quarta-feira, 23 de setembro de 2026

23 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Partidos já repassaram mais de R$ 261 milhões a candidatos no RS

A poucos dias do primeiro turno, os partidos já enviaram R$ 261,61 milhões do fundo eleitoral para as campanhas dos candidatos gaúchos ao governo, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. A maior parte desse valor - R$ 213,6 milhões, o equivalente a 81,5% - é destinada aos postulantes a uma cadeira de deputado federal e estadual (acesse a lista completa no código QR abaixo).

Para os candidatos ao Palácio Piratini, R$ 30,16 milhões foram repassados pelos partidos. Aos que disputam o Senado, R$ 17,8 milhões. Além do recurso do fundo partidário, parte dos candidatos incrementa a verba da campanha com doações de pessoas físicas ou com financiamentos coletivos.

O levantamento dos valores arrecadados para a realização das campanhas eleitorais foi feito pela coluna com auxílio de inteligência artificial, a partir de dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral, atualizados em 21 de setembro.

O maior volume de recursos para campanha eleitoral no Rio Grande do Sul é destinado aos candidatos a deputado federal. Dos 458 postulantes a uma cadeira na bancada gaúcha da Câmara dos Deputados, 376 receberam, somados, R$ 134.884.476,77 até agora para as campanhas - outros 82 não receberam dinheiro ou não informaram à Justiça Eleitoral até o momento.

Entre as 30 campanhas mais ricas, 25 são de deputados que concorrem à reeleição, que receberam entre R$ 3,17 milhões e R$ 1,75 milhão. Ficou de fora apenas Maurício Marcon (PL), que recebeu R$ 780 mil.

Os cinco candidatos sem mandato em Brasília que aparecem entre as campanhas mais vultosas são Onyx Lorenzoni (PP), com R$ 2.726.555,20; Luciano Azevedo (PSD), com R$ 2.050.000,00; Fábia Richter (PSD), com R$ 2.000.000,00; Laura Sito (PT), com R$ 1.809.275,86; e Felipe Camozzato (Novo), com R$ 1.805.676,82.

Dos atuais 31 deputados, somente cinco não disputam a reeleição: Luciano Zucco (PL), Marcel van Hattem (Novo), Ubiratan Sanderson (PL) e Paulo Pimenta (PT) concorrem a outros cargos, e Márcio Biolchi (MDB) desistiu da carreira política.

Em 4 de outubro, o Rio Grande do Sul vai eleger 31 deputados federais, que formarão a bancada gaúcha em Brasília. _

TRE devolve mandato a deputado que trocou o PSDB pelo PSD

Por decisão da desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de González, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, o deputado estadual Valdir Bonatto (PSD) reassumirá a cadeira na Assembleia Legislativa. Bonatto teve o mandato cassado por infidelidade partidária, ao trocar o PSDB pelo PSD antes da abertura da janela em que as mudanças são permitidas.

Mesmo tendo recorrido, foi substituído pela segunda suplente, Zilá Breitenbach, já que o primeiro, Jessé Sangali, deixou o PSDB e concorreu na eleição de 2024 em Porto Alegre pelo PL.

Ao apreciar o recurso de Bonatto, a desembargadora entendeu que ele tem o direito de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral sem deixar o cargo para o qual foi eleito em 2022. _

R$ 78,7 milhões

para concorrentes a deputado estadual

Entre os candidatos que disputam uma cadeira na Assembleia Legislativa, a distribuição do fundo eleitoral é mais pulverizada do que na Câmara. Já foram enviados R$ 78.770.914,11 para 484 postulantes no Estado - 58 nomes aparecem na lista sem um centavo de ajuda partidária.

Das 100 campanhas que mais receberam recursos partidários, 36 são de parlamentares que disputam a reeleição. Há mais nove atuais deputados que concorrem a um novo mandato e receberam menos dinheiro. Dos 55 titulares na Assembleia, sobram 10, que disputarão cargos distintos no pleito: sete concorrem à Câmara dos Deputados, dois são candidatos a vice-governador e um tenta o Senado.

São do PL os três candidatos que mais receberam dinheiro do fundo partidário: Cláudio Branchieri, Kelly Moraes e Maurício Scalco têm R$ 1,27 milhão à disposição. Nicole Webber Covatti é a candidata do PP que mais recebeu recursos do partido - mais até que os candidatos à reeleição da sigla. A vereadora de Santa Cruz do Sul e esposa do presidente estadual do partido, Covatti Filho, obteve R$ 1,65 milhão.

Na esquerda, Luciana Genro e Matheus Gomes ganharam quase R$ 1,2 milhão cada um do PSOL. No PT, Sofia Cavedon e Stela Farias aparecem no topo da lista e têm R$ 625.500,00. Além delas, outras 10 mulheres lideram o ranking de distribuição do fundo petista - todas sem mandato na Assembleia. Os sete deputados homens que disputam a reeleição no partido aparecem com valores entre R$ 250 mil e R$ 265,5 mil. _

Lula aborda temas externos e eleições

A manifestação do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU foi previsível sob todos os pontos de vista. Por 20 minutos, alternou temas da política externa com questões paroquiais, próprias do ano eleitoral. Lula defendeu a soberania brasileira, disse que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e criticou as pretensões imperialistas do presidente Donald Trump na América Latina.

Em vários momentos, Lula usou a retórica de palanque, dizendo que na eleição de 4 de outubro o Brasil vai escolher entre a democracia e o negacionismo.

Ao se referir aos países vizinhos, mencionou o bloqueio a Cuba. Disse que o povo da Venezuela merece escolher seu destino, uma menção à intervenção americana e à exploração das riquezas naturais do país vizinho.

Lula lembrou que o Brasil tem reservas de petróleo, terras raras e minerais críticos e que seu governo quer explorar essas riquezas de forma soberana. Citou a exploração de petróleo na margem equatorial da Foz do Amazonas, acrescentando que isso não significa abandonar as políticas de transição energética. O presidente voltou a citar a redução do desmatamento na Amazônia e defendeu a criação de um fundo de preservação das florestas tropicais. 

Kassio Nunes Marques é a bola da vez no caso Master

No dia em que Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar da sessão que decidiria sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes, deixou presa na garganta dos espectadores a clássica expressão de desconfiança resumida em duas palavras: "aí tem". E tinha. Já circulavam informações sobre o pagamento de R$ 281,6 mil a seu filho Kevin pela consultoria Consult Inteligência Tributária, que recebera mais de R$ 6,6 milhões de Vorcaro. Uma mensagem encontrada no celular do banqueiro indicava pagamento de mesada de R$ 500 mil ao mesmo Kevin. O ministro garantiu que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro. Nem o filho.

Passaram-se alguns dias e Kassio tornou-se a bola da vez no escândalo do Master, com a descoberta de mais um pacote de mensagens sobre o que Vorcaro chamava de "a turma do KN". Kassio com K, como era chamado logo que virou ministro do STF, seria um agente dos interesses do banqueiro no Supremo, cooptado por uma amiga advogada, casada com um desembargador.

É nesse contexto que se discute o fechamento de um contrato de quase R$ 427 milhões com "a turma do KN", em caso de sucesso em julgamentos de processos de interesse de Vorcaro e em desfavor da União. Com tantas menções a KN, será impossível negar que alguma relação existiu. Já são cinco ministros que, direta ou indiretamente, receberam dinheiro e/ou mimos de Vorcaro ou tiveram negócios com ele: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. 

POLÍTICA E PODER

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