Por escolha ou fatalidade,
ele pode pensar em você.
Todos os dias.
E ainda assim preferir o silêncio.
Ele pode reler seus bilhetes,
procurar o seu cheiro
em outros cheiros.
Ele pode ouvir as suas músicas,
procurar a sua voz em outras vozes.
Talvez ele perceba
que você faz falta.
E diferença.
De alguma forma, numa
noite fria.
Você não sabe.
Ele pode ser o cara com quem
passará aquele tão sonhado
inverno em Paris.
Caio Fernando Abreu
