Piá busca liquidação para conseguir mais flexibilidade de negociação com credores
Especial para o JC
Depois de reduzir em cerca de 40% a captação mensal de leite e focar na produção de derivados para ganhar capital de giro, a Cooperativa Piá de Nova Petrópolis anunciou, nesta semana a realização de uma assembleia para definir sobre a sua liquidação com continuidade dos negócios. Categórico, o presidente da cooperativa, Jorge Dinnebier, afirma que a Piá “não vai fechar”, mas vai ganhar tempo para buscar saídas para que a cooperativa, com quase 60 anos de atuação na Serra Gaúcha, siga em atividade.
Esse método de liquidação permitirá à cooperativa barrar, por um ano, todas as cobranças bancárias e de empréstimos, depósitos, bloqueios judiciais, dos credores. “Tempo que pode ser prorrogado, pois tem empresas com essa modalidade de liquidação desde 2010. Nesse tempo, buscaremos parcerias para alavancar a Piá”, disse o executivo.
A intenção é ganhar tempo para colocar em prática o plano de reestruturação, elaborado a partir do momento em que a nova gestão foi eleita. “Firmamos dez contratos de confidencialidade com empresas do setor lácteo, fundos de investimento com a intenção de estruturar uma parceria”, informa.
O presidente não confirma a venda da Piá para um dos possíveis parceiros, apenas sinaliza que existem empresas interessadas em diferentes modelos de negócios: algumas que buscam comprar a totalidade da cooperativa, outras apenas parte, outras que quer parceria para terceirização. “São vários modelos, mas confidenciais e que dizem respeito às estratégias de cada empresa interessada e não podem ser revelados. Mas a ideia de terceirização parece ser a mais interessante”, salientou. Dinnebier revelou ainda que existe o interesse de fundos de investimentos aportarem valores para que a cooperativa possa se reerguer.
No plano de reestruturação, também foram incluídas as vendas de imóveis para ajudar no pagamento das dívidas da cooperativa, contraídas na gestão anterior à de Dinnebier, montante que não é revelado pela gestão atual. A ideia, segundo o dirigente, é “voltar às origens” e seguir apenas com a fábrica, com capacidade produtiva de 1 milhão de litros de leite ao dia, e doces, localizada no bairro de mesmo nome, em Nova Petrópolis e a loja de Feliz, que abrigou um dos supermercados da rede, mas que hoje está locada para outros fins comerciais. O
Os supermercados de Nova Petrópolis, Picada Café, Santa Maria do Herval e Morro Reuter foram vendidos como forma de pagar parte da dívida. O presidente diz que a cooperativa tem em torno de 20 mil associados, dos quais 17 mil são associados consumidores e 3 mil são associados produtores. “Temos um índice menor nesse momento devido à falta de capital de giro. Os associados até querem entregar o leite, mas eu não posso captar o leite e não pagar. Estamos pagando com algum atraso, mas estamos pagando”, revela.
Sobre o processo de liquidação, o presidente afirma que o tema vem sendo tratado há algum tempo, junto com o Conselho de Administração da cooperativa e que também busca orientações junto a entidades ligadas ao cooperativismo, como Ocergs e Fecoagro, além de advogados especializados em direito empresarial. “Decidimos chamar duas assembleias, a Ordinária e a Extraordinária que tratará deste assunto, já que as cooperativas não podem pedir recuperação judicial, mas sim a liquidação com continuidade dos negócios”, informa.
Caso aprovada, essa configuração permite que a cooperativa consiga organizar melhor o seu fluxo de caixa, mais prazo e tempo para negociações com os credores. “Vamos sinalizar que podemos começar a pagar no mês tal, no ano tal com um tanto por mês e ainda tantas parcelas. Estabelecer se precisamos de desconto, redução de juros e assim sucessivamente”, explica Dinnebier.

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