sábado, 2 de junho de 2012



03 de junho de 2012 | N° 17089
Artigos ZH

TOGAS NO DIVÃ

Um Supremo formal, mas nada discreto

Juristas e magistrados dizem que código de conduta poderia ajudar a evitar episódios constrangedores
Com 11 integrantes e dois séculos de existência, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi concebido para reunir o mais elevado cabedal jurídico do país, com a missão de garantir o cumprimento da Constituição Federal.

Todavia, nem mesmo o rigor formal que barra a entrada na Corte de mulheres com ombros desnudos ou penteado extravagante impediu que nos últimos tempos o STF protagonizasse sucessivas polêmicas, com ministros envolvidos em contendas políticas ou trocando o linguajar empolado por bate-bocas constrangedores.

– O colegiado é um ninho de víboras – resumiu, esta semana, Marco Aurélio Mello, com a experiência de quem há 22 anos está no STF.

A mais recente celeuma foi o mal explicado encontro entre o ministro Gilmar Mendes, o ex-presidente Lula e o ex-ministro do STF Nelson Jobim. Mendes afirma ter sido chantageado por Lula, que teria oferecido proteção na CPI do Cachoeira em troca do adiamento do julgamento do mensalão. Lula e Jobim negaram o teor da conversa. Mendes reagiu, dizendo que era vítima de uma central de boatos operada por “bandidos, chantagistas e gângsteres”. Já Celso de Mello disse que Lula poderia sofrer processo de impeachment, caso seguisse presidente.

Embora o STF esteja cada vez mais atuante, com decisões importantes no vácuo da omissão do Congresso, o episódio reacendeu o debate sobre o comportamento da cúpula do Judiciário. No entendimento de juristas, políticos e ministros de Cortes superiores, nenhum dos três envolvidos agiu de forma correta. Na avaliação predominante, porém, Mendes não poderia ter se encontrado com Lula no escritório de um advogado, em um compromisso fora de sua agenda oficial.

– Imagina o que aconteceria nos Estados Unidos se um ministro da Suprema Corte fosse a um escritório de advocacia? O mundo cairia – compara o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Essa não foi a primeira vez que Mendes se envolve em discussão. Depois de se desentenderem no plenário do STF, em 2009, ele e Joaquim Barbosa trocaram ofensas pela imprensa. Mendes chamou Barbosa de “preguiçoso” e “despreparado”. O revide foi virulento. Barbosa classificou o contendor de “violento” e “atrabiliário” – que significa propenso à briga, à cólera – , e o acusou de aparelhar o Supremo com “interesses monetários e partidários”.

Estudioso prega isolamento

Há dois meses, Barbosa também bateu boca pelos jornais com o então presidente Cezar Peluso. Classificado de “inseguro” e com “temperamento difícil” por Peluso, Barbosa disse que o colega era “tirano, desleal e caipira”.

Para o ministro Guilherme Caputo Bastos, do Tribunal Superior do Trabalho, a frequência com que essas diatribes vêm ocorrendo demonstra a necessidade de um código de conduta para a magistratura.

Com a ressalva de que é amigo de Jobim e Mendes, e de que dificilmente recusaria um encontro com um ex-presidente, Bastos diz que faltam regras claras para reger os ministros de cortes superiores.

– O STF deveria capitanear um debate sobre a criação de parâmetros de comportamento – prega.

Na opinião de Bastos, o destempero cresceu a partir de um protagonismo exacerbado dos ministros, fruto das transmissões ao vivo das sessões.

Nos últimos anos, a imprensa flagrou ministros admitindo ter julgado com a “faca no pescoço” (Ricardo Lewandowski, no recebimento da denúncia do mensalão) e trocando inconfidências em plenário sobre o voto dos colegas (Lewandowski e Cármen Lúcia, na mesma ocasião).

Para o jurista Dalmo Dallari, o excesso de exposição cria uma imagem negativa do STF. Professor da Universidade de Paris e com experiência em cortes europeias, Dallari defende que o Supremo seja transferido de Brasília, a exemplo do que ocorre na Alemanha:

– A cúpula judiciária tem de ficar longe do centro do poder político. E ministro não tem nada de dar entrevista, fazer acusações, mexericos. Isso prejudica a autoridade do Judiciário.

fabio.schaffner@gruporbs.com.br


03 de junho de 2012 | N° 17089
VERISSIMO

Avôs

Fila de banco. Dois senhores com ar distinto, um atrás do outro. Os dois engravatados, respeitabilíssimos. O senhor de trás nota um desenho colorido nas costas da mão do senhor da frente e pergunta:

– Neto?

– Neta – diz o outro.

– Eu também – diz o primeiro, mostrando um desenho nas costas da própria mão.

– Ela diz que é uma borboleta. Eu não acho nada parecido com uma borboleta, mas vou discutir com ela?

– A minha insiste que isto é um gato de chapéu, e não quer ouvir o contrário.

– Não aceitam críticas.

