quarta-feira, 22 de julho de 2026

No dia 22 de julho, celebram-se o Dia do Cantor Lírico, o Dia Internacional do Trabalhador Doméstico e, na tradição católica, a Festa de Santa Maria Madalena. A data também é reconhecida globalmente como o Dia Mundial do Cérebro e localmente como o Dia da Paz e da Conciliação em várias cidades e estados O Dia do Cantor Lírico é celebrado anualmente em 22 de julho, data que homenageia a voz operística e o nascimento da célebre soprano brasileira Bidu Sayão. A efeméride destaca a técnica, dedicação e a emoção de usar o próprio corpo como instrumento em apresentações de concerto e óperas. Para mergulhar visualmente nesse universo, a plataforma Culturadoria destaca histórias e o impacto visual de cantores e desafios da profissão no artigo Dia do Cantor Lírico. Para captar a essência da voz lírica nacional em movimento, a Rádio MEC disponibilizou um registro especial da mezzo-soprano Maria D'Apparecida. Você pode conferir os detalhes desta homenagem em Vídeo Homenagem Rádio MEC.


 

Rodrigo Lopes

Político não pode fugir do debate

Sempre que um político decide fugir dos debates, lembro de uma lição da Venezuela. Em diferentes momentos do chavismo, parte da oposição concluiu que participar de eleições, debates e espaços institucionais apenas legitimaria um regime que considerava autoritário. Abandonou o campo político. O resultado não explica, por si só, a consolidação da ditadura chavista-madurista, mas revela um ensinamento importante: quando a democracia ainda oferece espaços de confronto público, abandoná-los costuma fortalecer quem permanece neles.

A omissão é a pior decisão. Mas não chega a surpreender que o presidente Lula avalie faltar a todos os debates com os demais candidatos nos encontros promovidos por emissoras de TV e outros veículos de imprensa. A preocupação é que o político de esquerda fique exposto no confronto com adversários, todos de direita.

Lula já adotou essa tática em 2006. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também não compareceu aos debates. Como candidato à presidência, Jair Bolsonaro (PL) teve ausências em debates em dois momentos distintos, mas por razões diferentes. Antes do atentado, na pré-campanha, não participou por estratégia. Dias depois, a estratégia foi parcialmente revista. Bolsonaro compareceu ao debate da Band (9 de agosto) e ao da RedeTV! (17 de agosto).

Em 6 de setembro, sofreu o atentado a faca em Juiz de Fora e foi hospitalizado. A partir daí, deixou de participar de todos os debates restantes do primeiro turno por recomendação médica. Em 2022, a situação foi diferente. Bolsonaro participou da maior parte dos debates televisivos, enquanto Lula foi o candidato que mais faltou a alguns confrontos do primeiro e do segundo turno.

O problema é que a eleição não pertence apenas aos candidatos. Pertence também aos eleitores. Os duelos servem para que o cidadão compare projetos, teste a capacidade de reação dos candidatos diante de perguntas incômodas, observe como lidam com críticas e avalie quem está mais preparado para governar. Com exceção de alegações envolvendo temas de saúde, político que foge do debate alega estratégia. Mas, na verdade, está sendo covarde. _

Destaque internacional para laboratório da UFRGS

O Criosfera 1 - módulo científico brasileiro na Antártica e projeto liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - alcançou mais um marco de projeção global.

Após ser destacado na série Pole to Pole, da National Geographic, a produção audiovisual em que aparece foi indicada ao Wildscreen Panda Awards 2026, o prêmio mais prestigiado do mundo para produções sobre vida selvagem, natureza e ambiente. Apresentada pelo ator Will Smith e disponível no Disney+, a série conta com o episódio The South Pole, que acompanha uma expedição ao módulo. O projeto do INCT da Criosfera é coordenado pelo professor Jefferson Cardia Simões. _

Entrevista- Ana Toni
CEO da COP30

"Não precisamos mais traduzir o que é a mudança do clima"

Um dos principais nomes da pauta da mudança climática no Brasil e no mundo, a CEO da COP30, Ana Toni, esteve na Capital na segunda-feira para participar da Semana da Ação Climática de Porto Alegre. Em entrevista à coluna, ela falou sobre o legado da conferência de Belém, sobre o contato da sociedade com a pauta ambiental e sobre a transição energética.

