Dia para reafirmar o valor da informação
Por que confiar no jornalismo? Porque, por trás de cada notícia publicada por profissionais, há método. A informação passa por apuração, checagem, versões, edição e responsabilidade.
Por que faz diferença? Porque serve ao interesse público. Ajuda a fiscalizar, acompanhar direitos, entender decisões e fazer escolhas.
Como esse trabalho acontece? Com apuração e pluralidade. Profissionais ouvem diferentes fontes, consultam documentos e dados.
Como reconhecer? Pela transparência. Notícia, reportagem, análise, opinião, editorial e publicidade têm funções diferentes.
São essas perguntas e respostas que movem o World News Day, o Dia Mundial do Jornalismo, comemorado hoje. Mais de mil veículos de imprensa, entre eles o Grupo RBS, entidades e universidades em todo o mundo se unem na campanha. Em 2026, a mobilização adota o lema: "Conheça os fatos. Entenda o que importa. Escolha jornalismo de confiança".
Para o jornalista e professor da ECA-USP Eugênio Bucci, a preservação dos fatos tornou-se um desafio na sociedade contemporânea, marcada pela superexposição da desinformação.
- A lembrança dos fatos é algo crucial. Uma das características da nossa era é justamente uma avalanche de quinquilharias das plataformas digitais para obstruir o acesso do cidadão aos fatos. Uma das características é essa dificuldade que a sociedade tem de conhecer e de assimilar o significado dos fatos.
Bucci aponta que a recusa dos fatos abre margem para episódios em que sociedades tomam decisões contrárias aos próprios interesses:
- Os autoritarismos dos anos 1920 e 1930 chegaram ao poder em mobilizações de um certo caráter populista, e mostraram a tragédia que foi aquilo. E o único antídoto contra esse tipo de coisa é o conhecimento dos fatos e o entendimento do que são os fatos - avalia.
Bucci diz que tentativas de cercear repórteres fazem parte de uma ofensiva contra as instituições dedicadas à verificação da realidade.
- A universidade, a ciência, a imprensa e a Justiça sofrem constantes ataques. E são justamente elas que investigam a verdade factual: a academia pelo estudo; a ciência pela pesquisa; a imprensa pela reportagem e a Justiça pela aplicação da lei. _
Caçadores de tempestades registram supercélula na Fronteira
Um grupo formado por caçadores de tempestades brasileiros e americanos registrou no sábado uma supercélula em Alegrete, na Fronteira Oeste. O fenômeno foi divulgado pelos profissionais nas redes sociais e confirmado pela coluna com a Climatempo.
O grupo está circulando pela região para acompanhar eventos climáticos extremos. Caçadores de tempestades são pesquisadores que monitoram o tempo severo para registro e estudo. Entre os integrantes estão o americano Mike Plemmons, conhecido pelo codinome NaderMike, e o fotógrafo gaúcho Gabriel Zaparolli. _
Entrevista
Frederico de Siqueira Filho
Ministro das Comunicações
"Porto Alegre poderá se tornar um grande hub de data centers"
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirma que Porto Alegre tem potencial para se tornar um "grande hub" tecnológico de data centers. Ele esteve no RS na última semana.
O senhor veio ao RS para ver a expansão do cabo submarino internacional Malbec. O que é e qual a sua função?
Já existem outros cabos submarinos que passam pela costa do RS. E essa iniciativa foi justamente para fortalecer a infraestrutura digital de Porto Alegre, Região Metropolitana. É justamente essa conexão que vai sair de Balneário Pinhal e conectar Buenos Aires e outros países da América do Sul. O que isso quer dizer? Aumentar a disponibilidade de internet para a região com baixa latência.
Isso permite a atração de novos data centers para a região. Porto Alegre poderá se tornar um grande hub tecnológico de data centers por conta do aumento da disponibilidade de internet para tráfego de dados para a chegada, e viabilizar tecnicamente esses equipamentos hoje tão importantes para o futuro digital do mundo, como também da inteligência artificial e da internet das coisas.
Como garantir a expansão de data centers sem impactar a sobrecarga energética e o gasto de água no resfriamento?
Hoje, todos os incentivos que o governo está promovendo para a chegada disso é que esses data centers venham também com uma planta de energia renovável para fornecer energia limpa, para que não se tenha desbalanceamento no sistema energético nacional. Já existem tecnologias de alto resfriamento com aquela água que está sendo disponibilizada para os data centers. Então, não existe perda de água. Aquela água fica reciclando.
Sabemos que o grande custo do data center é a energia. Entendemos que o Brasil poderá ser um grande hub de data center em função da matriz energética renovável, do volume de distribuição que já existe e várias iniciativas que o Ministério de Minas e Energia vem fazendo, que é justamente para acomodar essa infraestrutura importante para o futuro da IA, da internet das coisas e com a ampliação dos serviços digitais.
O mundo está de olho no Brasil por conta de todas essas condições climáticas, e a infraestrutura e a conectividade são insumos importantes. A chegada, a ampliação e a renovação da nossa planta de cabo submarino também está no centro da discussão para tornar cada vez mais o nosso país digital, e também a Região Sul.
Recentemente, líderes das gigantes de IA disseram que é necessário desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Como o governo brasileiro avalia essa expansão?
Estamos cuidando da infraestrutura digital, cuidando também da IA na língua portuguesa, que é um grande desafio, que tenhamos a nossa IA. Além disso, não queremos concorrer com China e EUA. Queremos utilizar a IA para o bem, para aumentar a produtividade do agronegócio, por exemplo.
A Região Sul tem um histórico de dados fornecidos, por exemplo, pela Embrapa, e a ideia é aplicar uma linguagem de inteligência artificial para que possamos aumentar a produtividade agrícola. Como podemos utilizar uma inteligência artificial para melhorar a prevenção, a saúde, para melhorar a região? A ideia é usar a IA a favor da produtividade em diversas áreas.
Um grande problema são os emaranhados de fios de telefonia nos postes. Atualmente, o compartilhamento desses postes ocorre entre as distribuidoras de energia e as operadoras de telecom. Como resolver?
Temos a expectativa de destravar isso por meio de um projeto de lei que já foi aprovado no Senado e está na Câmara. Tenho a expectativa de resolver ainda esse ano. Esse é um tema histórico do setor de telecomunicações. A ideia é regulamentar para que sejam redefinidas as obrigações tanto dos provedores de internet quanto das concessionárias de energia, para que possamos regulamentar e dar previsibilidade aos dois setores com relação às atribuições e atuação.
Para isso, essa regulamentação é muito importante para dar visibilidade e segurança jurídica. O Ministério das Comunicações, junto com Minas e Energia, Anatel e ANEEL, está fazendo um trabalho para destravar esse tema em parceria agora com o Congresso.

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