Resiliência do produtor gaúcho é destaque na abertura da 24ª Expoagro Afubra
A abertura da 24ª Expoagro Afubra, realizada em Rio Pardo ontem, foi marcada por uma só palavra: resiliência. A capacidade de resistir dos produtores gaúchos foi destacada pelas autoridades que participaram do evento. O presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, afirmou que faltam políticas agrícolas justas e eficazes, proteção ao mercado e acesso ao seguro agrícola acessível e abrangente. “O termo sempre fez parte da vida de quem vive do campo: quem planta sem a certeza da colheita. E mesmo quando colhe não sabe se terá o preço justo pelo seu produto”, disse o dirigente.
Drescher destacou o papel fundamental da feira nesse contexto em que os produtores passam por dificuldades, por ser polo de conhecimento, novas tecnologias e projeção de soluções para o futuro. “O produtor resiste e se reinventa, investe em inovação, aumenta a produtividade e segue fazendo aquilo que sabe fazer de melhor”, pontua.
O presidente defendeu que a Expoagro Afubra também seja um momento de reflexão e que autoridades e governantes voltem seus olhares para o campo. “Neste ano, também faço um apelo muito especial ao setor do tabaco que a comercialização desta safra seja pautada pela justiça, que o produtor seja valorizado, que o preço pago reflita a qualidade do produto e que haja equilíbrio de sustentabilidade em toda a cadeia”.
O senador Luis Carlos Heinze (PP) destacou que, diante do endividamento crescente, os produtores gaúchos, especialmente de soja, milho, leite e arroz, precisam de “juros baratos e de negociação”. Heinze enfatizou também a importância do tema dos créditos de carbono, que podem resultar em ganhos extras para os agricultores. “Uma arroba de fumo, um saco de soja, de arroz, um litro de leite são ativos que temos nas mãos e temos uma lei que permite que o agricultor possa receber o crédito de carbono”, afirmou.
O vice-governador Gabriel Souza ressaltou a importância da produção de tabaco para o Estado, como fonte de renda e também demonstrou preocupação com a questão do endividamento dos produtores de fumo e de outras culturas. “Infelizmente, ainda não temos solução para PL 5122/23, projeto que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais afetados por estiagens. Fomos muito impactados pelas estiagens, mais do que o Nordeste brasileiro”, disse.
O secretário de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Gustavo Paim, frisou a importância da agricultura familiar para a feira, considerada como uma das campeãs em comercialização dos produtos das agroindústrias familiares. “A Expodireto e a Expoagro Afubra disputam, ano a ano, qual é a segunda maior feira em termos de comercialização no Estado. Uma disputa saudável de um setor cada vez mais liderado pelos jovens e pelas mulheres”, disse Paim.
O secretário da Agricultura, Edvilson Brum, salientou a importância social e econômica da mostra de Rio Pardo. “É esta organização, é esse espírito de coletividade que fazem a representatividade dos produtores para continuarem trabalhando pelo agro gaúcho e pelo agro brasileiro”, destacou. O superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária, no Rio Grande do Sul, José Kleber Dias de Souza, reforçou o tema da resiliência dos produtores e a necessidade de prover novas políticas mais adequadas às necessidades dos agricultores. “Trabalhamos de duas formas distintas orientadas pela manifestação das representações dos agricultores em ambas não conseguimos superar todos os problemas. Mas avançamos bastante”, afirmou.
Pavilhão da Agricultura Familiar abre com recorde histórico de 222 empreendimentos
A abertura do Pavilhão da Agricultura Familiar marcou um momento histórico na 24ª Expoagro Afubra. Com a presença de 222 empreendimentos participantes, maior número já registrado, o espaço reafirma sua relevância como vitrine da produção da agricultura familiar gaúcha e como importante canal de geração de renda no meio rural. O ato contou com a presença do vice-governador Gabriel Souza.
O pavilhão funcionará entre os dias 24 a 27 de março, das 8h às 18h, reunindo 177 agroindústrias familiares, 23 empreendimentos de artesanato, 19 de plantas e flores e três iniciativas indígenas. Ao todo, 122 municípios estão representados, evidenciando a diversidade regional e produtiva do Rio Grande do Sul.
Outro destaque desta edição é o protagonismo feminino e da juventude no campo: são 96 empreendimentos liderados por mulheres e 98 com participação de jovens, fortalecendo a sucessão familiar e garantindo a continuidade das atividades rurais. Os visitantes encontram uma ampla variedade de produtos, como panificados, embutidos, mel, sucos, doces, conservas, bebidas, além de itens artesanais e produtos de origem vegetal e animal, todos oriundos de agroindústrias familiares apoiadas por políticas públicas estaduais.
O presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, destacou o trabalho dos extensionistas no dia a dia, junto aos produtores, à juventude rural e as mulheres agricultoras familiares, que trazem o resultado do seu trabalho para esse Pavilhão da Agricultura Familiar, que traduz a diversidade da nossa cultura gastronômica, etnias, cores e sabores.
O espaço é organizado por meio da parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Afubra, Emater/RS-Ascar e Fetag-RS, consolidando um trabalho conjunto de valorização da agricultura familiar. Na última edição, o Pavilhão da Agricultura Familiar superou, pela primeira vez, a marca de R$ 2 milhões em comercialização, alcançando R$ 2.355.901,95 em vendas, resultado que reforça o impacto econômico do espaço para os produtores. A expectativa para 2026 é de ampliação desses números, acompanhando o crescimento do número de expositores.

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