29 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira
Flávio não pode ser punido por usar imagem do pai feita com IA
De todos os problemas que rondam a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), o menor deles é ter usado a figura do pai, Jair Bolsonaro, em um vídeo produzido por inteligência artificial. Não há na lei nada que proíba um candidato de usar na convenção do seu partido um vídeo em que deixa claro desde a primeira frase ser um produto de IA. Pedir a inelegibilidade de Flávio por esse motivo é litigância de má-fé.
Da mesma forma, não faz sentido punir Jair Bolsonaro com a volta para a Papuda por causa do dito vídeo. Goste-se ou não do ex-presidente, ele não pode ser responsabilizado por um vídeo do qual não participou. O texto é da assessoria de Flávio, transformado em fala de Bolsonaro por um programa que imita a voz do ex-presidente. Não é deepfake - definição que se aplicaria se alguém fizesse o vídeo tentando enganar o público, como se a voz daquela pessoa fosse verdadeira.
Flávio tem razão quando compara o vídeo a um boneco. E é. A Justiça Eleitoral não pode punir um candidato pelo que não está na lei. O que a lei proíbe é o uso de manipulação na propaganda eleitoral, seja a favor do candidato, seja contra um adversário. Não é o caso.
Grave foi o que o Flávio fez na reunião com diplomatas, insinuando que o sistema eleitoral não é confiável e colocando as urnas eletrônicas sob suspeição, como fez o pai em 2022. Grave é sua relação com Daniel Vorcaro, de quem recebeu R$ 63 milhões para, supostamente, financiar a produção do filme Dark Horse. Grave é o lobby do irmão junto ao governo dos Estados Unidos para punir o Brasil e que resultou no tarifaço.
A participação do presidente argentino Javier Milei na convenção também não é motivo para questionamento da candidatura. O eleitor é quem vai avaliar se a manifestação destemperada do argentino, com insultos a autoridades brasileiras, adiciona ou subtrai. À Justiça cabe aplicar a lei e não fazer julgamentos subjetivos.
Lula usa visita para fazer propaganda do SUS
A visita do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, ao Hospital Federal de Andaraí, no Rio de Janeiro, ao lado do presidente Lula, serviu para fazer propaganda do SUS.
Ao apresentar uma unidade odontológica móvel conseguiu uma foto emblemática, que correu o mundo pelos portais de notícias. Sentado na cadeira do paciente, Tedros abre a boca para que Lula simule um atendimento. O presidente também apresentou a Tedros um moderno equipamento de radioterapia para dizer que, no Brasil, o paciente do SUS tem acesso à mesma tecnologia de quem faz radioterapia em um hospital privado. Lula contou a Tedros que fez 15 sessões de radioterapia para tratar um câncer de pele no couro cabeludo no Hospital Sírio Libanês:
- Fiz numa máquina que qualquer pobre do Brasil pode fazer, qualquer pessoa mais humilde, de qualquer lugar do Rio.
E sugeriu a Tedros que conte isso ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que quer cortar as verbas para a OMS.
Maranata fala dos desafios do RS
Tereza Cristina admite concorrer a presidente
"Ministra, vamos para presidente", escreveu um empresário participante do grupo. "Estou pronta", respondeu Tereza Cristina. Em seguida, outros participantes encaminharam manifestações de apoio e emojis de palmas, bênçãos, positivo e taça dourada. Diante da empolgação, a ex-ministra fez uma ressalva: "Mas não depende só de mim. Meu partido precisa me dar legenda".
A ex-ministra da Agricultura vinha dizendo que não aceitaria ser vice de Flávio porque seu projeto era disputar a presidência do Senado. Ontem, ela admitiu concorrer ao Planalto. Caso isso se concretize, o que precisa ocorrer até 4 de agosto, fracionará ainda mais os votos da direita, hoje representada por Flávio, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
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