quinta-feira, 22 de agosto de 2013


22 de agosto de 2013 | N° 17530
PAULO SANT’ANA

Não bato! Não bato!

Não sei a que atribuir o sucesso de minha coluna de anteontem, que ganhou o primeiro lugar na pesquisa de leitura do call center de ZH.

Falei sobre os doces que como apesar de ser diabético.

Desconfio que o açúcar é inimigo de muitos leitores, que se interessaram sobre o que escrevi, inclusive sobre o leite condensado da marca Hué, dietético.

Ora, sorver uma lata inteira de leite condensado dietético, depurado de qualquer quantidade de açúcar, é um privilégio que tenho quase todos os dias.

Não sei se o que aguçou a curiosidade dos leitores foi a luta para combater o seu próprio diabetes – ou a luta para evitá-lo – ou se foi a gula de leitores por doces, quando de certa forma citei uma fórmula que uso para tentar driblar o açúcar no sangue.

Há inúmeras formas de alcançar a delícia de comer doces entre os estratagemas dietéticos que os produtos à venda usam.

Chega a ser milagroso que a gente ingira quilos de doces sem mexer no índice glicêmico que ostenta. De certa forma, eu dei um pouco a receita para esse truque.

Por exemplo, há dezenas de chocolates dietéticos à venda, mas eu não sou fã de chocolates.

Eu gosto é de golpes bem fortes nos doces que saboreio, e o leite condensado dietético foi uma grande descoberta minha, por ele a gente sente o açúcar passando pela garganta e deslizando pela laringe, aquela melíflua corrente deliciando o nosso apuro gustativo. E tudo isso impunemente.

Sem dúvida, depois da camisinha de vênus, o leite condensado dietético é sem dúvida a maior invenção da humanidade.

Mudando de assunto, não me sai da cabeça a obsessão do sádico em maltratar outrem para obter prazer sexual.

Em suma, o que o sádico pretende obter na pessoa que é seu objeto sexual não é o sofrimento, pelo contrário, é o prazer.

O sádico só se realiza quando seu parceiro(a) obtém prazer ao ser maltratado, é uma charada interessante.

Mas o sádico é tão doente, que ele pensa que, se fizer carinho no seu parceiro, este o achará enfadonho.

É nesse exato momento que o sádico bota pra quebrar, e aí, sai da frente, que vem bala.

A melhor e mais gigantesca piada de sádico é aquela em que sua parceira sexual implora-lhe para que a espanque e o sádico responde: “Não bato, não bato”.

Essa piada é monumental, ela chega ao êxtase intelectual quando faz compreender que bater não é o prazer supremo do sádico, o prazer máximo para ele é não bater quando a parceira implora para que ele bata.

Não conheço, em todos os códigos psiquiátricos, uma chave maior para os defeitos psíquicos do que essa história de o sádico sentir o máximo prazer em justamente negar o prazer à sua parceira.

A mente humana é com certeza o campo mais intrincado do arsenal de circunstâncias que velam o homem sobre a Terra.

“Não bato! Não bato! Não bato!”, grita o sádico para a masoquista. Sensacional, o sádico descobriu que a melhor e mais eficaz forma de bater na masoquista é exatamente não bater.


Sensacional!