29 de Julho de 2026
CARPINEJAR
Esta coluna contém informação e opinião
Os nomes divertidos de cachorros
Os pais não esperam o bebê nascer para dar um nome. Não conhecem o filho ainda para nomeá-lo. É um batismo feito no escuro. Na genealogia humana, somos treinados a definir a graça da pessoa durante a gestação.
Já no mundo canino, existe o costume de olhar primeiro o animalzinho para então criar o apelido, levando em conta a aparência, os hábitos, os trejeitos. O que explica por que os cachorros exibem a cara e a fuça do seu nome. Você não consegue concebê-los de maneira diferente.
Meu amigo Nilson Vargas, ex-colega da RBS, cuida do Cookie. É realmente Cookie: um Shih Tzu com orelhas grandes, olhinhos cobertos de pelo, cauda de almofada e fofura extrema.
Se, no IBGE, os bíblicos Maria e José seguem reinando, os cães recebem requintes de pluralidade, representando o melhor da confeitaria, da padaria, da galeria de super-heróis. Em 2025, a PetLove fez uma pesquisa com 1,8 milhão de bichinhos e catalogou os nomes mais comuns.
Os mais populares para fêmeas são Mel, Luna, Amora, Nina e Maia. Entre os machos, lideram Thor, Luke, Theo, Bob e Apolo. Nem dependem de um sobrenome para pertencer à nossa família.
Quem teve um parceiro de estimação entende a mágica, que se estende da infância aos marmanjos mais coroas. O nome vem dos ecos dos recreios da escola, de uma comparação jocosa, de uma experiência positiva com a cultura. Isso aumenta o apego com seu xodó. Você passa a gostar mais dele porque ele é parte de seu desejo, surgiu de sua imaginação, de sua observação espirituosa.
Pela cor, pode ser Chocolate, Cacau, Brownie, Nutella, Jujuba. Pelo tamanho, pode ser Pingo, Miúdo, Farelo, Toquinho, Pitoco, Nina, Bolinha. Pela força, pode ser Titã, Gigante, Colosso, Hulk, Sansão, Zeus e Everest.
Pela simpatia, pode ser Lili, Lolô, Lulu, Fifi, Didi, Kiki, Bibi, aquela duplicação de sílabas que parece se originar da fala de uma criança pequena. Pela comicidade de amar atrapalhadamente, pode ser Mingau, Bolacha, Paçoca, Pipoca, Polenta, Pudim, Amendoim, Xis, Chanel.
A raça é secundária; o que prevalece é como se chama. Nas praças, nos parques, torna-se um chamariz para atrair a atenção e roubar afagos de estranhos. Não é apenas uma designação, mas um destino.
A intimidade desponta antiga na memória. A partir de uma risada. De um paralelo lírico que antecipa os dotes e o comportamento da fera do lar. Vale todo o cardápio, da entrada à sobremesa. Na maioria dos casos, ocorre a transferência de um apetite, de uma gula preferida.
Alguns recorrem aos clássicos Rex e Totó. Outros homenageiam cachorros famosos de filmes e desenhos, como Bidu, Lassie, Floquinho e Marley. Há quem se sinta livre para mencionar baluartes, referências enciclopédicas como Freud, Lacan e Frida. Cantores e cantoras como Amy, Mick, Lennon, Ozzy ou Madonna ganham o microfone dos latidos.
Nunca é só um cusco. O amor não deixa ninguém renguear de frio. _

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