– No outro dia, eu disse: “Que bonito, você fez uma pintura abstrata...” Ela não quis saber de pintura abstrata. Era um sapo vermelho no meio de um lago azul, eu não estava vendo?

– Elas ficam bravas.

– Ficam. Só falta nos chamarem de burros. E quando a gente vai lavar a mão para tirar a tinta?

– Fazem um escândalo. Estamos destruindo as suas obras de arte.

– A sua pinta, o seu rosto também?

– Pinta. Diz que é maquiagem. Há dias eu estava dormindo a sesta e quando acordei estava com o rosto todo pintado. Pó, batom, blush, tudo que ela pega da mãe dela.

– A minha só usa o batom. Mas passa batom em todo o meu rosto, menos nos lábios. Na ponta do nariz, nas faces... Faz desenhos com batom na minha testa e exige que eu nunca mais lave o rosto.

– Não é formidável?

– É fantástico.

– Vou confessar uma coisa. Eu não sabia o que era a felicidade até o dia em que minha neta desenhou cabelos na minha careca com tinta preta. Foi um escândalo em casa. Mas como, sujando a cabeça do vovô desse jeito?! Ela explicou que era para tapar a careca, para o vovô ficar mais bonito. Botaram ela de castigo, ameaçaram jogar fora as suas tintas, foi uma choradeira só. E eu feliz da vida. Olhe só, ainda tem um resto de tinta aqui...

– Elas são maravilhosas...

– Mas depois crescem.

– Tem isso. Crescem depressa demais. Começam a achar avô chato...

– Eu me vejo daqui a poucos anos andando atrás da minha e pedindo: “Não quer pintar a mão do vovô?”

– É . “Pinta o rosto do vovô de palhaço, pinta”.

– Vamos ter que pedir por favor.

– E elas nada. E daqui a pouco são umas mulheres feitas...

– A verdade é que ser avô dura muito pouco.

– Muito. Temos que aproveitar o momento, que passa rápido. Aproveitar antes que desbote.

– Como uma pintura na mão.

– Isso. Olha, acho que aquele guichê ficou livre.

– Vou lá. Muito prazer, viu?

– Prazer.


03 de junho de 2012 | N° 17089
PAULO SANT’ANA

País sem oradores

O certo é a gente filiar-se a um partido político, reunir-se lá, arregimentar-se, escolher um candidato ou candidatar-se e agir politicamente, pois sabe-se que não se pode organizar a sociedade sem política.

Mas a impressão que a realidade brasileira está mostrando é que alguém que hoje se filia a um partido político está em busca de uma vantagem pessoal.

Eu noto tragicamente que a maioria do povo brasileiro pouco está ligando para a política, para os governos, para a instituições.

As pessoas são alienadas da política, da economia, da organização social.

Essas pessoas escolheram ser alienadas para serem felizes ou menos infelizes.

É uma desilusão total. Os mais respeitáveis vultos da organização social ou se corrompem, ou se beneficiam de privilégios.

Mas o que eu noto é que o povo alheou-se completamente das instituições. Pouco se lhe dá que fulano ganhe propinas na função pública, que determinadas classes sobrepujem as outras em privilégios e benesses, que as tetas do erário sejam sugadas por bocas ávidas de insaciáveis butins, que os políticos se organizem para se locupletarem pela corrupção.

O homem do povo, pelo que noto ao meu redor, está pouco ligando para isso tudo. E, quando falo em homem do povo, não estou falando só das pessoas incultas. Até os cultos e articulados se mostram tristemente indiferentes a essa esculhambação moral que se instalou no cerne da dissimulada civilização brasileira.

Como acabou o ardor cívico, as pessoas do povo preocupam-se somente em alcançar pelo trabalho ou pelo estudo melhores posições.

E que se lixe a política e que prossigam os saques aos tesouros públicos.

Não há hoje no Brasil uma só liderança que empolgue, uma só voz política que apaixone, não há um farol, não há mais nada. É cada um por si na mixórdia instalada.

Isso faz desabar o espírito das pessoas conscientes, que se aturdem com o destino que lhes pregou a peça de serem brasileiros.

Estão vindo por aí as eleições, sucedem-se as eleições, mas notem que o povo nem liga para elas e nem quer saber quem serão os candidatos, um quadro trágico de desinteresse, que só pode agravar mais ainda esse cenário desolador.

E dizer-se que houve um tempo neste país em que a maior atração não era o rádio ou o futebol, as maiores atrações eram os oradores políticos e partidários, que incendiavam nos palanques e nos microfones as mentes e os corações dos brasileiros.

É tão grave a crise moral, que desapareceram completamente dos quadros políticos os grandes oradores.

Somos um povo sem discurso, portanto sem leme, sem rumo, sem esperança. E isso nem chega a ser um povo.


