terça-feira, 5 de maio de 2026

Após obras, Melo afirma que Porto Alegre está mais segura para enfrentar as chuvas

Prefeito afirma que cidade está muito mais protegida e destaca a realização de obras emergenciais

Prefeito afirma que cidade está muito mais protegida e destaca a realização de obras emergenciais

TÂNIA MEINERZ/JC

Cláudio Isaías
Cláudio IsaíasRepórterApós a tragédia climática de maio de 2024, que deixou Porto Alegre isolada do restante do Estado, o prefeito Sebastião Melo afirmou que a cidade está mais segura para enfrentar as chuvas que vão chegar este ano. "A cidade está muito mais protegida e as obras imediatas que estamos fazendo de emergência tornam Porto Alegre mais segura", ressalta. Segundo Melo, a operação Tripartite, que envolve os governos federal, estadual e municipal, opera com R$ 6 bilhões em recursos, destinados para a drenagem urbana e a proteção de cheias.
A cidade de mais de 1,3 milhão de habitantes terá duas obras emergenciais para contenção de cheias nas Zonas Norte e Sul. Com um investimento previsto de R$ 30 milhões, os trabalhos na região do Aeroporto Internacional Salgado Filho serão realizados ainda este ano. A previsão é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2026. Na Zona Sul, o projeto consiste na instalação de uma proteção móvel com cerca de 300 metros de extensão, preenchida com areia na região do Arroio Guarujá - o custo está estimado em R$ 540 mil.
Segundo o prefeito, estão previstos recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e do Fundo de Reconstrução para a realização de obras. "Esse esforço tripartite das três esferas de governo faz com que Porto Alegre tenha um conjunto de investimentos que nunca teve nesta área ao longo da sua história", comenta.
As obras e os investimentos no sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre foram apresentados no final do mês de abril pelo prefeito Sebastião Melo, no Centro de Monitoramento e Contingência Climática. 
Cerca de R$ 2,3 bilhões serão destinados à proteção contra cheias e drenagem urbana, provenientes de recursos próprios, financiamentos nacionais e internacionais e repasses de fundos criados após a enchente. Desse total:
  • R$ 1,1 bilhão será destinado à ampliação e construção de novas casas de bombas;
  • R$ 600 milhões à qualificação de arroios e galerias;
  • R$ 624 milhões serão aplicados em melhorias nas estruturas de proteção contra cheias.
"Vamos entregar uma cidade mais segura e melhor para todos os porto-alegrenses", acrescenta Melo.
No detalhamento das obras e investimentos no sistema de proteção de Porto Alegre, o prefeito destacou as ações do Município para reforçar a segurança contra cheias após os eventos climáticos de 2024. "São obras complexas em áreas urbanas consolidadas. E por tudo isso queremos a colaboração do Exército em contratos emergenciais para acelerar as intervenções", comenta. Além disso, o prefeito aborda o combate ao retorno irregular de famílias a áreas de risco e defende a necessidade de adaptação da cidade ao "novo normal" em razão do clima por meio de planejamento técnico rigoroso.
Melo defende que a prefeitura prioriza a proteção de todas as regiões da cidade, do Extremo Sul ao Norte. "Toda a cidade requer atenção. A Zona Norte, o Centro Histórico, o 4º Distrito, o Humaitá, o Guarujá, a Ponta Grossa e o Lami. Ou seja, toda a cidade. O prefeito tem que olhar para os 93 bairros de Porto Alegre e olhar para proteção de cheia em toda a cidade", acrescenta.
Recursos no valor de R$ 6 bilhões estão focados na recuperação de diques, casas de bomba e dragagem de arroios | EVANDRO OLIVEIRA/ARQUIVO/JC
Recursos no valor de R$ 6 bilhões estão focados na recuperação de diques, casas de bomba e dragagem de arroiosEVANDRO OLIVEIRA/ARQUIVO/JC
Dmae propõe solução imediata para pôlderes 7 e 8 na Zona Norte
Com a proposta de reformular o sistema de proteção contra enchentes na região da Zona Norte, o Dmae propõe a realização imediata de obras nos pôlderes 7 e 8, localizados na Zona Norte. A região - planejada como uma área alagável na concepção original do sistema, na década de 1960 - foi um dos pontos de fragilidade em relação ao Rio Gravataí durante a enchente de 2024. O investimento na solução está avaliado em R$ 30 milhões. O diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone destaca que a discussão sobre a proteção dos pôlderes 7 e 8 está em andamento, desde a década passada, no âmbito estadual - tendo em vista que a região integra, também, a proteção de cidades da Região Metropolitana, vizinhas a Porto Alegre. O departamento estuda o assunto desde 2024, com o objetivo de acelerar as ações necessárias na Capital.
A solução imediata tem como primeiro passo o fechamento das galerias que levam a água da chuva da bacia do Arroio Areia ao Rio Gravataí. A ideia é construir um dique, com 100 metros de extensão, para repetir este feito no Arroio Passo das Pedras. O volume dos cursos d’água será retido na área alagável e retirado, por meio de bombas flutuantes, em direção ao rio. "As estruturas serão executadas nos próximos meses. Elas serão aproveitadas no decorrer das obras definitivas, que ainda dependem do consenso entre as gestões municipal, estadual e federal. Desta forma, garantiremos a proteção integral da região - que inclui, entre outras estruturas, o Aeroporto Salgado Filho", comenta Perrone.
O projeto apresentado pelo Dmae para os pôlderes 7 e 8 inclui a construção de uma bacia de amortecimento permanente, para a retenção da água da chuva que escoa nos arroios Areia e Passo das Pedras. Duas novas casas de bombas serão responsáveis por retirar a água da estrutura em direção ao rio. Não haverá necessidade de acolhimento imediato das famílias que vivem na área. 
Sistema de Proteção - Pôlderes 7 e 8 - proposta do Dmae
Arroio Areia
Fechamento das galerias que levam a água da chuva para o Rio Gravataí. Volume é represado na área alagável.
Arroio Passo das Pedras
Construção de dique, com 100 metros. de extensão, entre o curso d’água e o Rio Gravataí.
Bombeamento
Bombas submersíveis retiram a água da área alagável para fora do dique, em direção ao Rio Gravataí.
Bacia de amortecimento
Estrutura permanente é criada para reter a água da chuva acumulada nas bacias dos arroios. Drenagem Urbana
Duas novas casas de bombas retiram a água acumulada na bacia de amortecimento em direção ao Rio Gravataí.

Sistema de Proteção até maio de 2024
- Diques: 43 quilômetros: 23 externos e 20 internos
Comportas: 14 passagens
Casas de bombas (drenagem urbana): 23 Estações de Bombeamento de Águas Pluviais
Obras de bacias com impacto na Capital
Bacia Arroio Feijó - R$ 2,5 bilhões
Dique com cota de coroamento superior a 7,7m; Sete pôlderes; 21 casas de bombas; 19 pontes de acessos; 8,5 km de novas estradas e 27,7 km de canais de macrodrenagem.
Bacia do Gravataí - R$ 450 milhões
Reconstrução dos diques de Porto Alegre (Vila Dique e Sarandi); Novo dique em Cachoeirinha; Novo dique e casa de bombas em Gravataí.
 

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