quinta-feira, 19 de março de 2026

Conectividade aérea limitada desafia aeroporto de Uruguaiana

Aeroporto Internacional Rubem Berta, em Uruguaiana, tem uma rota comercial que faz ligação com Porto Alegre

Aeroporto Internacional Rubem Berta, em Uruguaiana, tem uma rota comercial que faz ligação com Porto Alegre

Divulgação Motiva/JC
Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterCom uma única rota comercial regular e menos de 20 mil passageiros por ano, o Aeroporto Internacional Rubem Berta, em Uruguaiana, mantém operação limitada na malha aérea regional. Em 2025, o terminal registrou 18.974 passageiros, segundo dados da concessionária Motiva Infraestrutura de Mobilidade (antiga CCR), responsável pela administração do aeroporto.
O volume representa redução em relação a 2024, quando 27.342 passageiros utilizaram o terminal. O movimento naquele período ocorreu em um contexto de alterações na operação da aviação no Rio Grande do Sul após as enchentes que afetaram o Estado e interromperam temporariamente as atividades do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre.
Com a normalização das operações em Porto Alegre, o fluxo voltou a níveis mais próximos do padrão histórico do aeroporto da Fronteira Oeste.
Atualmente, a Azul Linhas Aéreas é a única companhia com operação regular no terminal. Os voos ligam Uruguaiana a Porto Alegre às segundas, quartas, sextas e sábados. A aeronave chega à cidade às 15h45min e decola às 16h15min com destino à capital. O aeroporto opera diariamente das 7h às 19h.
Segundo o prefeito de Uruguaiana, Carlos Delgado, a oferta atual de voos é considerada inferior à demanda observada na região. "A demanda por mais voos e horários existe. Em alguns períodos, as passagens se esgotam rapidamente", afirma.
A economia do município está associada principalmente ao comércio exterior, ao transporte rodoviário internacional e ao agronegócio. Uruguaiana é um dos principais polos brasileiros de produção de arroz irrigado e concentra intenso fluxo de cargas no eixo Brasil–Argentina.
Nesse contexto, o transporte aéreo funciona como alternativa para deslocamentos corporativos, participação em eventos e atividades institucionais, especialmente pela distância de cerca de nove horas por via terrestre até Porto Alegre.
De acordo com o prefeito, o município mantém diálogo com companhias aéreas sobre a ampliação da malha regional. As empresas, segundo ele, apontam restrições relacionadas à disponibilidade de aeronaves e às características operacionais do aeroporto.
Hoje, as operações comerciais utilizam principalmente aeronaves do modelo ATR, comuns em rotas regionais. A operação de aeronaves de maior porte dependeria de adaptações na infraestrutura da pista.
Entre os destinos considerados prioritários pelo município para eventual ampliação da conectividade estão São Paulo e Buenos Aires. "Já tivemos ligação direta com São Paulo no passado. Essa rota é considerada prioritária pela importância econômica da cidade", diz Delgado. 
A prefeitura também menciona a possibilidade de retomada de voos internacionais. Uruguaiana está localizada na fronteira com a Argentina e recebe fluxo significativo de visitantes estrangeiros por via terrestre.
Além do transporte de passageiros, o município avalia a possibilidade de desenvolver operações de carga aérea. Segundo a prefeitura, empresas do setor logístico já manifestaram interesse em utilizar o terminal para esse tipo de operação, caso haja ampliação da infraestrutura necessária.
O Aeroporto Internacional Rubem Berta integra o bloco de concessões federais administrado pela Motiva Infraestrutura de Mobilidade desde 2022. De acordo com a prefeitura, a concessionária realizou melhorias recentes na infraestrutura do terminal, incluindo intervenções na pista e modernização do prédio aeroportuário.
A administradora também anunciou a venda de sua plataforma aeroportuária ao grupo mexicano Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), em operação avaliada em R$ 11,5 bilhões. A transação envolve a transferência de 100% da participação da empresa nos aeroportos administrados pela companhia.
A conclusão do negócio depende da aprovação de órgãos reguladores, incluindo a Agência Nacional de Aviação Civil e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Até lá, a gestão permanece sob responsabilidade da Motiva, mantendo as obrigações previstas nos contratos de concessão.

O governo federal também anunciou investimentos de R$ 389 milhões em infraestrutura aeroportuária no Rio Grande do Sul. Segundo o ministério, aeroportos localizados em regiões de fronteira, como Uruguaiana, são considerados estratégicos na política de aviação regional voltada à integração territorial e à ampliação da conectividade em áreas distantes dos grandes centros. 

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