Pontes

Cada vez mais ando carente
De pessoas verdadeiras,
De Sorrisos sinceros
E olhares inocentes...
Ando perseguindo sonhos na crença
De que tudo será somente paz,
Será amor na sua mais pura singeleza...
Tudo me parece tão distante,
Tantos valores perdidos,
Que voluntariamente me distraio para
Um mundo só meu...
Um mundo onde construo pontes amorosas,
Aquelas que ao menor passo,
Dentro do coração,
Ecoam vibrações cheias de ternuras...
Sim... Pontes de amor, muito amor!

Dolce Bárbara
By Keyla

Beijinhos a todos, no ♥


Talvez ninguém parou para ouvir a sua história
Quem sabe só olharam seus momentos de glória
Ao verem seus troféus admirados exclamaram
Para que honrar alguém desconhecido
Que até ontem era nada
Pra que tantos elogios?
Não sabem o trajeto percorrido
Quantas vezes abatida, humilhada
Quantas vezes você se calou
Suportando afrontas e muita dor
Sei que não foi fácil mas Deus tudo contemplou
Embora não conheçam a sua provação
Chegou a hora de Deus te exaltar
Ainda que muitos digam não...
DEUS vai realizar seus sonhos!

.


Muitas vezes as pessoas 
Tentam viver a vida às avessas: 
Eles procuram ter mais coisas ou mais dinheiro, 
Para poderem 
fazer o que querem, de modo que possam ser felizes. 
A coisa deve funcionar ao contrário: 
você primeiramente precisa ser quem 
você realmente é, para então
fazer o que precisa ser feito, 
A fim de ter o que você deseja.
.

.
A linguagem da amizade....


.
É bom ter amigos...


Você é um doce perfume
Onde me banho de sua presença
Você é um linda flor
Onde em todas primavera desperta meu amor
Você é a luz brilhante da maior estrela do céu
Que brilha sempre meus desejos e prazer
Você é única e diferente
Para meus olhos.....meu doce prazer!
Imensa luz e paz em seu coração!
.



A não-violência e a covardia não combinam.
Posso imaginar um homem armado
até os dentes que no fundo é um covarde.
A posse de armas insinua um elemento
de medo, se não mesmo de covardia.
Mas a verdadeira não-violência é uma
impossibilidade sem a posse
de um destemor inflexível.
Mahatma Gandhi
.





"ANJO!
O meu céu eu pinto cada dia
de uma cor.
Hoje, vou estampar bem grande
A CORAGEM.
É que é preciso ter coragem e fé
para se equilibrar na linha do destino.
Você já coloriu o seu hoje?
Ainda dá tempo... "
Lindo final de semana pra você








Lindo sábado pra você...





02 de junho de 2012 | N° 17088

CLÁUDIA LAITANO

Hologramas

Entre as experiências sensoriais inusitadas proporcionadas por novas tecnologias – coisas insólitas como observar o interior do próprio corpo no monitor de uma TV ou conferir na internet a imagem que um satélite captou do telhado da sua casa –, assistir a um artista morto cantando e dançando em três dimensões no palco deve estar na lista das mais bizarras.

A tecnologia nem é tão nova assim – na verdade, trata-se apenas de uma superprojeção em 3D em tamanho natural –, mas o impacto da ressurreição virtual do rapper Tupac Shakur, morto em 1996, durante um show realizado em abril, nos Estados Unidos, tem feito brilhar de cobiça os olhos de empresários e herdeiros de artistas mortos.

A possibilidade de fazê-los trabalhar de graça sem a necessidade de providenciar cachês, hospedagem ou toalhas brancas no camarim – e eliminando completamente o risco de faniquitos ou excesso de consumo de substâncias químicas – anuncia-se como o melhor dos mundos (e dos outros mundos) para o showbiz. Artistas como Michael Jackson, Elvis Presley e Marilyn Monroe foram chamados a interromper seu descanso eterno para retornar aos palcos, numa lista que, até a última contagem, incluía nomes como Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Whitney Houston.

Por enquanto, as estrelas desse baile macabro são apenas os grandes artistas – gente famosa que deixou tantos registros audiovisuais da sua passagem pela Terra, que poderia viver uma segunda encarnação inteira circulando entre os vivos apenas na forma de fantasma holográfico.

Mas como anônimos também adquiriram o hábito de fotografar-se e filmar-se o tempo todo, é possível imaginar um futuro, nem tão distante assim, em que nossos bisnetos poderão assistir TV sentados ao lado dos queridos bisavós que morreram antes mesmo de eles nascerem.

Os hologramas musicais, como qualquer bom truque de mágica, fascinam os espectadores porque usam a ilusão para dar aparência de realidade a façanhas que contrariam as leis da natureza – feitos como aparecer e desaparecer, levitar ou caminhar sobre as águas. No caso dos ídolos que voltam à vida no palco, a tecnologia vai ao encontro das duas mais antigas fantasias do homem: viver para sempre e reencontrar pessoas que já se foram.

