
19
de março de 2014 | N° 17737
PAULO
SANT’ANA
Mortes
hospitalares
Recebo
do presidente do Sindisaúde-RS a notícia de uma grande denúncia:
“’Pode-se
enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas
não se pode enganar a todos por todo o tempo...’ (Abraham Lincoln)
Em
tua coluna publicada em 11/05/2013, escreveste que alguém estava te enganando e
lançaste um desafio com relação a dados publicados em tua coluna do dia 7 do
mesmo mês, bem como, nas palavras tuas, ‘eu intimo para que os dois se reúnam e
tragam para mim dados comuns verdadeiros’.
Os
dados a que se referia a matéria diziam respeito aos níveis de infecção
hospitalar nunca antes experimentados no Hospital Nossa Senhora da Conceição e
por outra parte o responsável pelo controle de infecção do nosocômio, que fez
defesa em relação à normalidade dos índices.
Quando
recorremos à tua coluna, tínhamos a intenção primeira de chamar a atenção da
sociedade para os riscos inerentes aos altos índices de infecção hospitalar
experimentados naquele momento na instituição, inclusive riscos de óbitos
decorrentes de tal situação.
Sabíamos
muito bem a que estávamos nos referindo e a matéria publicada em tua coluna,
sem sombra de dúvida, foi elucidativa para a sociedade. Associamos estes altos
índices de infecção hospitalar à política da diretoria do complexo GHC de
terceirizar o serviço de higienização, omitindo ou desconhecendo o conceito de
que higienizar um ambiente hospitalar requer técnicas apuradas, portanto não é
o mesmo que limpar chão de fábrica.
O
tema, antes da publicação, já era alvo de representação junto à
Controladoria-Geral da União, em que demandamos em 24/07/2012, através de um
dossiê com 40 páginas, repleto de provas e relatos de situações gravíssimas
quanto ao cumprimento do contrato por parte das contratadas (terceirizadas).
Agora,
em 10/03/2014, passados mais de 20 meses da representação, recebemos o
relatório da CGU/RS, com 66 páginas, sob o número 00190.001216/2013-25 e que
conclui: ‘Sobre as demandas inicialmente apresentadas à CGU, concluímos que são
procedentes as situações listadas, cujo dano ao erário foi preliminarmente
avaliado em R$ 8.385.462,11, de um montante de R$ 28.960.631,93’.
Logo,
pagaram muito por um serviço precário, com fiscalização deficiente e agora, com
toda a certeza, responsável pelos altos níveis de infecção hospitalar
verificados naquele período e, pior, difícil, mas não impossível de mensurar,
as dezenas de óbitos decorrentes da situação apontada.
Como
tu mesmo referiste na coluna, ‘alguém eu pego com a mão na botija...’. O caso
agora vai para o Ministério Público Federal. Não temos qualquer dúvida de que a
situação virou caso de polícia. Alguém usufruiu de forma indevida desses
recursos.
(ass.)
Arlindo Nelson Ritter, presidente do Sindisaúde-RS”.