sexta-feira, 25 de janeiro de 2013



Jaime Cimenti

Otimismo racional, pessimismo, esperança e futuro

Uma velha historinha diz tudo sobre pessimismo e otimismo: na noite de Natal, um menino recebe uma bicicleta e chora, reclama, diz que vai cair da bici, que vai se machucar, podendo até morrer atropelado. O irmão dele ganhou um montinho de esterco e sai dizendo, animado, “ganhei um cavalo! Ganhei um cavalo! Você viu ele por aí?” Pois é, alguns dizem que o otimista é um pessimista mal-informado e alguns sempre procuram pensar positivo, mesmo bem-informados. Informação hoje, aliás, é o que não falta. 

A capa da Veja de 23 de janeiro passado fala da matéria que aponta 25 razões para otimismo no futuro próximo, tipo aumento de expectativa de vida, facilidade para não ficar careca, vitórias contra o câncer, melhora no ar das grandes cidades, retomada do bom caminho pela América Latina, mais facilidade para vistos para os Estados Unidos, crescimento da economia no Brasil e no mundo etc. 

Claro, nem tudo é tão positivamente previsível, mas vale acreditar e saber o que vem de bom por aí. Precisamos sempre acreditar em melhora, para dar um sentido para nossa curta e rápida passagem pelo planeta e ir tocando nosso barquinho adiante, apesar dos noticiários catastróficos, especialmente os televisivos,  da atualidade. Há quem pense em otimismo racional, como o inglês Matt Ridley, autor do livro The Rational Optimist. 

Outros acham que a racionalidade e o otimismo são incompatíveis, que a razão nos faz pessimistas, cautelosos e aponta para o que pode dar errado. Muitos preferem acreditar mais na esperança, mesmo sem ter motivos concretos para isso, entendendo que a esperança é humilde, irracional e nos ajuda a encarar o cotidiano. 

Pensando bem, em meio a esta contradição tão humana e velha como a Sé de Braga, nos resta ler as vinte e cinco razões da Veja e ter esperança em dias melhores para nós, filhos, bisnetos e tataranetos. O povo sempre disse que a esperança é a última que morre. Tomara que ela não seja a última a morrer. 

Tomara que ela seja imortal como o Machado de Assis. Neste início de ano, é bom pensar, entre outras coisas, que teremos melhores estádios de futebol, que as coisas vão melhorar, literalmente, no vestiário do Internacional, que os moderados serão ouvidos no Oriente Médio e que as informações do mundo serão ordenadas, em benefício de todos.

Faça aí sua lista de otimismos e vá em frente, com muita esperança. Nós, brasileiros, sempre fomos e seguimos sendo profissionais da esperança. Aquela história de que o Brasil é o país do futuro e sempre será dançou. Vamos procurar o cavalo do menino da noite de Natal até a eternidade.