
ELIANE
CANTANHÊDE
Limonada
BRASÍLIA
- A novidade no "affair" Lula-Maluf é a versão de que tudo foi ótimo
para a candidatura de Fernando Haddad, que ganha visibilidade inédita e
gratuita, aparecendo em todas as TVs, rádios, páginas de jornais e bombando na
internet. Mais ou menos na linha do "falem mal, mas falem de mim".
Trata-se
da velha tática de Lula de transformar o negativo em positivo, a desvantagem em
vantagem.
Qualquer
que seja a circunstância, ele faz do limão uma limonada. Até pode acontecer
quando se fala do candidato Haddad, que ainda tem 8% no Datafolha e precisa
crescer e aparecer. Mas não faz o menor sentido para o próprio Lula.
Nesse
caso, ele só tem a perder. A foto nos jardins de Maluf entrou para a história e
para sua própria história como um carimbo.
Além
de ficar "feio", a foto é uma espécie de documento não só dos erros
como das derrotas de Lula ultimamente. O nosso gênio da política tem levado vários
tombos: o drible de Kassab, o gol contra no jogo com Maluf, a petulância de
Marta e a lição pública de Luiza Erundina.
Lula
parece tonto e, à essa altura, deve estar ainda mais obcecado pela vitória de
Haddad. E ela é possível? Evidentemente que sim. Haddad tem a força natural do
PT e de Lula, além de dois novos fatores: o peso crescente de Dilma e o voto
malufista que ganha um rumo.
Dê no
que der, uma coisa é certa: se Haddad ganhar, terá mais uma vitória fenomenal
para Lula comemorar como sua; se perder, a culpa será do... julgamento do
mensalão.
José
Dirceu tem costas largas e Lula nunca tem culpa de nada.
O
projeto do Congresso que, na prática, acaba com o teto salarial no setor público
é uma manobra escandalosa. Primeiro, o Senado acaba com o 14º e 15º salários
dos parlamentares. Agora, aumenta o teto. Vai dar elas por elas.
elianec@uol.com.br