Apenas com essas duas promessas, religiões vêm nascendo e morrendo desde que o mundo é mundo – ou melhor, desde que o homem é homem, ou seja, tem consciência da própria finitude. Também na arte, o tema tem sido explorado até onde a vista alcança: do mito grego de Orfeu, que volta ao reino dos mortos para tentar, em vão, resgatar a amada Eurídice, ao cemitério maldito de Stephen King, que traz os mortos de volta, mas nunca exatamente como eles eram antes.

O sonho de driblar a morte tem assombrado a humanidade como um fantasma desde sempre. A novidade é que agora inventaram um jeito de cobrar ingressos para vê-lo cantando num palco.




02 de junho de 2012 | N° 17088

CAPA ZH

Alternativas para formar a prole

Reprodução assistida é a opção quando o ritmo de vida do casal está em descompasso com o relógio biológico

As brasileiras estão tendo menos filhos e engravidando mais tarde. A baixa na fecundidade está associada ao aumento do nível socioeducativo e econômico, além na mudança do perfil etário da população. A gravidez tardia chama a atenção para a necessidade de conhecer métodos de reprodução assistida, como alternativas a formação da prole.

Se por um lado as mulheres estão demorando mais para ter filhos, com a vida profissional estabelecida, por outro, enfrentam problemas ao deixar para engravidar depois dos 30 anos – o que pode demorar e custar mais caro.

– Quanto mais jovem for a mulher, mais chances de engravidar. Se a mulher é mais velha, há riscos da hipertensão, diabetes, além de má formação fetal, parto prematuro, deslocamento da placenta e morte fetal – afirma o médico João Sabino Filho, da Clínica Insemine.

De acordo com o especialista, casos de infertilidade manifestam-se tardiamente nas mulheres de classe social favorecida, enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) costumam apresentar-se por volta dos 25 anos. Sabino explica que isso ocorre porque, na classe social mais favorecida, as mulheres estão tendo filho mais tarde.

A tendência é confirmada pelo psicólogo Lucas Rosito, que explica que é comum encontrar mulheres na faixa dos 30 a 35 anos preocupadas com a influência da satisfação pessoal e profissionais no planejamento familiar:

– As pessoas gastam toda a década dos 20 anos se envolvendo com a busca pela estabilidade na carreira e qualificação. Quando chegam perto dos 30, a questão biológica começa a falar mais alto e o desejo de ser mãe é confrontado, muitas vezes, pela falta do parceiro ideal. Isso ocorre porque muitas pessoas deixaram para depois a preocupação com o aspecto pessoal.

Para quem se encaixa nesse perfil, há exames que ajudam a identificar como anda o nível de fertilidade. Os testes mais tradicionais são o anti-mulleriano, que avalia as células do ovário, e a ecografia, que conta o número de folículos. Para os homens, há o espermograma.

– Quanto mais jovem é a mulher, mais alta é a taxa de células ovarianas e maior é a capacidade do óvulo – explica Mariangela Badalotti, sócia-diretora do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva.

Após um ano sem conseguir engravidar, a recomendação é investigar. Diante do diagnóstico de restrição de fertilidade, há diversos caminhos a seguir. As opções oferecidas nesses casos, explica a médica, são tratamento clínico (com medicamento para homens ou mulheres), cirurgia (em caso de endometriose ou varicocele) e reprodução assistida (com a fertilização in vitro, inseminação artificial e congelamento). Os custos podem variar de R$ 2 mil a R$ 14 mil.

Mariangela alerta que dos 28 aos 30 anos a chance de engravidar é de 30%. Dos 30 aos 35 anos essa chance cai para 25%, dos 35 aos 40 anos é de 20 a 15%, e acima dos 40 anos é de 10%.

Uma das técnicas mais seguras é o congelamento de óvulos – sobretudo em casos da mulher ter diagnóstico de câncer ou não ter encontrado o parceiro ideal. O custo médio atinge até R$ 7 mil, além da manutenção mensal (entre R$ 200 e R$ 500 por ano) e da preparação do corpo com medicação.

lara.ely@zerohora.com.br


02 de junho de 2012 | N° 17088

EDITORIAIS

Espetáculo indecoroso

Observadores espirituosos já vinham chamando a CPI do Cachoeira de Circo Parlamentar de Inquérito, mas os parlamentares que integram a comissão investigativa não precisavam assumir o papel pejorativo que lhes é atribuído, como fizeram na última quinta-feira os deputados e senadores que transformaram o não depoimento do senador Demóstenes Torres num bate-boca do mais baixo nível.

Foi âncora do indecoroso espetáculo o deputado Sílvio Costa (PTB-PE), que aproveitou o seu momento de visibilidade para ofender o acusado com uma série de xingamentos, ao mesmo tempo em que constrangia seus pares pela inconveniência do gesto. Ao ser interrompido pelo senador Pedro Taques (PDT-MT), que lhe pediu para tratar o colega com dignidade, o parlamentar pernambucano ficou ainda mais alterado, incluindo palavrões no seu já destemperado vocabulário.

