
22
de agosto de 2013 | N° 17530
DELICADEZAS
Amor ao primeiro clique
Paloma
Fantini, que tem um estúdio na Rua Tiradentes, no Floresta, utiliza aquecedor e
até psicologia para promover conforto aos recém-nascidos durante sessões de
foto
O
primeiro sorriso, a abertura dos olhos, o choro indecifrável. São tantos os
momentos de transição desde o nascimento do bebê e tão rápidas as transformações
que os pais precisam registrar cada instante.
Este
desejo óbvio, e cada vez mais comum, tornou-se um nicho do mercado fotográfico,
denominado newborn. O nome se refere ao ensaio de fotos feito nas primeiras
duas semanas de vida de alguém. E quem está crescendo e se destacando nesta área
é Paloma Fantini, 29 anos, que mantém dois estúdios fotográficos, um em Canoas
e outro em Porto Alegre, na Rua Tiradentes, 19, bairro Floresta.
Desenhista
e pintora desde criança, a fotógrafa de bebês cursou Artes Visuais na Ulbra
para dar vazão aos dotes de artista.
Em 2008,
porém, teve a primeira filha, Isabel, durante a faculdade. O ímpeto de
registrar os primeiros dias da menina levou-a a um fotógrafo de bebês. A experiência
desoladora pela forma como a pequena foi tratada fez com que ela mesma passasse
a captar as imagens. Foram poses de teste, mas que deram certo e a fizeram
apostar na formação e em equipamentos.
– Procuro
registrar um sentimento. No caso do newborn, as fragilidades do bebê. Porque tu
pegas detalhes que os pais não vão querer esquecer – diz Paloma.
A
principal referência na área é a fotógrafa australiana Anne Geddes. Entretanto,
Paloma prefere o trabalho de Danielle Hamilton, com quem estudou e busca
adaptar seu trabalho. Se a mestra tem predileção por cores pastel, a gaúcha
trata de descobrir os tons mais quentes da paleta.
Ela
evita repetir cenários a cada sessão. Uma de suas orientações é que, se os pais
querem algo diferenciado, devem combinar ainda durante a gravidez as possíveis
datas das seções. Ela, então, vai atrás da confecção de acessórios e planos de
fundo para incluir no ensaio – as toucas são feitas por sua mãe.
Além
disso, há uma série de regras para que as seções ocorram. Ela afirma que o
ideal é fazer o ensaio newborn até o 10 º dia de vida do bebê. No estúdio – a
que chama de “ ateliê fotográfico” –, são ligadas estufas para aquecer o
ambiente e utilizada luz natural para não agredir os olhos do bebê.
Entre
as técnicas usadas, estão embalar de forma ritmada a criança próxima ao corpo,
para que se sinta aquecida, e abusar dos ruídos brancos (um tipo de ruído
produzido ao combinar sons de todas as freqüências) – um shhh constante
semelhante ao que era ouvido ainda na placenta. Também é limitada a presença a
uma pessoa da família, além dela, e de uma assistente no local. As razões da artista
é que são seções longas, de três a quatro horas, e até mesmo o cheiro da mãe
pode atrapalhar.
– Não
são regras pessoais, são o melhor para o filho. Se os pais estão estressados,
isso vai passar para eles e a seção não vai acontecer. O bebê tem de estar
totalmente relaxado, não adianta forçar. Acho que meu diferencial é entender a
criança e saber o tempo dela – garante.
Amostras
podem ser conferidas em exposição
Em
uma combinação de artista e pediatra, fotógrafa e psicóloga, Paloma Fantini
começa a seção. Cliques de detalhes da mão abrindo e fechando e do rosto
sonolento são feitos pausadamente. A modelo mais recente é a segunda filha,
Nathalia, que está com dois meses. Ela faz, no entanto, o registro de outras
fases da criança também. De mulheres grávidas ao primeiro aniversário da
meninada, ela registra tudo da mesma forma.
– Faço
a composição como se fosse uma tela – diz a fotógrafa.
Uma
amostra das pinturas de luz da artista é a exposição Amor à Primeira Vista, que
ocorre neste mês no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre.
matheus.beck@zerohora.com.br