10 DE OUTUBRO DE 2019
UMA ÓPERA-METAL NA CAPITAL
Épico, Iron Maiden hipnotiza na Arena
Houve grandes bandas de rock que compuseram discos conceituais e óperas-rock unificadas por uma mesma narrativa ou tema, experiências depois traduzidas em shows ao vivo que se desenrolavam como uma peça diante do público. O que se viu na noite de ontem, na Arena do Grêmio, com o Iron Maiden foi algo diverso, a demonstração da consistência temática de uma carreira de décadas.
O show do grupo formado por Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarra), Adrian Smith (guitarra), Janick Gers (guitarra) e Nicko McBrain (bateria) revisita um repertório que abarca 40 anos e ainda assim versa quase todo sobre o mesmo tema: a guerra e seus horrores como um alto preço a pagar por lutas necessárias contra a opressão. Uma peça com tom épico que engajou a multidão no estádio.
O show começa desacelerado e vai ganhando velocidade aos poucos. Com cenas no telão do jogo The Legacy of the Beast, que inspirou o atual setlist, sem a banda ainda no palco, o sistema de som toca os primeiros acordes da instrumental Transylvania, logo fundida com Doctor Doctor, cover da banda UFO, uma canção que, por trás das típicas distorções e riffs enérgicos, revela um suingue maroto que funciona muito bem como carta de intenções.
O Iron entra em cena. Enquanto o telão mostra cenas em preto e branco da Segunda Guerra Mundial, é executado um trecho gravado de um dos mais famosos discursos de Winston Churchill, aquele no qual, após o fiasco da retirada em Dunquerque em 1940, o primeiro-ministro prometia que os britânicos lutariam "nas praias, nos terrenos de desembarque, nos campos e nas ruas". Como qualquer um que já tenha comparecido a um show do Iron pode reconhecer, é a senha para que o grupo apresente um de seus clássicos, Aces High. O que adiciona uma camada épica à execução nesta turnê é o fato de uma réplica em tamanho real de um caça Spitfire voar pelo palco amparada em cabos de aço enquanto Bruce Dickinson canta em um cenário de campo de batalha usando um capacete de couro e óculos usados por aviadores da Segunda Guerra.
Bruce Dickinson saúda o público lançando uma provocação entre as cidades que a banda visitou nesta turnê:
- Fizemos três shows. Um no Rio foi ok. O de São Paulo foi bom. Ao ouvir sobre o show de São Paulo, o público explode em uma vaia. O vocalista insiste:
- O de São Paulo foi bom. Aqui, em Porto Alegre, achávamos que venderíamos uns 20 mil ingressos, mas esgotamos 80 mil (conforme a assessoria do evento, 40 mil pessoas compareceram ao show). É o maior público para o qual já toquei em Porto Alegre. Então, repetindo: o Rio foi ok. São Paulo foi bom. Porto Alegre vai ser incrível pra caralho.
Com o fim do show, a pergunta permanece e a única certeza é que, com sua ópera-metal, o Iron Maiden trouxe a Porto Alegre um dos grandes shows que a cidade viu recentemente.
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