A sessão foi encerrada sob um bate-boca generalizado, do qual pareceu salvar-se exatamente o depoente, por ter avocado para si o direito constitucional de permanecer calado. Pena que os demais não seguiram o seu exemplo.

Criticar o Legislativo é sempre fácil, por ser o poder mais exposto e mais vulnerável a observações. Mas a verdade é que alguns parlamentares parecem fazer um esforço para deslustrar a imagem do Legislativo.

É impossível que os eleitores do deputado Sílvio Costa não tenham sentido vergonha do seu representante ao vê-lo agredir colegas, desrespeitar as regras da Casa e agir de forma prepotente exatamente no momento em que a nação espera um posicionamento justo dos integrantes da CPI em relação a um parlamentar acusado de falta de decoro.

O mínimo que se espera, depois do deplorável espetáculo de impropérios, é que os órgãos corregedores do Congresso e as comissões de ética das duas casas chamem os infratores à responsabilidade.



02 de junho de 2012 | N° 17088

NILSON SOUZA

Dona Rotina

As redações de jornal já foram muuuito mais agitadas e barulhentas do que são hoje, mas continuam imunes à mesmice. Tenho milhas de sobra nesta viagem pelo universo das notícias e ainda não vivi um dia igual ao outro.

Sou do tempo do matraquear das máquinas de escrever e das guerras de bolotas de papel (até uma de laranjas presenciei certa vez), testemunhei a expulsão do cigarro (a Ritalina das gerações passadas) e a chegada triunfante do computador, essa hipnótica janela aberta para o mundo e fechada para o nosso vizinho de mesa.

Tornamo-nos, por obra da telinha brilhante, trabalhadores silenciosos e sedentários: ninguém mais precisa levantar da cadeira para consultar uma enciclopédia, um dicionário ou mesmo uma coleção de jornais. Basta um ou dois cliques e a informação desejada aparece na nossa frente. O convite à inação é permanente, embora cérebros e dedos operem sem descanso.

Ainda assim, nunca vi Dona Rotina na portaria. Aparecem, isto sim, muitas figuras estranhas, desde divulgadores de festas fantasiados de animais até bandinhas serranas cantando o infalível Mérica Mérica.

Neste contexto, rainhas e princesas já nem chamam mais atenção. Visitas de escolares também são frequentes, os pequenos quase sempre contidos e silenciados por professoras que temem perturbar a nossa concentração. Sempre que passo por uma turminha dessas, gosto de provocar:

– Aqui é proibido ficar em silêncio, podem falar à vontade.

Mas estou perdendo o moral para a brincadeira, pois o nosso exemplo é péssimo. Viramos múmias, como diria a senadora aquela da CPI. Porém, uma novidade introduzida recentemente no nosso dia a dia começa a desafiar o torpor coletivo: a chamadinha da edição do dia seguinte para a televisão.

Pouco familiarizados com câmeras e microfones, introspectivos escribas têm sido desafiados à aventura multimídia por diligentes produtores e cinegrafistas, que os fazem repetir dezenas de vezes a mesma frase e o mesmo movimento, até resultar em algo palatável para o telespectador.

Como muitas destas gravações ocorrem na porta da minha sala de trabalho, acabo assistindo ao espetáculo completo, com as tentativas válidas e inválidas. Outro dia, depois da 18ª repetição, uma aplicada colega perguntou ao homem da câmera se nenhuma tinha ficado boa. Bem-humorado, o cinegrafista respondeu:

– Todas ficaram boas, mas vamos repetir mais uma para garantir.

Não pode mesmo haver rotina num ambiente desses.



02 de junho de 2012 | N° 17088

PAULO SANT’ANA

Desilusão completa

Descobri que ser feliz é ser alienado. Descobri por um amigo meu que é completamente analfabeto. Ele não sabe nem preencher aquele formulário que entregam no avião para quem está chegando ao Brasil vindo do Exterior. Pede que a pessoa que está a seu lado preencha o formulário.

Mas só pode ser feliz um cara que não sabe quem é o Lula, quem é o senador Demóstenes, quem é o ministro do Supremo Gilmar Mendes, não sabe que está instalada em Brasília uma CPI teatralmente nula.

Meu amigo analfabeto é completamente feliz, ele não sabe que a indústria brasileira está baixando sua produtividade, que a Europa está quebrando e os efeitos disso podem atingir o Brasil.

Por sinal, esse meu amigo analfabeto só tem um dos 32 dentes normais em uma pessoa.

E é incrível que eu me cuide todo para comer. Peço um espaguete ou um risoto, que podem melhor ser digeridos pela falta de saliva que me restou depois da radioterapia.

E o meu amigo, que não tem nenhum dente abaixo e acima das gengivas e às vezes janta comigo, pede um matambre. Como é que ele se atreve? Um matambre, mas como é que ele vai engolir aquele matambre sem nenhum dente?

Pois vem o meu risoto e vem o matambre do meu amigo. Ele corta um pedaço do matambre, põe-no na boca, dá um laçaço de língua no matambre e o engole com a maior facilidade.

