quarta-feira, 23 de setembro de 2026

22 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Por compromissos fiscais públicos

O mercado, como se sabe, alimenta-se de previsibilidade. Por isso, períodos eleitorais em sistemas presidencialistas costumam produzir turbulência, sobretudo quando existe a possibilidade de mudanças significativas na condução da economia. Ainda mais no cenário brasileiro de 2026, cujo desfecho, indicam as pesquisas, tende a ser disputado voto a voto.

Com propostas diametralmente opostas, não seria má ideia se os dois líderes da corrida, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentassem ao país, por meio de documentos públicos, compromissos fiscais claros para os próximos quatro anos. Diretrizes para dívida, despesas, impostos e regra fiscal, acompanhadas, quem sabe, dos principais nomes da futura equipe econômica, ofereceriam um mínimo de previsibilidade sobre o que virá a partir de 5 de janeiro de 2027.

No lado do governo, uma carta não eliminaria as críticas à expansão dos gastos, intensificadas por medidas como o reajuste do Bolsa Família. Mas poderia reduzir desconfianças e estabelecer limites para aquilo que Lula pretende fazer em um eventual novo mandato. A ideia circula entre aliados desde o início de setembro, quando o economista André Perfeito levantou o assunto em uma reunião de apoiadores do presidente.

Na semana passada, foi encampada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, durante reunião da Executiva Nacional do PT. Seria uma espécie de "Carta ao Povo Brasileiro 2026". Funcionou em 2002. Funcionaria agora? Com menos ênfase, mas acalmaria um mercado preocupado com a gastança.

Do lado de Flávio Bolsonaro, sua campanha já anunciou que, em caso de vitória, enviará ao Congresso uma nova regra fiscal para substituir o atual arcabouço. O problema é que não pretende dizer antes da eleição como ela funcionará. Coordenador político da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que "entrar nessa conversa agora não é algo que interessa". O plano de governo de Flávio assume compromissos genéricos com responsabilidade fiscal e redução da dívida, mas não detalha os instrumentos para alcançá-los.

Compromissos fiscais envolvem escolhas politicamente impopulares. Para controlar a trajetória da dívida, será preciso discutir crescimento das despesas, benefícios tributários, impostos, vinculações orçamentárias e prioridades de gasto. Colocar números no papel significa oferecer munição ao adversário. Sem garantias sequer de que irão aos debates dos próximos dias, como esperar um mínimo de transparência sobre responsabilidade fiscal? A previsibilidade que o mercado cobra é parente próxima da transparência que o eleitor merece. _

Festa pelo mundo

As comemorações do 20 de Setembro, celebradas no domingo, não ficaram restritas ao RS ou ao Brasil. A cultura tradicionalista gaúcha também esteve presente em Nova York e em Paris.

Na metrópole americana, na movimentada Times Square, uma grande mateada reuniu pelo menos 300 brasileiros. O evento, organizado pela tradicionalista Valéria Lessa, contou com projeções de pontos turísticos do Estado e de tradições gaúchas nos famosos painéis de LED no coração de Manhattan. O ato também contou com música e dança.

Já do outro lado do Atlântico, em Paris, os gaúchos também realizaram comemorações aos pés da icônica Torre Eiffel. A iniciativa teve a produção do Grupo de Danças Tradicionais Gaúchas TCHÊ UFRGS, um projeto de extensão da Universidade, vinculado à Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança.

O grupo, de 13 participantes, está na capital francesa para o 10º Festival do Rio Grande do Sul em Paris. Segundo a professora doutora Malu Oliveira, coordenadora do TCHÊ UFRGS e que acompanha o festival, a iniciativa faz parte de uma movimentação mundial. _

Futuro do Esqueletão

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, esteve ontem em Recife, onde visita referências para os Centros Integrados Territoriais, que serão construídos na Capital por meio do programa POA Futura. Entre as áreas prioritárias para as quais o prefeito busca inspiração, está o terreno onde ficava o Esqueletão, no Centro Histórico.

Na capital pernambucana, o prefeito conheceu unidades do Centro Comunitário da Paz (Compaz), estrutura reconhecida como modelo para a revitalização de espaços públicos e a oferta de serviços à população.

Ao todo, serão investidos US$ 100 milhões no POA Territorial, dentro do POA Futura (projeto estratégico que organiza, de forma integrada, ciclos de investimentos). As estruturas oferecerão serviços gratuitos para a população de bairros periféricos e em situação de vulnerabilidade social.

Além do Esqueletão, outros seis Centros Integrados serão construídos na Capital. As licitações devem ser lançadas em lotes a partir de 2027. _

Lula encontra prefeito de NY

O presidente Lula está nos EUA para participar, hoje, da Assembleia Geral da ONU. Antes disso, ontem, o brasileiro se encontrou com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Os dois líderes falaram sobre políticas públicas, orçamento e o fim da escala 6x1. Lula convidou o democrata americano para visitar o Brasil.

"Conversamos também sobre a proposta de redução da jornada de trabalho que tramita no Congresso brasileiro, para garantir o fim da escala 6x1, possibilitando que os trabalhadores possam usufruir de dois dias livres por semana. Discutimos, ainda, a importância da defesa da democracia e do enfrentamento do extremismo e da desinformação no mundo todo", disse nas redes sociais.

Mais cedo, o presidente se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Entre os assuntos debatidos estava a integração latino-americana e caribenha, bem como as ameaças do extremismo político e da desinformação na região e no mundo. _

Brasil e RS na The Economist

A criminalidade é tema de uma extensa reportagem desta semana na revista The Economist. O texto destaca as mudanças no "modelo de negócio" do crime, com ampliação da atuação de facções e seus tentáculos no mercado financeiro. Ao citar o Brasil, o material afirma que "O PCC e o CV estão consolidados e relativamente estáveis" no Brasil.

A reportagem também cita o RS, que aparece como modelo de combate à violência. "Sob a gestão do governador Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul (sul do Brasil), a taxa de homicídios caiu pela metade desde 2017". 

INFORME ESPECIAL

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