca, personagem considerado um dos maiores ícones da medicina no Estado. A família doou o item à instituição no último mês.

Falecido em 1935, Sarmento Leite foi fundador e consolidador da Faculdade de Medicina de Porto Alegre (UFRGS), além de professor, diretor, cirurgião e protagonista da organização sanitária gaúcha.

A peça, produzida pelo artista André Arjonas, ficará disponível para pesquisa e preservação histórica. _

Comunidades da Espanha

Diversos atletas espanhóis celebraram a conquista da Copa com estandartes de comunidades autônomas do país. Pedri e Yéremy Pino, por exemplo, estavam com a bandeira das Ilhas Canárias. O responsável pelo gol do título, Ferran Torres, trazia o símbolo da Comunidade Valenciana; Borja Iglesias, a bandeira da Galícia; Dani Olmo carregava o símbolo da cidade de Terrassa; Gavi com a bandeira de Andaluzia; e Álex Baena, o de Roquetas de Mar.

O episódio remete à história da própria formação da Espanha. O país se consolidou a partir da unificação de diferentes reinos ao longo dos séculos 15, 16 e 17, processo concluído centralmente no início do século 18.

A partir da redemocratização e da promulgação da Constituição de 1978 - após o fim da ditadura de Francisco Franco -, o Reino da Espanha passou a ser organizado em 17 comunidades autônomas e duas cidades autônomas.

Algumas regiões mantêm um forte sentimento de identidade. País Basco e Catalunha abrigam movimentos separatistas. _

O Nobel contra Trump

Em sua newsletter, o Nobel de Economia Paul Krugman defendeu o Pix e criticou Donald Trump por impor tarifas contra o Brasil: "Usar tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso. Politicamente, a medida só fortalecerá o presidente Lula. Economicamente, o alcance das tarifas será limitado pelos temores do governo Trump de que os preços do café, do suco de laranja, da carne bovina e de outros produtos subam ainda mais". _

CEOs mulheres

O RS aparece como o terceiro Estado brasileiro com maior presença de mulheres em cargos de CEO, segundo o estudo Women at the Top 2026, realizado pelo Evermonte Institute. O levantamento identificou que 7,5% das executivas analisadas atuam em empresas gaúchas, posicionando o Estado atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro no ranking nacional. Entre as executivas destacadas na pesquisa estão Aline Eggers Bagatini, CEO da Fruki Bebidas, e Cristine Grings Nogueira, CEO da Piccadilly. _

INFORME ESPECIAL

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