terça-feira, 28 de julho de 2026

28 de Julho de 2026
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Além da precipitação volumosa, os próximos dias podem ser marcados por descargas elétricas frequentes e rajadas de até 100 km/h. Três rios já passaram da cota de inundação e pelo menos outros quatro estão sob risco durante a semana

RS tem alerta de grande perigo para chuva intensa

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou o Rio Grande do Sul sob alerta de "grande perigo" hoje devido à previsão de chuva superior a 100 mm para o dia. O volume expressivo traz risco elevado de alagamentos, deslizamentos de encostas e transbordamento de rios.

O cenário é agravado pela continuidade da chuva ao longo da semana. Até domingo, os acumulados devem ultrapassar 200 mm em diversas regiões, volume que já pressiona os mananciais gaúchos. Ontem, pelo menos três rios em quatro cidades já tinham atingido a cota de inundação: Uruguai, Jacuí e Sinos.

Diante do volume d?água acumulado, o meteorologista da Climatempo Gustavo Verardo aponta que o foco de atenção deve se concentrar nas bacias que já se encontram em níveis elevados, onde o risco de cheia é imediato, especialmente no oeste, nas Missões e no centro do Estado.

Além da elevação dos rios, o Estado enfrentará tempestades severas. O meteorologista prevê granizo de grandes dimensões - o que já ocorreu em algumas cidades ontem -, descargas elétricas frequentes e rajadas de vento de até 100 km/h.

A Defesa Civil e a Climatempo mantêm ainda monitoramento especial para a possibilidade de eventos extremos.

- Não se descarta a formação de supercélulas que podem dar origem a tornado. O risco é muito baixo, mas não se pode descartar - aponta Verardo.

O alerta vermelho do Inmet divulgado ontem destaca ainda grande risco de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas. As áreas afetadas incluem as regiões Sudoeste, Centro Ocidental, Noroeste, Sudeste, Centro Oriental, Nordeste e metropolitana de Porto Alegre.

A Defesa Civil estadual publicou avisos vermelhos para o risco muito alto de inundações. No Rio do Sinos, a área de maior risco é o município de São Leopoldo.

Já no Rio Uruguai, o risco de inundação afeta as cidades de Itaqui e Uruguaiana. Os avisos são válidos até as 9h de hoje. O órgão orienta que a população evite áreas inundáveis.

Porto Alegre

De acordo com a Climatempo, a instabilidade é provocada por uma área de baixa pressão associada ao avanço de uma frente fria. Ressalta ainda que há risco elevado para descargas elétricas, granizo e rajadas de vento que podem superar os 90 km/h de forma localizada e não descarta a ocorrência isolada de tornado. O solo encharcado e os rios elevados agravam o risco de transtornos.

Ao final da tarde de ontem, Porto Alegre enfrentou transtornos por causa de chuva forte. Vários pontos de alagamentos foram registrados, principalmente na Zona Norte, além de atrasos em voos no aeroporto Salgado Filho. _

Participaram Caroline Garske e Juliano Lannes

Próximos dias

A instabilidade se desloca pelo território gaúcho amanhã, mas apresenta uma breve janela de trégua na quinta-feira, antes de uma nova frente fria no fim da semana.

Amanhã

A chuva mais intensa migra para a Serra, Vales e Região Metropolitana. Verardo classifica o período até quarta como de "altíssimo risco para danos no RS" devido a cheias e tempo severo.

Quinta-feira

O tempo apresenta condições de estabilidade na maior parte do Estado, com o afastamento da frente fria em direção ao oceano.

Sexta-feira a domingo

A trégua será curta. Uma nova frente fria deve avançar sobre o Rio Grande do Sul a partir da tarde de sexta-feira, trazendo mais "chuva intensa e volumosa" para o final de semana.

Atenção!

A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros orientam que, em caso de rajadas de vento, as pessoas não se abriguem debaixo de árvores e não estacionem veículos próximos a torres de transmissão. A recomendação é permanecer em local abrigado, desligar o quadro geral de energia e proteger pertences em sacos plásticos em caso de inundação. Em emergências, a população deve ligar para os telefones 190, 193 ou 199.

"O primeiro desastre a ser evitado é a perda de vidas", diz governador

Em coletiva de imprensa realizada ontem no Palácio Piratini, o governador do RS, Eduardo Leite, alertou sobre as condições meteorológicas previstas. Abriu o encontro ressaltando a importância da prevenção para mitigar os danos dos eventos climáticos e destacou que não é possível blindar o RS, mas sim reduzir os impactos em um Estado onde as condições climáticas extremas "serão mais recorrentes", pois é "uma característica". Reiterou ainda que o governo do RS, junto às prefeituras e ao governo federal, tem trabalhado para controlar a situação.

De acordo com o governador, o fato de os prognósticos mudarem constantemente torna o cenário mais complexo, por isso a importância de ter conhecimento do risco e das vulnerabilidades e atuar sobre elas:

- Não podemos evitar o evento climático, nós podemos evitar o desastre e o primeiro desastre a ser evitado é a perda de vidas.

O prefeito da Capital, Sebastião Melo, deu um panorama da situação em Porto Alegre. Ele citou que a prefeitura trabalha no refinamento do sistema de contenção às cheias e destacou a obra no bairro Guarujá, na Zona Sul. Afirmou que todas as casas de bombas da Capital estão funcionando e que mais nove casas de bombas estão sendo implementadas. Assim, a Capital ficará com 32 no total. _

Defesa Civil amplia frentes para lidar com limitações dos alertas

O coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, falou das limitações do sistema de alertas durante a coletiva e explicou que os modelos de previsão divergem para os mesmos períodos. Desde a enchente histórica de 2024, porém, o órgão se reestruturou e conseguiu ampliar a margem para prevenção, com instalação de radares e aumento da equipe:

- Não estamos blindados, mas estamos desde 2024 trabalhando na preparação.

De acordo com o coordenador, 134 municípios do RS já são monitorados nacionalmente para contenção de cheias em áreas de risco. Boeira citou também o conhecimento local como algo que faz a diferença diante das divergências.

São três frentes de atuação com gabinetes de crise, conforme o coronel, em Santa Maria, Lajeado e São Sebastião do Caí.

- Não tínhamos essa capacidade dois anos atrás. Hoje temos condições de fazer esses movimentos, sempre alinhados com as prefeituras municipais e de forma antecipada - completou o coordenador da Defesa Civil do RS. 

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