terça-feira, 3 de julho de 2012


Inteira me deixo aqui


Inteira me deixo aqui, 
inteira, posto que ausente,
- neste corpo que nasci
fez-me a vida ou minha mente?

De ninguém sobrevivi.
Ah! vida, me fiz consciente, 
mestiça de mim, de ti ,
em morte - quase semente. 

E em terra desejo estar
e sempre, enquanto me alerto
nas vozes de vento e mar.

Sem jamais me resolver
a conter-me num deserto
ou saciar-me de morrer. 


Maria Ângela Alvim