Demora para comer o matambre metade do tempo que eu demoro para comer risoto.

Foi com esse meu amigo analfabeto e sem dentes na boca que eu descobri que a gente pode ser muito mais feliz se não tiver dentes na boca e ideias na cabeça.

Quem não é alienado sofre muito com o Brasil e com a política. Primeiro, descobre que praticamente não existe político honesto.

Depois que se viu que o íntegro, imaculado e moralista Demóstenes Torres era um safado, não se salva mais ninguém.

Por sinal, essa desilusão começou quando o PT assumiu o poder. O PT era a esperança brasileira de ressurreição da moralidade.

Mas veio o mensalão e se viu que o PT era igual aos outros.

Então, a pessoa que não é alienada vive num inferno astral aqui no Brasil.

Vive completamente desiludida e sem nenhuma esperança.

Eu entendo agora por que alguns desesperados pensam que o Brasil seria muito melhor governado por uma ditadura.

É que esse mostruário de democracia que nos atiram na cara vindo de Brasília é decepcionante.

Até eu mesmo, esses dias, no meu desespero intelectual, andei achando que uma ditadura sem tortura seria melhor que essa farsa de democracia canalha com que estão nos brindando.

sexta-feira, 1 de junho de 2012


 
Não posso dar-te soluções...



m
e encante com serenidade, mas....

Ao abrir esta janela,
que passou a ser uma
extensão da minha casa,
a luz da amizade chega com você,
que todos os dias me visita,
e deixa seu carinho,
em forma de recados.
Cuido de você, com amor,
e o que lhe envio é de coração.
Quando não apareces,
venho te procurar,
e se de alguma forma puder,
eu quero te ajudar.
Nossa amizade pode ser virtual,
mas creia, meu carinho é muito real.
Adoro sua amizade aqui,
nesta janela universal...

(Izabel Dias)
By Keyla
Beijinhos a todos, no ♥


Sonho que sonhei sozinha...



OI ANJO…

“Procuramos tanto algo que se chama felicidade,
que nessa busca não percebemos quantas vezes
fomos felizes.
Queremos tanto o impossível que não percebemos
quanta coisa ainda é possível.
Sonhamos tanto com os melhores momentos,
que só percebemos quando já se foram.
Por isso viva somente o presente aproveitando
o máximo, todos os momentos felizes que te
acontecerem e dos tristes, guarde somente a
experiência que eles deixarem.
Porque as tristezas ...
deverão ser apenas intervalos entre as alegrias.”


MEU ANJO AMADO...ADORO VC....

Linda sexta-feira pra você
Gostoso fim de semana




OS 10 MAIORES SONHOS FEMININOS

10) Um deslumbrante vestido tomara que caia.
09) Um absorvente tomara que não vaze.
08) Uma meia tomara que não desfie.
07) Um sutiã tomara que sustente.
06) Um salto alto tomara que não quebre.
05) Uma celulite tomara que não percebam.
04) Uma calcinha tomara que tirem.
03) Um namorado tomara que ligue.
02) Um amante tomara que não broxe.
01) Um marido rico tomara que morra.

BOM DIA ANJO!
____________________________
"Meus dias são assim...
Feitos jardim repletos de você."

_Bruno de Paula_


Jaime Cimenti

O mundo é o Moinhos, Calçada da grana, Boca Ratão, invasões noturnas etc.

Preste atenção, leitor: o mundo é o Moinhos e tomara que ele não triture teus sonhos tão mesquinhos e nem reduza tuas ilusões a pó. Passo pela Mostardeiro/Mariante, piso com cuidado na Calçada da Grana, metro quadrado e tudo mais caríssimo. Ainda bem que não preciso de empréstimo. Atravesso a 24.

Na Fernando Gomes fico pensando em propor à Câmara de Porto Alegre que troque o nome da rua para Boca Ratão, em homenagem a personagens históricos  que viveram e vivem no pedaço  e para dar um toque  fashion-Miami ao bairro. Nada contra, claro, o ilustre educador Fernando Gomes, que poderia ganhar outra rua, até melhor. Na Padre Chagas, ou Padre Cacique, como chamam alguns lugares frequentados pelos “guris”, dou de cara com o Cheiroso.

Há quem diga que ele está bem assim, integrado e tal. Um amigo, integrante de uma importante associação, sugeriu que lhe providenciassem banho e visita à Tia Carmen. Decidam. Lá pelas bandas do Listo, os Mandarins do Inter e outros ilustríssimos jubilados en Porto trocam umas ideias e assistem aos maravilhosos desfiles das estonteantes gaúchas.

Falando nisso, dois ou três pegadores da noite conversam num dos recantos do Climatério-Menobar e o assunto é grávido: reclamam que, especialmente nos fins de semana, paulistas, cariocas, paranaenses, hermanos e até catarinenses (imagine!) chegam de avião particular ou via passagens aéreas baratinhas e se hospedam, com grandes descontos, nos hotéis finos do bairro e adjacências.

