terça-feira, 29 de setembro de 2026

29 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

Tarefas à frente na segurança pública

Entre os serviços essenciais prestados pelo Estado à população, é inequívoco que a segurança pública tem apresentado os melhores resultados. As estatísticas mostram que 2025 foi, pela terceira vez consecutiva, o ano mais seguro da atual série de indicadores, com a continuidade da queda de assassinatos e de outros crimes, como roubos e furtos. Em 2017, no ápice da violência no Rio Grande do Sul, foram 2.706 homicídios dolosos. No ano passado, recuaram para 985, redução expressiva de 63,3% no período. Foi o resultado de políticas como o RS Seguro, programa baseado em evidências e voltado a sufocar a delinquência nos municípios com maiores índices de criminalidade.

Esse reconhecimento, porém, não significa que a segurança pública tenha vencido todos os seus principais desafios, como aponta a sétima reportagem da série (leia nas páginas 4 e 5) que o Grupo RBS está produzindo sobre prioridades do próximo governo gaúcho para o RS alcançar maiores patamares de desenvolvimento socioeconômico. Apesar dos avanços, há frentes em que o Estado ainda precisa entregar melhores resultados.

Um deles é o combate aos feminicídios. O delito voltou a crescer em 2025 e segue em alta em 2026. Outro é o enfrentamento aos golpes. Se tornaram o principal crime patrimonial no país, notadamente por meios virtuais. O crescimento da população carcerária em um ritmo muito superior à criação de vagas também é um gargalo à espera de soluções.

Os esforços contra a violência doméstica são evidentes, mas não têm sido suficientes. O programa de monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica é exemplar e pode ser expandido. As patrulhas Maria da Penha prestam um serviço reconhecido, mas estão em menos de um terço das cidades do Estado. 

As Delegacias da Mulher podem ter o número ampliado. É preciso ainda que uma quantidade maior funcione 24 horas por dia, como exige a legislação federal, o que acontece apenas com uma, na Capital. Também faltam abrigos para mulheres sob ameaça. São medidas preventivas necessárias para interromper o ciclo da violência doméstica. Mas sabe-se que uma solução estrutural depende de um processo educativo de longo prazo que dilua a cultura do machismo.

Os golpes virtuais são outra fonte de dor de cabeça para os cidadãos. Não envolvem violência física, mas causam prejuízos e deixam sequelas psicológicas nas vítimas. Essa nova realidade exige aparelhamento tecnológico da Polícia Civil e capacitação dos recursos humanos para investigar, identificar e alcançar os responsáveis pelos estelionatos online. 

Sabe-se também que não são praticados por criminosos dispersos. Nota-se o envolvimento das facções e o surgimento de estruturas sofisticadas para aplicar esses golpes, com divisões de tarefas e metas de faturamento.

Por fim, chama atenção que, entre 2018 e este ano, enquanto a quantidade de detentos cresceu em 17 mil, somente 5,2 mil vagas foram criadas no sistema prisional gaúcho. Assim, o RS voltou a registrar presos em viaturas, o que se imaginava superado. 

Não é apenas o custodiado pelo Estado que é afetado pelas más condições. Quando os presídios facilitam a cooptação de detentos por facções e não propiciam a ressocialização, o resultado é a realimentação da criminalidade. 

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