Após 15 anos de desenvolvimento, chega ao mercado o primeiro fertilizante fosfatado gaúcho
Eduardo TorresRepórter
Chegará ao produtor em maio, com início da operação industrial em abril, o primeiro fertilizante fosfatado, de aplicação direta na lavoura, com a extração do minério e a formulação feitas no Rio Grande do Sul. O Pampafos, lançado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, é resultado de 15 anos entre pesquisas e testes a campo realizados pela Aguia Fertilizantes a partir de uma jazida em Lavras do Sul, na região da Campanha. Até 2028, aponta o gerente de projetos da empresa, Diego Boeira, a Aguia pretende produzir até 300 mil toneladas do fertilizante por ano, podendo chegar, no ano seguinte, a 420 mil toneladas. Representará 5% da demanda gaúcha por fertilizantes fosfatados.
"Entre maio e o final deste ano, a nossa estimativa é produzirmos até 80 mil toneladas. No ano que vem, chegarmos a 100 mil e atingirmos as 300 mil toneladas com a estruturação completa da nossa primeira fábrica, em Caçapava do Sul", diz Boeira.
Desde o início do projeto, a Aguia Fertilizantes desembolsou R$ 200 milhões na região. Neste ano, outros R$ 30 milhões estão sendo aportados entre infraestruturas na mina, em Lavras do Sul e adaptações na fábrica, em Caçapava do Sul, também na Campanha. A empresa encampou por 20 anos uma antiga planta industrial em Caçapava e, neste primeiro momento, fará a exploração dos minerais, especialmente fósforo, em Lavras do Sul, com o transporte até a indústria para a produção do fertilizante.
O plano, de acordo com o gerente, é abastecer o mercado gaúcho, com vantagens logísticas e de custo. Mas o projeto não se encerra nesta estrutura. Há uma nova jazida em fase de licenciamento em Caçapava do Sul. A partir da liberação dessa mina, a empresa erguerá uma nova planta industrial em Lavras do Sul, e, aí sim, atingir 420 mil toneladas de capacidade de produção anual do Pampafos. Hoje, já são empregadas 50 pessoas na produção, até abril, serão 80 funcionários entre a mina e a indústria.
Para completar a estrutura de operação entre Lavras do Sul e Caçapava do Sul até 2029, ainda sem um orçamento concreto, Diego Boeira estima a necessidade de desembolso de outros R$ 200 milhões.
Empresa aposta em produto a baixo custo
"A nossa ideia, claro, é garantirmos nossa participação no mercado a partir da entrada do Pampafos e gerarmos recursos aqui no Rio Grande do Sul. Até agora, todo o nosso investimento é australiano, captado na Bolsa de Valores de lá. Temos diferenciais no mercado que nos dão essa boa perspectiva", explica Diego Boeira.
Ele completa: "estimamos a capacidade de suprir 5% da demanda gaúcha pelo produto fosfatado baseados no volume que os produtores compram do produto, mas não é exatamente o que o solo precisa, pelo alto custo desse produto".
Hoje, o Brasil importa 59% da sua necessidade deste tipo de fertilizante, e o Rio Grande do Sul responde por 12% dessa quantidade. De acordo com Boeira, a empresa conseguirá levar ao mercado o seu produto a R$ 800 por tonelada, em torno de 80% abaixo do preço médio dos fertilizantes fosfatados químicos, hoje importados. O novo produto, demonstra a empresa, não envolverá nenhum tratamento químico na sua mistura ou formulação.
Os testes em campo iniciaram em 2019, primeiro, em um campo experimental em Capivari do Sul e, na sequência, chegando a lavouras em 11 municípios de praticamente todas as regiões produtivas do Estado, tanto nas culturas de inverno quanto de verão. Na cultura do arroz, por exemplo, a empresa garante ter atingido produtividade maior do que os fertilizantes convencionais. Em média, considerando ainda os cultivos de soja, trigo e aveia, principalmente, houve produtividade em torno de 5% abaixo dos produtos convencionais.
Pesquisa em terras raras
Até a primeira jazida com rocha fosfática em exploração comercial no Rio Grande do Sul, desde 2011 a Águia Fertilizantes mapeou seis potenciais minas na mesma região. A estimativa é de que a atual mina de Lavras do Sul opere por 18 anos com a atual capacidade, daí a importância das demais áreas de exploração. Com a ideia de expansão para a exploração também em Caçapava do Sul, o plano da empresa é seguir avançando na produção do fertilizante fosfatado, mas abre o leque para pesquisas mineiras mais avançadas.
"Essa mesma rocha é hospedeira das terras raras no Rio Grande do Sul, e está no mapa das pesquisas, por exemplo, da UFSM na região, Temos enviado constantemente amostras para análises. Até o momento não houve a sinalização de potencial comercial nesta concentração de minerais, mas é uma pesquisa sempre em evolução", garante Boeira.
A prioridade, ele garante, está nos potenciais minerais com uso para o trato do solo na agricultura. E aí, além da rocha fosfática, já houve identificação de rocha potássica entre as jazidas da empresa, com algum potencial futuro de exploração. Há ainda pesquisas, em Caçapava do Sul, em relação ao cobre.
FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 30 milhões
Estágio: Em execução
Empresa; Águia Fertilizantes
Cidades: Lavras do Sul e Caçapava do Sul
Área: Indústria

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