Aí fazem concorrência predatória contra os locais e vão a bares, restaurantes, casas noturnas e similares e mandam baixar tudo do bom e do melhor, e, ainda, de repente, conquistam nossas nativas, as mulheres mais lindas do planeta. Será que os caras estão ricos e generosos, bons de conversa  ou será que a gauchada é meio pão-dura, mão de mulita e precisa trovar diferente? Ou os dois.

O fato é grave. Os governos municipal, estadual e federal poderiam fazer algo? Está tipo guerra fiscal. Sim, estamos num mundo globalizado, tudo bem, mas a coisa não pode ficar assim, com os galos de fora cantando solto aí nos nossos terreiros. Temos que tomar algumas providências. Os caras vêm aqui, gastam a metade do que gastariam em Sampa e tudo mais e nós, como ficamos? De bombacha na mão?

Acho melhor pensar em reação. Até nem digo separatismo, menos, né,  mas acho que “não podemo se entrega pros home”. Sei lá, de repente cobrar uns impostos, impor barreiras albundegárias, vão pensando aí! Jaime Cimenti



Jaime cimenti

Nas fronteiras dos silêncios e das revelações

A superfície da sombra é o romance mais recente do consagrado escritor, jornalista e roteirista gaúcho Tailor Diniz, nascido em 1955. Autor de 11 livros publicados, Tailor recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura 2007 e o Prêmio Associação Gaúcha de Escritores 2007 por Transversais do tempo (Bertrand, 2007). Seu romance mais recente, Crime na Feira do Livro (Dublinense), foi finalista do Prêmio Açorianos 2011 como narrativa longa.

Como roteirista escreveu, entre outros, os curtas Terra Prometida, que ganhou, em 2006, o prêmio de Melhor Filme nos festivais de cinema de Gramado e de Brasília, e Rolex de Ouro, também baseado em um conto seu, que recebeu o prêmio de Melhor Filme na mostra gaúcha do Festival de Cinema de Gramado. A superfície da sombra foi escrito, com muita habilidade, em terceira pessoal do singular e em primeira pessoa do singular. Os focos narrativos se alternam e proporcionam movimento e leitura prazerosa.

O romance é um verdadeiro vira-página, e foi escolhido para publicação pelo Conselho Editorial da Editora Grua entre 194 livros inscritos. A narrativa se inicia em meio à ação - in media res - com um homem saindo de Porto Alegre rumo a uma cidade que faz fronteira com o Uruguai. Ele viaja sozinho, com seus silêncios e segredos, que os leitores vão desvendar, ao menos em parte, ao final da história.

Depois de dirigir uma noite pelo pampa, ele encontra uma moça, Blanca Lúcia, filha de Adèle, que faleceu poucas horas antes. Adèle o mandara avisar de sua morte, pouco antes de partir. Entre luzes e sombras, palavras em português e castelhano, silêncios eloquentes e um denso clima de fronteira, a narrativa se desenvolve e envolve o leitor.

Tailor trabalhou extremamente bem o silêncio, um dos grandes personagens do livro. Antonio, o protagonista, em meio a uma trama que se desenrola à sua revelia, entre outros lances, compra uma faca e participa da Noite das Mascaradas, um antigo ritual pagão para trazer boa sorte.

Entre as ruas dos dois países caminham as sete viúvas da Calle de los Desenganos, que rezam pelas almas dos desamparados. Com grande destreza narrativa, e adequada economia de personagens, cenas e palavras, descrevendo os sons e as palavras do silêncio como poucos, Tailor traz uma história sedutora, com palavras, pausas, mortes, e toques sobrenaturais, revelando bem mais que um mero romance de fronteira.

“Ainda não me havia dado conta de que a superfície da sombra é a superfície das coisas”, diz o protagonista, no início.  Na epígrafe, diz Adolfo Bioy Casares: El verdadero estorbo es la imaginación. Grua Livros, 160 páginas.



01 de junho de 2012 | N° 17087
PAULO SANT’ANA

Nove meses antes

Chega a ser impressionante o que se conhece só agora: a coleção de pessoas importantes da República que eram amigos próximos do contraventor Carlos Cachoeira. Ele dividia mesas de bar, escritórios, os mais diferentes lugares para encontros com muitos dos mais importantes vultos da política nacional, preferencialmente, é claro, os de Goiás. E telefonava todos os dias para todos eles.

E seus tentáculos de amizade interesseira se espalhavam por outros Estados e formavam uma teia sólida em Brasília, senadores, deputados, governadores, presidentes e diretores de autarquias, empresas públicas, secretarias de Estado e ministérios.

E, no entanto, não passava, em última análise, de um banqueiro do jogo do bicho.

Mas o que deu de propina e presentes para os governantes e demais políticos foi uma fortuna.

Como é que a vida de um homem consegue desabar de uma hora para outra? Resta agora só saber o número dos que vão ser apanhados como tendo recebido os presentes e a propina.

