Auschwitz, amor, esperança e resiliência
Keren , jornalista e escritora premiada, iniciou com histórias publicadas no The New York Times ; The Smithsonian e outros .Ela foi editora da Forbes, colaborou com a CNN e BBC World News e é professora de jornalismo na Universidade de Columbia.
Depois de alguns anos segregados no local terrível, na hora da libertação, David e Zippi foram separados e puderam se reencontrar somente setenta anos depois.O romance desenvolvido no campo de extermínio mais infame da história teve que ser secreto, para sobrevivência dos dois. David e Zippi, especialmente David, sobreviveram a ameaças de morte e dificuldades extremas, mas sonhavam com o futuro.
Em Auschwitz homens e mulheres viviam em acomodações separadas. David e Zippi conseguiam se encontrar e certa vez fizeram uma espécie de barraca com roupas dos prisioneiros para poder estar juntos por alguns minutos.
Quando o final da II Grande Guerra Mundial finalmente se aproximou e eles deixariam o campo de concentração, David e Zippi fizeram planos para se reencontrar , mas nenhum dos dois poderia imaginar que esse reencontro levaria setenta anos para acontecer. Quantas vidas viveriam nesse intervalo? Quantas histórias teriam para contar um ao outro? Quantos segredos ainda guardavam?
A história de amor de David e Zippi ,vivida no pior cenário imaginável, mostra o pior do ser humano e ao mesmo tempo mostra como o amor e o lado humano conseguem sobreviver, mesmo no antro mais sombrio da história moderna. Resiliência e capacidade de amar e esperança moveram David e Zippi e seguem como exemplo para todos.
lançamentos
O culto do bem-estar (Editora Contexto, 400 pág., R$ 99,90), de Rina Raphael, especializada na indústria do bem-estar, faz crítica contundente aos modismos relacionados com nutrição, exercícios, estresse, espiritualidade e produtos milagrosos, expostos nas redes sociais com embalagens irresistíveis. Fatos, humor e escrita envolvente vão ajudar os leitores.
Literatura Negra - Uma poética de nossa afro-brasilidade (Editora Pallas, 324 pág., R$ 59,00), de Conceição Evaristo, premiada poeta, ficcionista e ensaísta, com pioneirismo e inovação científica, une sensibilidade poética e ficcional e olhar crítico sobre obras e pessoas fundamentais na literatura negra.
Que tal mais um gato? (Editora Intrínseca, 224 pág, R$ 53,00), da consagrada escritora japonesa Syou Ishida, autora do best-seller Os gatos maravilhosos da Clínica Kokoro, narra histórias emocionantes sobre como os felinos da misteriosa Clínica Kokoro transformam a vida de pessoas com dificuldades. O livro é o terceiro da famosa série de sucesso.
Uva, memória, Bento Gonçalves
Marcel Proust, um dos gigantes da literatura dos últimos séculos, autor dos sete volumes de Em busca do tempo perdido, degustava madeleines, bolinhos doces, para que seu pensamento voltasse à infância. Nosso gigante Dalton Trevisan, o vampiro de Curitiba, imortalizou a broa de fubá mimoso. Alimentos, sabores, aromas, sons, filmes, canções aguçam nossos sentidos e nos levam a viajar pela máquina do tempo da memória. De vez em quando até podemos lembrar memórias inventadas ou embaralhar tempos, locais, personagens, diálogos e situações. Podemos recriar, repaginar as memórias.
Da minha infância em Bento Gonçalves, onde nasci e vivi até os 12 anos, vai ficar para sempre a memória do galeto com polenta, radicci, sopa de cappelletti, massa, salada de maionese e muitas outras delícias, especialmente as preparadas pela minha mãe, que cozinhava pratos italianos cantando. Se eu for condenado à morte, galeto, polenta e sopa de cappelletti serão minha última refeição. Mas o que me faz lembrar minha amada cidade com feliz assiduidade é a uva, que atualmente dá para consumir o ano todo, não só no verão.
Cada vez que degusto uva é como se fosse Bento em forma de doce grão dessa fruta saudável e milenar que é a mais consumida do mundo. Uva me lembra moças nas mulas, com cestos cheios dos cachos de uva e outras joias coloniais. Uva me lembra dos verões quentes da Serra, com a temperatura amena de noite. Eu e os amigos íamos ver os caminhões descarregando uvas no Dreher. As sobras eram nossas - não sei como não tivemos overdose de uva...
Certo sábado, de noitezinha, eu estava suado do jogo de futebol. Minha mãe disse que tomasse banho e me vestisse, que iríamos na colônia, na casa dos queridos amigos Benedetti, em Linha Salgado. Eu disse que, como era na colônia, iria sem tomar banho ou trocar de roupa. Minha mãe, colona, italiana, filha de colonos italianos, me disse que, justamente por irmos na colônia, eu iria de banho tomado e com a melhor roupa possível. Ela me ensinou o respeito e o carinho que devíamos ter pelos agricultores, especialmente pelos Benedetti.
Nós íamos com frequência nos Benedetti. Nos deram o apelido carinhoso de 'le sarne', as sarnas, para ti que não fala italiano. Seu Henrique, o Rico, a esposa Argemira, dona Mira e os filhos Eurico, Roberto, Henrique e Honesta e as duas zie (tias) solteiras nos recebiam muito bem nas noites de verão, com vinho doce, pipoca e uva. Colher e comer uva embaixo do parreiral, com aquele perfume de uva madura e a lua e as estrelas brilhando entre as folhas, é a nata da memória, é o que de melhor turistas e não turistas devem fazer em Bento, além da indispensável conversa com os agricultores.
Fico feliz lembrando que os Benedetti criaram a empresa de móveis Bentec, a vinícola Lovara e são sócios da Miolo, além de outras atividades vitoriosas. Hoje, a Lovara tem espaços para eventos e tudo para o enoturismo, como degustação, venda de vinhos, wine picnic, brinde das estrelas e outros.A propósito
Então, fico feliz em degustar uva o ano todo e lembrar dos meus verdes anos numa cidade que me orgulha pelos seus cidadãos, sua história, seu progresso, sua economia, distribuição de renda, cultura e beleza natural. A gente não esquece onde viu pela primeira vez a luz do sol. Sol de Bento na mente. Ah, se um dia eu morrer e for cremado, quero que minhas cinzas sejam enterradas embaixo dos parreirais da família Benedetti, ao som de canções italianas interpretadas pelo Tony Bennett. Salute! Memória é onde as coisas acontecem muitas vezes. Com uva, então, nem se fala. (Jaime Cimenti)

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