segunda-feira, 20 de outubro de 2014


20 de outubro de 2014 | N° 17958
EDITORIAL ZH

TRANSPARÊNCIA E RECONCILIAÇÃO

Ainda que cause desconforto assistir a tantas acusações e a tantas denúncias de corrupção, é melhor saber como pensam e agem os agentes públicos do que ignorá-los e permitir que atuem nas sombras.

O país ingressa dividido nesta semana decisiva para o seu futuro, faltando seis dias para a escolha do homem ou da mulher que administrará a nação pelos próximos quatro anos, além dos governadores estaduais que ainda não foram confirmados no primeiro turno. Apesar da agressividade que vem marcando os debates presidenciais e a guerra da militância pelas redes sociais, os brasileiros têm motivos sólidos para reconhecer e celebrar o momento de amplas liberdades que o país está vivendo.

Mesmo em meio à irracionalidade desta verdadeira guerra ideológica em que se transformou a disputa pelo poder, os cidadãos estão tendo a oportunidade de acompanhar com total transparência a vida política do país e de acessar informações e opiniões livres de qualquer censura. Ainda que cause desconforto assistir a tantas acusações e a tantas denúncias de corrupção, é muito melhor saber como pensam e agem os agentes públicos do que ignorá-los e permitir que atuem nas sombras. A luz do sol – como afirmou um célebre magistrado norte- americano – é o melhor dos desinfetantes.

Sob a égide da transparência, portanto, as lideranças políticas do país estão desafiadas a superar esse estágio crítico da animosidade e a buscar alternativas conciliatórias para o Brasil que emergirá desta disputa quase fratricida que assusta os mais sensatos. A lavagem de roupa suja deve se encerrar com a abertura das urnas, para que vencedores e derrotados possam conviver civilizadamente no futuro que se avizinha. Evidentemente, ninguém precisa renunciar as suas convicções e a sua visão de mundo. Basta exercitar a tolerância e aprender a conviver com quem pensa de modo diferente.


O fato de estarmos presenciando um festival de abusos não significa que o debate político seja inútil ou que as campanhas eleitorais devam ser submetidas a regras arbitrárias. Significa, isto sim, que partidos, candidatos e uma parcela do eleitorado ainda usam mal a própria liberdade. Mas numa democracia sempre sobra espaço para as correções de rumo e, no caso de divergências, para o entendimento e a reconciliação. Como se sabe, a melhor maneira de se corrigir os defeitos da democracia é com mais democracia.