sábado, 23 de junho de 2018



23 DE JUNHO DE 2018
PIANGERS

Quase uma obsessão

Eu já tinha tido oportunidade de segurar alguns, de outras pessoas, antes de ter o meu. E todas as pessoas que me mostravam os seus estavam deslumbradas. É incrível!, elas diziam. Você só vai entender mesmo quando tiver, garantiam. Do outro lado, quem não tem desconfia. A gente nunca imagina que seja tão deslumbrante, tão hipnotizador. A gente só entende mesmo quando chega o nosso. É transformador.

Como podem ter inventado alguma coisa tão perfeita? Você passa a cuidar dele com cuidado e carinho. Vai desenvolvendo uma dependência: você quer ele sempre por perto. Em qualquer evento social, você sempre irá se preocupar, dando olhadinhas pra ver se está tudo bem. Se ele desaparece do seu campo de visão, angústia. Perdê-lo, mesmo que seja por um segundo, fará seu coração disparar.

Qualquer coisa é motivo pra olhá-lo, deslumbrado. Você vai esquecendo sua vida. O trabalho não é mais tão importante. Você se torna um com ele. O que é importante pra ele é importante pra você. Ele se torna sua prioridade. Qualquer tempo de estudo será fracionado entre ler um pouco, olhar pra ele, ler um pouco, olhar pra ele. É provável que você passe mais tempo olhando pra ele do que estudando.

E não são só os estudos. Na verdade, depois que ele chega você não consegue fazer mais nada. Ele se torna a coisa mais importante. Ele irá sempre tentar chamar atenção. Se estiverem juntos (e você vai querer estar sempre junto com ele), irá gritar, fazer barulho, tudo pra chamar sua atenção. E você o olhará. E, quando você está com ele, parece que não existe mais nada ao seu redor. 

E, eu já vi isso acontecer, quando você olha pra ele, você sorri. Algo dispara dentro de você. Um prazer, uma alegria. Uma felicidade de tê-lo. De olhar pra ele e se sentir conectado. Ele será sua razão de viver. Crescendo, todos os anos. Imprescindível, inexplicável. Você não consegue mais se imaginar sem ele. Quem diria que existiu uma época que você viveu sem um smartphone.

PIANGERS