
22
de janeiro de 2013 | N° 17320
PAULO
SANT’ANA
Gênio idiota
E o
que faço com meu corpo? Tenho cuidado bem do meu corpo?
Do
meu corpo, além do destino e das circunstâncias, eu tenho também de cuidá-lo.
Por
exemplo, seguidamente vou à podóloga Carla e ela ajeita meus pés, junto, é
lógico, com as unhas.
Minha
barba fica a cargo do Martins e meu cabelo é entregue mensalmente ao Pedrinho.
Mas
e as funções mais importantes do meu corpo, quem cuida delas?
Claro
que os médicos têm a função principal de cuidar do meu corpo, além do dentista.
No
entanto, a principal tarefa no cuidado do meu corpo cabe a mim. E será que a
tenho exercido a contento?
Claro
que não. A começar por um dado essencial: se eu tivesse mesmo cuidado com meu
corpo, deixaria de fumar imediatamente.
E,
não conseguindo parar de fumar, o que então me acontece?
Acontece
que, tendo assim decidido não parar de fumar, parece que sou senhor do meu
corpo. Só parece. Porque, em realidade, ao não parar de fumar me torno escravo
do meu corpo.
Agora,
exatamente agora, me ocorre que só pode ser uma pessoa segura de si mesmo quem
é senhor do seu corpo.
Quem
é escravo do seu corpo, quem sucumbe às tentações do seu corpo, nunca vai ser
feliz e realizado.
E eu
sucumbo – ou sempre sucumbi – às tentações e aos prazeres de meu corpo.
Tanto
é, que não deixo de fumar por sucumbir a um prazer do meu corpo e da minha
mente.
Idiotice
minha. Porque eu já tive um câncer na rinofaringe por culpa do cigarro, aliás,
por culpa minha.
E,
se eu tivesse mesmo que sucumbir a um prazer do meu corpo, eu teria de parar de
fumar.
Em
nome do grande e verdadeiro prazer do meu corpo, que é ter saúde.
E,
para alcançar este supremo prazer (o de ter ótima saúde), eu teria de parar de
fumar.
Eu
sou um burro, um estúpido. E ainda tem gente que tem a coragem de me chamar de
gênio!