Perguntei ao Lauro Quadros, ontem, se ele é isento politicamente. Ele respondeu que é isento.

Então eu disse: “Pois eu não sou isento. De uns tempos para cá, estou torcendo por uma entidade. Se ela pudesse candidatar-se como partido político nas eleições, eu votaria nela. Eu, de uns tempos para cá, deixei de ser isento e me fanatizei por um ente: o Supremo Tribunal Federal. Sou torcedor convicto do Supremo Tribunal Federal. Até que ele me decepcione.

E, no dia em que ele me decepcionar, então morrerão todas as minhas esperanças de que o Brasil se torne uma grande e digna nação”.

Em meio à transmissão de Brasil x Estados Unidos, pela Globo, estabeleceu-se um debate entre Casagrande, Junior e Galvão Bueno: se Oscar é o novo grande número 10 da Seleção Brasileira. Junior e Casagrande disseram que Oscar é o novo 10 da Seleção.

Galvão Bueno falou: “Cuidado, que esta camisa 10 foi do Pelé, do Rivelino e de Zico. Cuidado!”.

Nove meses antes, mais precisamente no dia 22 de agosto de 2011, esta coluna já se preocupava com a questão.

Olhem o que escrevi nove meses atrás: “Nunca o Internacional, de tantos títulos, conseguiu ter em suas fileiras qualquer jogador que se assemelhasse em vulto a Ronaldinho Gaúcho e Renato Portaluppi.

De tantos e tantos craques que passaram pelo Beira-Rio nas últimas décadas, nenhum conseguiu igualar-se em técnica e decisão intrínseca ao talento a Ronaldinho e Renato. Escrevi isso aí de cima porque o horizonte ameaça que o Internacional venha a ter, agora, finalmente, um jogador à altura de Ronaldinho Gaúcho e Renato. Refiro-me a Oscar, que fez os três gols da decisão do Mundial Sub-20.

Oscar tem tudo, chute, descortino, técnica, desenvoltura, para ser um dos maiores jogadores gaúchos de todos os tempos. Que sorte a do Internacional por ter Oscar”.

Nove meses antes!


01 de junho de 2012 | N° 17087
CAPA

Quem é mais bela?

Este Espelho Mágico só pode estar embaçado. Mente para a rainha má que existe no reino uma princesa mais bela do que ela, desorientado ao ver a palidez sem muita graça de Kristen Stewart refletindo na exuberância de Charlize Theron.

Os roteiristas de Branca de Neve e o Caçador fazem uma curva para justificar o mau juízo do espelho, e o expediente até que funciona nessa releitura para grandinhos da clássica fábula popularizada pelos irmãos Grimm no século 19, em cartaz a partir de hoje nos cinemas.

Esta nova versão conserva a essência da história imortalizada no imaginário popular pelo desenho da Disney de 1937 – e que ganhou outra recente adaptação no cinema, estrelada por Julia Roberts. Diferentemente dessas duas versões, Branca de Neve e o Caçador mira o público adolescente adicionando – ou devolvendo – à fabula alguns de seus elementos mais sombrios.

O alvo é a garotada fã de franquias como Crepúsculo e Harry Potter – entre outras tantas que têm colocado aventuras e inquietações juvenis sob o prisma de um universo fantástico – e do seriado Game of Thrones, este obviamente desidratado de violência e erotismo.

O começo do “era um vez...” segue o compilado pelos Grimm a partir do conto originado na Idade Média. Após sua mãe morrer, a princesinha Branca de Neve ganha como madrasta a ardilosa Ravenna (Charlize), que logo se livra do soberano e dá início a um reinado de trevas.

Ravenna, na verdade, é uma feiticeira que preserva sua luminosa beleza sugando anos de vida de jovens donzelas. A jovem cresce confinada em uma torre. Até o dia em que o tal espelho diz a Ravenna que, além de Branca de Neve (Kristen) ser mais bela, se a rainha arrancar o coração da enteada terá garantida a resplandecente imortalidade.

Branca escapa do sacrifício e ruma em direção à temida Floresta Negra. Ravenna convoca um caçador (Chris Hemsworth, o Thor) para buscar a garota, mas este vira seu heroico protetor. Logo entram em cena, aqui, oito anões enfezados – vividos por ótimos atores britânicos, como Ian McShane e Ray Winstone –, a maçã envenenada e o beijo salvador.

Dirigido pelo estreante Rupert Sanders, Branca de Neve e o Caçador é menos feliz quando exagera nos efeitos pirotécnicos e no ritmo frenético – a oras tantas Branca de Neve posa de Joana D’Arc vingativa. Mas, de forma geral, é mais eficiente em sua proposta do que foi, numa tentativa semelhante, a desastrada releitura de Chapeuzinho Vermelho em A Garota da Capa Vermelha. Tanto que a sequência está assegurada, pois nessa ainda não tem o “...e foram felizes para sempre”.

MARCELO PERRONE