
22
de agosto de 2013 | N° 17530
L.F.
VERISSIMO
Penas e pênaltis
Sou
radicalmente contra a pena de morte, mas faço algumas exceções. Quem conversa
no cinema durante todo o filme e, por uma estranha deformação da lei das
probabilidades sempre senta atrás de você, merece execução sumária.
Quem
liga o seu celular no meio do filme para ver se tem alguma mensagem e, por
outra cruel casualidade, sempre senta do seu lado: execução sumária – se possível,
por garrote vil.
Gente
que imita aspas com dois dedos de cada mão... Está bem, isto é só uma implicância
minha. Sete anos de trabalho forçado.
Casal
que se chama de “fofo” e “fofa”: banimento para a Ilha do Diabo, ou similar.
Pênaltis
Para
um esporte tão antigo, o futebol até que mudou pouco através do tempo. Pensando
bem, a única mudança significativa nas suas regras foi na que trata do que
podem ou não podem os goleiros. Métodos de aferição eletrônica para ajudar o
juiz cedo ou tarde serão adotados, mas não afetarão as regras do jogo. A mudança
que eu proponho, sim, é radical. Seguinte: o que determinaria o pênalti não
seria o local da falta, mas a sua natureza. Como no basquete.
Em
qualquer lugar do campo em que acontecesse uma falta mais violenta... Priii. Pênalti.
Caberia ao juiz decidir o que mereceria pênalti ou não, como hoje ele já decide
o que merece cartão vermelho, cartão amarelo ou só um aviso. Isto coibiria as
entradas criminosas e o jogo violento em geral. Hein? Hein?
Eu
sei. Mal tive a ideia e já me ocorreram várias objeções. A nova regra
aumentaria demais o poder do juiz de influir no resultado final do jogo. E
dobraria o incentivo à encenação dos jogadores para simular uma gravidade
inexistente. Pelo menos nos jogadores brasileiros, que já são os mais dramáticos
do mundo.
Esquece.
Histórico
Raramente
se viu uma reunião de talentos como a que ocupou o palco do Theatro São Pedro
na segunda-feira: a Orquestra de Câmara do Theatro, afiadíssima, regida pelo
entusiasmado e entusiasmante maestro Antonio Borges-Cunha, um trio formado
pelos excelente Luiz Mauro Filho no piano, Marquinho Fê na bateria e Edu
Martins, tocando músicas, na sua maioria, do Edu, e com a participação do
grande saxofonista americano Dave Liebman.
E,
como se não bastasse tudo isso, ainda me aparece o Vitor Ramil para cantar. Quem
não foi perdeu uma noite histórica.