
20
de dezembro de 2012 | N° 17289
EDITORIAIS
O ensino reprovado
Foi
rápida e radical a reação do Ministério da Educação ao fato de que muitos
cursos superiores do país não oferecem as mínimas condições de funcionamento.
Determinou
o MEC que sejam suspensos os vestibulares para admissão em 207 cursos, de 185
instituições, reprovados por indicadores que avaliam a qualidade das
graduações. Pela primeira vez, o ministério adota uma medida com esse alcance,
com base no Conceito Preliminar de Curso, e a determinação é uma punição
exemplar, porque as entidades atingidas tiveram seus nomes divulgados.
As
autoridades oferecem uma chance para que as instituições possam se recuperar.
Pelo que se constatou na listagem recentemente divulgada, com as notas obtidas
pelos cursos, essa é uma tarefa que exigirá grande esforço e certamente não
será cumprida por boa parte dos reprovados.
Serão
cancelados, em alguns casos para sempre, os vestibulares de cursos com
estrutura, práticas pedagógicas e corpo docente precários. Os próprios alunos
já sabiam ou suspeitavam da situação que o MEC agora oficializa. É uma medida
dura, de efeito imediato, que rompe com a inércia do Ministério da Educação,
pois até então a proibição de recebimento de novos vestibulandos só acontecia
depois de demorado processo administrativo.
Cursos
mantidos a qualquer custo, alguns com o único objetivo de atender à crescente
demanda de estudantes, induzem ao engano de que o acesso à universidade teria
sido facilitado. A proliferação de faculdades públicas e privadas é um fenômeno
recente, que prosperou pela fragilidade dos controles que só agora o MEC parece
estar aperfeiçoando.
Espera-se
que a vigilância redobrada corrija as distorções e resulte na qualificação de
uma formação universitária ainda deficiente em muitas áreas, o que impede o
preenchimento de milhares de vagas oferecidas pela indústria. Faculdades
precárias não podem continuar enganando a todos – os estudantes, as autoridades
e o país.