Qual o principal legado da COP30 para o Brasil?

O legado é colocar o Brasil para o mundo como um provedor de soluções climáticas. Mudou a percepção do mundo com o Brasil como um problema climático, que, antes, era a maneira que o mundo olhava, para se tornar um provedor de soluções climáticas. Esse é um grande legado para o Brasil. Para o mundo, eu diria que há alguns legados, mas acho que o mais importante é o de ter mudado essa ficha de sair da ênfase e da priorização da negociação para colocar prioridade na implementação, para agilizar as ações climáticas que precisamos. Isso não é abandonar a negociação, mas reforçar a necessidade de agilizarmos a implementação.

Como o Brasil vai entregar a coordenação da COP30 para a COP31?

Volto para a implementação. Trabalhamos muito com os governos da Turquia e da Austrália, que são os dois que estão dividindo a COP31, para essa pegada da implementação e acelerar as ações climáticas. A agenda de ação da COP30, a estrutura que foi montada, os seis eixos, foram mantidos, acelerando a implementação. Esse é o maior legado e foi muito abraçado pela COP31 e também pelos atores que estão ao redor.

Algumas pessoas enxergam um distanciamento do que é debatido entre os negociadores nas COPs com a população em geral. Há esse distanciamento?

Você tem toda razão, e tem havido esse distanciamento. Hoje, escutei de uma das lideranças sobre isso: "Como assim, as pessoas vão para a COP, um bando de diplomatas se encontra lá, e não sabemos como isso está afetando o nosso dia a dia?". Esse era um dos objetivos da COP30, dessa aproximação com o dia a dia das pessoas. E acho que essa aproximação está acontecendo pelo bem e, infelizmente, pelo mal. Quando vemos uma cidade como Porto Alegre, que tanto sofreu com a mudança do clima, não precisamos mais traduzir o que é a mudança do clima para uma população que sofreu na pele com as suas próprias vidas, negócios, as consequências da mudança do clima. Isso começa, infelizmente, a ficar muito real no dia a dia das pessoas.

Recentemente, a senhora falou sobre a crise no Oriente Médio e que o Estreito de Ormuz mostrou a necessidade de pensar em energias renováveis, de diversificar as fontes. Como fazer essa transição?

Felizmente as energias renováveis, hoje em dia, já são mais baratas do que a energia fóssil. Isso é um grande estímulo ao consumidor. Começamos a ter agora alternativas para poder fazer essas escolhas de maneira consciente e mais fácil, porque, como falei, ninguém gosta de mudança. Então as mudanças que estão vindo são para conseguirmos fazer com que elas facilitem a vida.

Um exemplo é o caso da usina de Candiota, no sul do Estado, em que a Justiça Federal suspendeu a operação. Porém, várias cidades da região dependem desse setor econômico. Como combinar essa equação?

Primeiro, colocar as pessoas no centro desse debate. Aqueles trabalhadores que dependem daquele emprego, tem de ser pensado como eles vão sobreviver. Vamos pensar em novas capacitações para essas pessoas, realocá-las para outros empregos. Isso tem que ser planejado e feito. Ao mesmo tempo, percebemos, principalmente no tema de carvão aqui no Brasil, que é uma energia muito subsidiada há muitos anos. Aquele subsídio que está indo para as empresas poderia ir para os trabalhadores, não só para manter o trabalho, mas, se o trabalhador é a nossa prioridade, o subsídio poderia ir direto a eles. Esse é o debate que temos de fazer. 

INFORME ESPECIAL

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