quinta-feira, 29 de outubro de 2026

29 de Outubro de 2026
PÓS-ELEIÇÃO - Anderson Aires

Listas de boicote se proliferam; prática é considerada criminosa

Após o resultado das eleições presidenciais, as redes sociais viraram instrumento para propagação de listas e campanhas contra pessoas e empresas supostamente alinhadas à esquerda. Parte das publicações reúne cards com nomes de negócios apontados como de esquerda ou que teriam adotado posicionamentos nesse sentido. Também circulam mensagens que incentivam a demissão de funcionários identificados com esse espectro político.

Entidades empresariais repudiaram esse movimento, enquanto especialistas da área do direito alertam para possíveis consequências jurídicas que autores desse tipo de postagem podem sofrer.

Nas redes sociais, empresários incluídos nessas listas relatam desde cancelamento de pedidos até ataques e ameaças por mensagens. Outros evitam repercutir o assunto, por receio de ampliar a exposição.

Entre os ouvidos pela reportagem, os relatos revelam tensão, indignação e temor de dar ainda mais visibilidade ao que classificam como uma espécie de caça às bruxas. Já entre os responsáveis por publicações desse tipo, alguns moderaram o discurso, alegando excessos, caráter pessoal das manifestações ou distorções de seus posicionamentos.

Alvo de uma dessas listas, a Varal, empresa de cama, mesa e banho de Porto Alegre, publicou esclarecimento nas redes sociais para negar que seja de esquerda. A sócia-proprietária Martina Zabaleta Rodrigues afirma que a empresa sempre manteve neutralidade política e que seus proprietários são de direita.

Segundo Martina, o nome da Varal já havia aparecido em uma lista semelhante nas eleições de 2022. Desta vez, porém, a repercussão foi maior. A empresária critica esse tipo de iniciativa e defende que as pessoas tenham liberdade para seguir suas convicções sem sofrer sanções pessoais ou comerciais. Ela afirmou que, por ora, não percebeu efeitos na operação, mas contou ter recebido mensagens com xingamentos e cobranças por posicionamento político.

Registros em delegacia

Em Nova Petrópolis, pelo menos 30 pessoas registraram boletins de ocorrência, confirmou o delegado Fábio Idalgo Peres. A prefeitura de Nova Petrópolis, a Associação Comercial e Industrial de Nova Petrópolis, a Câmara de Dirigentes Lojistas e a Associação das Malharias de Nova Petrópolis e Picada Café emitiram nota dizendo que repudiam qualquer ato de discriminação.

Em Nova Prata, o delegado Juliano Goelzer confirma que também há boletins de ocorrência registrados por donos de estabelecimentos incluídos em listas de boicote. O presidente da Câmara de Vereadores do município, Felipe Paese (PL), publicou nota negando autoria da lista e afirmando que está tomando medidas legais para apurar quem o associou ao conteúdo. _

Colaborou Marcos Cardoso

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