quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


KENNETH MAXWELL

Promessas e realidades

Obama definiu uma agenda progressista para o seu segundo mandato. Defendeu os direitos das minorias e dos gays. Declarou que o tempo das guerras era coisa do passado e que a economia está melhorando. Evitou a política externa quase completamente.

Seria bom poder ignorar os desafios globais. Mas o mundo continua um lugar canceroso, com múltiplas crises em curso. Ignorar os assuntos internacionais pode causar problemas ao presidente no futuro.

Os EUA também continuam um país muito dividido. No dia da eleição presidencial, Ben Schott descreveu, no "Times", de Londres, um panorama fascinante sobre as divisões na sociedade norte-americana.

Schott, 38, é autor das séries "Original Miscellany" e "Schott Almanac". Desde 2008, ele vem colaborando com o "New York Times". Seu "Almanac" foi definido pelo "Boston Globe" como "um dos mais estranhos e viciantemente legíveis livros em catálogo".

A coleção de estatísticas de Schott quanto aos EUA é igualmente fascinante. Ele constata que, a despeito do clichê de que as classes sociais pouco importam na sociedade dos EUA, os números demonstram que os norte-americanos cada vez mais se definem como "de classe baixa". A "classe mé-dia baixa" cresceu 6% desde 2008, enquanto a "classe média" encolheu 4%. A mudança é confirmada pelo colapso na renda domiciliar média, que foi de US$ 50.054 em 2012, ou US$ 570 inferior à de 1989.

Schott constata que um crime violento é cometido nos EUA a cada 26,2 segundos, e um crime contra a propriedade, a cada 3,5 segundos; que 15% dos norte-americanos viviam na pobreza em 2011 -42,2 milhões de pessoas, das quais 16,1 milhões com menos de 18 anos. Em 2011, 15,7% dos norte-americanos não tinham seguro-saúde -48,6 milhões de pessoas, das quais 6,9 milhões com menos de 18 anos.

Só 15% dos norte-americanos creem que o país estará em declínio nos próximos quatro anos, mas 50% acreditam que os melhores dias da nação ficaram no passado; 72% acreditam que os EUA se envolverão em um conflito internacional nos próximos quatro anos; só 27% acham que a próxima geração de norte-americanos viverá melhor que a atual; só 30% acham que o país estará mais unido em quatro anos.

Cerca de 52% dos adultos norte-americanos acreditam que relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é "moralmente errado". Mas 51% acham que o casamento homossexual deve ser legalizado. Só 3,4% se identificam como gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros. Cerca de 46% dos adultos são "criacionistas", e 13% não querem qualquer restrição à posse de armas.

O artigo de Schott portava o título de "Os Estados (Des)Unidos da América".

KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.